Capitão Derrite é cotado para assumir a Segurança Pública no governo Tarcísio

Deputado federal reeleito, natural de Sorocaba, elaborou o plano do setor a ser executado pelo novo governador

Por Wilma Antunes

Deputado federal reeleito Derrite (PL), de Sorocaba

 

Ao menos quatro deputados da base de apoio do presidente Jair Bolsonaro (PL) devem ser nomeados para o secretariado do governador eleito no Estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (PL). A estimativa é de que, a partir do ano que vem, a bancada ligada ao atual governo tenha de 28 a 35 parlamentares. O cálculo teria sido discutido na semana passada em uma reunião, por videoconferência, de deputados atuais e deputados eleitos com Tarcísio, segundo levantamento da CNN. Um dos nomes cogitados para assumir a Secretaria de Segurança Pública é o de Guilherme Muraro Derrite, o Capitão Derrite (PL), deputado federal natural de Sorocaba, reeleito para seu segundo mandato com 239.772 votos.

Em agosto deste ano, a Câmara dos Deputados aprovou a proposta que extingue saídas temporárias de presos dos estabelecimentos prisionais. O texto aprovado é o substitutivo do relator, deputado Capitão Derrite, ao Projeto de Lei 6579/13, do Senado. Derrite alterou a proposta inicial, que limita as saídas, para abolir completamente esse benefício.

Durante a campanha eleitoral, o parlamentar declarou apoio a Tarcísio. A assessoria de imprensa de Derrite afirmou ao jornal Cruzeiro do Sul que o apoio não foi condicionado a nenhum cargo em proveito à função no secretariado. Apesar de dizer que a possível indicação não passa de um “rumor”, a equipe do deputado não descartou a possibilidade. Isso porque o plano de segurança pública da campanha de Tarcísio foi elaborado por Derrite.

Derrite tem 38 anos e se elegeu pela primeira vez em 2018, com 119.034 votos. Em quatro anos, o deputado aumentou seu eleitorado em 101,4%. Ex-policial militar, começou a dedicar sua carreira à segurança pública em 2003, aos 19 anos, quando ingressou na Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Três anos depois, em 2006, iniciou sua carreira na corporação e em dezembro do mesmo ano foi declarado aspirante a Oficial PM. Em 2006, ele foi promovido por merecimento intelectual a 2º Tenente PM. Não demorou para que ele conquistasse a posição de 1º Tenente, em 2010. Entre os anos de 2010 a 2013, o sorocabano comandou a Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (Rota).

Ainda em 2013, comandou o Pelotão de Força Tática do 49º Batalhão de Polícia Militar Metropolitana, em Pirituba, e coordenou o módulo específico do curso de formação de soldados do Comando de Policiamento de Áreas Metropolitanas em Rio Pequeno (CPA/M5) até 2014. Já em 2015, comandou o Pelotão de Soldados em Formação na Escola Superior de Soldados e, no ano seguinte, em 2016, comandou o Posto de Bombeiros de Pirituba do 2º Grupamento de Bombeiros da Capital, onde ficou até 2017.

Se candidatou a deputado federal em 2018 pelo PP -- partido que deixaria em 2022 -- e tomou posse em 2019, assumindo a posição de vice-líder do Governo na Câmara dos Deputados.

Plano de governo

O capítulo do plano de governo de Tarcísio de Freitas que trata sobre segurança pública no Estado de São Paulo foi elaborado pelo Capitão Derrite. No texto são destacado os pontos a serem melhorados, de acordo com a parceria entre deputado e governador. Aos olhos da nova gestão estadual, os paulistas se “acostumaram a ser vítimas” de uma “epidemia de roubos” e a falta de integração com os municípios, além da “ineficiência governamental”, que impedem que os policiais possam agir de modo eficiente. Outras questões apresentadas no documento são o aumento do assédio sexual contra mulheres, fraqueza governamental no enfrentamento do crime organizado e abandono do controle interno das unidades prisionais.

Há dez propostas no plano de governo que prometem corrigir os reveses da segurança pública. O sorocabano apostou em liderar o uso de tecnologias e a integração das bases de dados de interesse policial disponíveis nos níveis federal, estadual e municipal, e diferentes poderes, no combate a todo tipo de atividade criminosa. Já em relação ao crime organizado, a solução apresentada faz uso de tecnologia, inteligência policial, uso de informações financeiras, além do fortalecimento da atividade de polícia investigativa e técnico-científica.

Conforme o capítulo, o efetivo das polícias será aumentado e receberá apoio jurídico, revisão do regime de trabalho, carreira e recuperação da imagem. A política das câmeras corporais também pode ser revista. Para tornar as ruas mais seguras, a nova gestão confia em mapas inteligentes, que poderão orientar melhor as corporações sobre os crimes cometidos no Estado. Esse sistema seria disponibilizado também à sociedade, proporcionando transparência e prestação de contas.

Outro ponto valorizado no projeto é a garantia da ordem social, que visa impedir a formação das cracolândias e impedir infortúnios no período da noite, por meio da integração e operacionalização técnica das leis do silêncio. A utilização de forças combinadas das estruturas federal e estadual, com a cooperação SP-Brasília, também é citada no documento. O objetivo é combater o crime organizado dentro e fora das prisões.

O governo também promete investir na tecnologia para resolução de crimes, com recursos para a polícia técnico-científica, modernização de equipamentos de investigação, banco de DNA e reformulação das delegacias de homicídios regionais. Resolução de crimes digitais também está na lista de aprimoramentos.

A gestão ainda prevê a revisão do sistema prisional. O intuito é suprir a atual demanda e a reinserção de egressos na sociedade, com foco na recuperação, capacitação e recolocação profissional. Além disso, consta no plano o controle de nível de cela, com bloqueio de sinal de celular em todos os presídios e uso de tornozeleiras para os prisioneiros em regime aberto ou semiaberto.

As ações voltadas à proteção da mulher e da família envolvem a criação de um programa de prevenção e fortalecimento da atuação das Delegacias da Mulher, com melhoria das estruturas e ampliação do horário de atendimento. Ainda é mencionado uma criação de abrigos regionais protegidos para mulheres vítimas de violência. Também é abordado o investimento em medidas socioeducativas aplicáveis aos adolescentes infratores para reduzir os índices de reiteração na prática dos delitos. (Wilma Antunes)