Máscaras ainda são usadas nas escolas
Muitos estudantes ainda não sentem-se seguros para dispensar o acessório em locais fechados
Muitos estudantes continuam a usar a máscara de proteção em unidades de ensino de Sorocaba, mesmo após a desobrigação. O Cruzeiro do Sul esteve na tarde desta quinta-feira (24) em uma universidade, uma escola estadual e uma municipal para conversar com alunos de todas as idades. A maioria dos entrevistados, mesmo vacinados, ainda prefere utilizar o item, por medo de contrair a Covid-19 -- e da pandemia em si.
Victor Hugo Gimenez de Moraes, de 14 anos, matriculado no 9º ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Antônio Padilha, no Centro, continua de máscara. Ele não deixou o acessório de lado, principalmente, porque vai de ônibus à unidade. “Lá (no ônibus), é bem aglomerado”, diz.
O adolescente fala que a escola não obriga mais o uso. Mas, em casos específicos, todos têm de colocar a proteção. “Alguns professores ainda exigem que a gente use a máscara quando chegamos perto”, comenta. Ainda segundo Victor, na sua classe, 50% dos colegas mantêm o item, enquanto a outra metade abandonou. Entre os professores, completa ele, a divisão é a mesma. “Alguns professores retiram a máscara para conseguir explicar, porque a máscara abafa a voz”, cita.
Moraes continua com a proteção não só na escola, mas em todos os locais, sejam abertos ou fechados, e tira raramente. “Quando estou andando sozinho na rua, tiro para dar aquela respirada.” Para o jovem, é importante manter esse e todos os outros protocolos sanitários contra a Covid, pois a pandemia ainda não acabou. “Ainda tem o coronavírus e as novas variantes”, frisa.
Quem também segue com o acessório em todos os lugares é Felipe Germani Gomes da Silva, de 22 anos, estudante de farmácia em uma universidade particular no Éden. Como trabalha em uma farmácia, Silva acompanhou de perto os momentos mais críticos da pandemia. Viu, especialmente, a grande procura por testes e medicamentos para o tratamento da Covid-19. “De cada dez clientes, sete procuravam medicamentos para (tratar a) Covid.”
Além disso, um primo de Silva morreu em razão da doença. “De uma hora para a outra, a pessoa (primo) ficou ruim e acabou vindo a óbito”, conta. Ele também diz conhecer várias pessoas que perderam familiares ou amigos. Por isso, ainda não se sente seguro para tirar a máscara. “Não é mais só por mim, penso mais nas outras pessoas”.
Apesar da pouca idade, Joaquim de Oliveira Arruda, de 6 anos, já sabe o intuito da máscara. “É para o meu bem”, diz o aluno do 1º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal Leonor Pinto Thomaz, na região central. Na escola, ele diz ficar com a máscara a maior parte do tempo e retira só em situações pontuais. “Na hora da merenda eu tiro e, como está muito calor, tiro só um pouquinho para respirar.”
A mãe do menino, a dona de casa Jaqueline de Oliveira Andrade, de 31 anos, diz orientá-lo a sempre estar com a proteção. Para ela, a medida é necessária, sobretudo, devido à proximidade entre as crianças. Além disso, o fato de o filho e ela utilizarem o transporte público é mais um motivo. Segundo Jaqueline, a sua família continuará a cumprir esse protocolo, ao menos por enquanto, em qualquer lugar. “Quando liberar o (não uso) em todos os lugares, aí, dá para tirar.”
Já João Pedro Sinegali, de 11 anos, matriculado no 7º ano do Ensino Fundamental na mesma escola, se sente seguro ao ficar sem o item. “É desconfortável ficar de máscara”, fala. Porém, considera outros protocolos ainda essenciais, como a aferição de temperatura na entrada na unidade de ensino e a higienização das mãos com álcool em gel.
Liberação
O Governo do Estado de São Paulo desobrigou o uso de máscaras em locais fechados no dia 17 deste mês. Agora, a exigência vale apenas para o transporte público e locais de acesso, como terminais e rodoviárias, e para serviços de saúde. No dia 9 deste mês, o Estado já havia autorizado a não utilização em lugares abertos.