Mais de 2 mil buscam ONG para doar cães e gatos todo mês
Grande número de pessoas que procuram a entidade para "doar" um animal indesejado levanta a questão da posse responsável
Diariamente, entre 60 e 70 pessoas procuram a Spaso Associação Protetora dos Animais na tentativa de deixar cães e gatos vindos das mais diversas situações. Como destaca o presidente da entidade Vanderlei Martinez, são mais de 2,1 mil casos por mês. São animais encontrados na rua, pessoas que não querem mais os bichos porque vão mudar de casa, de emprego ou até mesmo casos em que tutores não castram seus animais e esses acabam dando crias. A entidade, portanto, não tem capacidade para recolhê-los e aceita ficar com eles em casos muito específicos como quando o interessado se compromete a arcar com os custos da alimentação e eventuais tratamentos médicos.
O grande número de pessoas que procuram a entidade para “doar” um animal indesejado levanta a questão da posse responsável. Esses números são apenas da Spaso, e não levam em conta outras ONG’s, 156 (Ouvidoria do município) e o telefone do Bem-Estar Animal, da Prefeitura de Sorocaba. “As pessoas nos procuram pedindo que a gente receba uma doação, só que a doação que ela se refere é abandonar um animal que pra ela se tornou “indesejado”, seja um animal idoso, doente, bravo ou dócil, e até uma mudança pra um local onde não pode levar o animal. A pessoa diz que está “doando” para a associação”, pondera Martinez.
Em relação os milhares de pedidos recebidos, Martinez explica que ele não representa os animais adotados na Spaso. Nos últimos 18 meses, apenas dois casos de animais “devolvidos” foram adotados na associação. “A pessoa precisa reconhecer a sua responsabilidade com o animal. A posse é dela, é ela quem tem que resolver esse problema, ela não pode esperar que ONG’s ou até mesmo o poder público resolvam os problemas”. Já em relação à origem dos animais que são devolvidos, o presidente da associação explica que eles podem ser de adoção, presentes, recolhidos das ruas, ou já pertencia à família, e até mesmo os casos em que não houve a castração do animal e, com isso, eles procriaram. Com isso, os donos optam por ficar com os animais mais jovens e tentam doar os mais idosos.
Os motivos que fazem uma pessoa abandonar um animal vão desde a questão socioeconômica, às pessoas que passaram a considerar o animal um incômodo em sua vida. “Temos casos de animais doentes, que as pessoas querem se eximir da responsabilidade. Existem também casos de animais idosos e até mesmo animais jovens que são substituídos dentro do lar por outro animal, com isso, o mais velho fica de escanteio”, explica.
70 cães resgatados
Na quinta-feira (2), a Secretaria do Meio Ambiente, Proteção e Bem-Estar Animal (Sema) resgatou cerca de 70 cães que estavam em condições precárias. A ação foi realizada em três imóveis na zona leste de Sorocaba, dois deles pertenciam à mesma pessoa. “O que nós sabemos é que é mais um caso de acumulador, uma pessoa que transfere muitas vezes suas frustrações, desejos e anseios. Enfim, é uma questão patológica, transferem isso ao acumular animais, e em péssimas condições”, explica Souza, que esteve acompanhando o resgate.
Todos os animais resgatados foram levados à Unidade de Proteção e Bem-Estar da Sema, onde foram avaliados clinicamente por um médico veterinário e estão recebendo os cuidados necessários.
De acordo com a Sema, não existe um limite de quantos animais podem ser adotados por uma única pessoa, porém, o tutor deve sempre observar se há espaço adequado para abrigar os animais, garantindo o bem-estar de todos eles, bem como se é possível arcar com todos os custos envolvidos como a compra de ração e acompanhamento de médico veterinário e vacinação, por exemplo. O artigo 37 da lei nº 8.354/2007 determina que não é permitido em residência particular, a criação, o alojamento e a manutenção de mais de 10 (dez) animais, no total, das espécies canina ou felina, com idade superior a 90 (noventa) dias. O parágrafo único do artigo 15 determina que os animais não mais desejados por seus proprietários, deverão ser encaminhados ao Órgão Sanitário Responsável. (Virgínia Kleinhappel Valio)