Votação teve queixas de filas, demora e santinhos em frente a escolas

Propaganda política espalhada pelo chão vai ser investigada pela Justiça Eleitoral. Apesar da dificuldade na fluidez para votar, eleição foi calma em Sorocaba

Por Cruzeiro do Sul

Eleitores fazem fila para votar na Fatec

O primeiro turno das eleições gerais de 2022 foi agitado em Sorocaba. Antes mesmo dos portões se abrirem, já haviam filas formadas em frente aos colégios eleitorais da cidade. Por conta do grande fluxo de pessoas, houve quem preferiu voltar no período da tarde para participar do sufrágio universal com mais tranquilidade. Embora as eleições estejam acirradas e a polarização política da população ainda seja um fator preocupante para a sociedade, na visão de especialistas, o município não registrou nenhum caso de crime eleitoral.

Os portões dos locais de votação se abriram às 8h. A dona Maria das Graças Rodrigues Yoshiama, de 63 anos, fez questão de ser a primeira da fila. Às 6h45, ela já estava na escola municipal Dr. Getúlio Vargas, na Vila Santa Terezinha, para fazer a sua parte como cidadã brasileira. Apesar de ter chegado com antecedência, a pensionista revelou ter acordado às 5h porque ficou ansiosa com as eleições deste ano. “É muito importante cumprirmos com esse dever. Nosso Brasil precisa melhorar. Vamos pedir para Deus que Ele faça o melhor pelo nosso Brasil‘, falou.

Santinhos

Logo pela manhã, foi possível notar que, mesmo com a proibição, havia propagandas políticas por todo lado. Os chamados santinhos estavam espalhados pelas ruas em diversos pontos da cidade. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a distribuição de santinhos e outros materiais impressos é proibida. O descumprimento da norma, no dia do pleito, são puníveis com detenção, de seis meses a um ano, com a alternativa de prestação de serviços à comunidade pelo mesmo período, e multa no valor R$ 5.300 a R$ 15.900.

O juiz eleitoral Gustavo Scaf de Molon, da 137ª zona eleitoral, informou que o maior problema durante a votação, em Sorocaba, foi o derramamento de santinhos. O juiz disse que será aberto inquérito policial para investigar a situação e os casos serão enviados ao Ministério Público. Sem citar nomes, Molon disse que ele mesmo fotografou vários santinhos e que o material é de vários candidatos, de praticamente todos os partidos, que concorrem aos cargos de deputados estaduais e federais.

“No caso dos deputados que forem eleitos, além de multa eles, podem até perder o mandato por conta da prática, que não é permitida. Se o candidato não for eleito, ele poderá ser multado”, afirmou o juiz. A autoridade ainda destacou que a prática tinha diminuído nas eleições anteriores, porém, voltou com mais força nesta eleição. “Os casos geralmente ocorrem durante a madrugada e muitas vezes são feitos por pessoas ligadas aos candidatos”, explicou.

Escolas lotadas

Meia hora após a abertura dos portões, a escola estadual Prof. Wilson Ramos Brandão, no Parque Ouro Fino, tinha mais de 50 pessoas na fila. Às 9h, as filas também estavam enormes na escola estadual Prof. Marco Antônio Mencacci, situada no bairro Aparecidinha. A maioria das reclamações sobre a lentidão na hora de votar foram feitas na parte da manhã, entre 9h e 12h30. Contudo, também houve transtornos no período da tarde,

Algumas seções eleitorais da escola estadual Prof. Flávio Gagliardi, no Jardim Saira, tinham mais de 30 pessoas na fila. A comunicóloga Regina Fernandes, de 45 anos, disse o grande fluxo de pessoas a surpreendeu, visto que o local sempre foi tranquilo em eleições passadas. “Estou aqui há uns 20 minutos. Nunca demorou desse jeito”, relatou.

O apoio logístico do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) informou que não houve nenhum tipo de problemas com as urnas eletrônicas na instituição. A demora, conforme o órgão, não está relacionada ao funcionamento dos dispositivos, mas sim ao tempo que o eleitor leva na cabine de votação. Ainda de acordo com representantes do TSE, muitos idosos votam naquela região. Desta forma, alguns desses eleitores podem apresentar dificuldade na hora de operar os aparelhos.

Portões fechados

Com pouco movimento, os portões dos colégios eleitorais se fecharam às 17h. No Colégio Salesiano, localizado na Vila Independência, o pátio estava praticamente vazio. Em uma das pequenas filas formadas nas seções, eleitores relataram que, no período da manhã, o fluxo de pessoas era grande. Assim, resolveram voltar para a casa e depositar o voto no período da tarde. A dentista Erica Rodrigues, de 56 anos, disse que a situação por volta das 10h estava “impossível” de suportar. “Tinha muita gente, as filas faziam zig-zag. Agora está mais tranquilo”, contou

A estudante Renata Silva, de 19 anos, também tentou votar de manhã na escola estadual Prof. Ezequiel Machado Nascimento, no Jardim Santa Rosália, mas, devido ao grande fluxo de pessoas, voltou à tarde. Esta foi a primeira vez que ela votou em uma eleição. O momento, segundo a jovem, é de alegria e responsabilidade. “É muito importante votar, principalmente os jovens, que tem um posicionamento bem claro. Ainda mais nessa eleição que está bem acirrada. Fiquei muito feliz de poder participar e dar meu voto consciente”, contou. (Wilma Antune. Colaborou Vanessa Ferranti, Ana Cláudia Martins e Agência Focs - Uniso)