Câmara de Tatuí vai investigar acusações contra Claudio dos Santos

A informação foi divulgada pelo presidente da Casa, Marquinho de Abreu; o vereador é acusado de misoginia e racismo por ter xingado uma mulher negra

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A Câmara de Tatuí divulgou nota oficial sobre o caso em seu site

*Atualizada às 10h38

A Câmara Municipal de Tatuí vai investigar as acusações de misoginia e racismo contra o vereador Claudio dos Santos (PSL). A informação foi divulgada pelo presidente da Casa, Marquinho de Abreu (PSDB), em publicações em seus perfis nas redes sociais. Claudião Oklahoma, como é conhecido, teria deferido diversos xingamentos a uma mulher negra em um grupo de WhastApp. O caso veio à tona na terça-feira (29). O Legislativo tatuiense divulgou, em seu site, um comunicado sobre a situação. Sem qualquer referência direta ao parlamentar, a Câmara afirma repudiar todo o tipo de discriminação.

Na postagem, Marquinho de Abreu diz já estar sabendo das denúncias e que elas serão apuradas. Porém, não dá detalhes de como serão as investigações. Ele ainda lamenta o caso. "No final da noite de ontem, 28 de março, tomamos conhecimentos de um fato que, se confirmado ou não, nos entristece, é lastimável e intolerável. Toda denúncia será apurada e, como presidente da Câmara de Tatuí, informo que não serei omisso. Reitero que lamento e repudio qualquer ato ou declaração ofensiva e discriminatória", escreveu.

Em um texto divulgado em seu site, intitulado nota oficial, a Câmara também cita ter tomado conhecimento dos fatos na noite de terça (29). Sem mencionar o nome de Santos, diz não concordar com as possíveis atitudes praticadas pelo vereador. “A Câmara Municipal de Tatuí esclarece que não compactua com os atos supostamente cometidos por um membro do Poder Legislativo.”

No segundo e último parágrafo da nota, o Legislativo pontua defender o respeito à diversidade e repudiar qualquer tipo de preconceito. “A Casa de Leis informa ainda que preza pela pluralidade humana, repudiando todo tipo de discriminação que, infelizmente, venha a assolar a comunidade [sic].”

 

Cláudio dos Santos é acusado de misoginia e racismo (crédito: Reprodução)

 

 

 

O caso

Claudio dos Santos teria proferido xingamentos contra a esposa de um adversário político, na última sexta-feira (25). Por meio de mensagens em um grupo de WhatsApp, ele teria chamado a vítima de “dragão desgraçada de feia”, carvão queimado‘ e ‘chita‘, dentre outras ofensas. Além disso, também teria agredido verbalmente o filho da mulher. “É tão feio que acho que criaram a placenta e jogaram o feto fora”, dizia uma das mensagens ofensivas do vereador direcionadas ao filha da vítima.

Além disso, por conta do atrito político, o parlamentar ainda teria ameaçado a vítima no local de trabalho. Santos teria intensificado os xingamentos e a constrangido na frente de outras pessoas. Após a vazamento das mensagens, a mulher registrou boletim de ocorrência.

Devido à repercussão do caso, movimentos antirracistas e feministas lançaram, na segunda-feira (28), um abaixo-assinado pedindo a cassação do vereador. Estão à frente da mobilização o Coletivo Alvorada Antirracista, o Núcleo Feminista Rosas da Revolução, Coletivo Evangélico Progressista A Verdade Liberta, Coletivo JUNTAS, Cia de Opinião, PLP de Tatuí (Promotoras Legais Populares), Subsede de Tatuí APEOESP e SindServ (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Tatuí e Região), Companhia de Maria, Coletivo JOANAS, além da Comissão da Mulher Advogada e dos Direitos da Mulher e Comissão de Diretos Humanos da OAB Subseção de Tatuí, Secretaria de Mulheres do PT Tatuí e o Núcleo Afro Feminino.

O documento já reúne mais de duas mil assinaturas. O abaixo-assinado deve ser apresentado na próxima sessão ordinária da Casa, na próxima segunda-feira (4). Os movimentos igualmente vão enviar à Câmara um requerimento formal para pedir a cassação de Santos por quebra de decoro parlamentar.

 Por meio de nota, Santos alega ser vítima de fake news e que as mensagens tratam-se de montagens. Segundo ele, os conteúdos têm o intuito de prejudicá-lo, por questões políticas. Diz, ainda, ser contra qualquer discriminação. Cita, também, não ter recebido, até o momento, comunicação oficial sobre o caso de nenhuma autoridade.