Mesmo liberado, uso de máscara em lugar fechado divide opiniões

Ontem (18), no centro, o número de pessoas com e sem máscara era quase igual

Por Vinicius Camargo

No dia 10 deste mês, o Estado já havia desobrigado o uso do item de proteção em locais abertos.

 

No segundo dia de desobrigação das máscaras em locais fechados, empresas de Sorocaba, especialmente do setor de comércio, já tornaram o uso opcional. Em duas lojas do Centro, os próprios funcionários podem decidir se continuam a utilizar ou não. A exigência também não é mais válida para os clientes.

Em uma joalheria no boulevard Braguinha, todas as vendedoras optaram por seguir usando. É o que diz o proprietário da loja, Luis Gustavo Meiken, de 55 anos. Segundo Meiken, elas não abandonaram a máscara por terem contato com muitas pessoas. Mas essa não é mais uma regra. “Se a vendedora se sentir segura, pode tirar a máscara”, disse. Como não atua diretamente com o público, ele mesmo deixou o acessório de lado. Já entre os consumidores, conforme o empresário, a maioria ainda utilizava ontem.

Em uma loja de sapatos na rua Barão do Rio Branco, a obrigatoriedade igualmente foi retirada. Quando a reportagem esteve no estabelecimento, ontem (18), à tarde, alguns trabalhadores estavam com a proteção e outros, não. Conforme o gerente Whellenton de Souza Barros, de 33 anos, apesar da liberdade, todos os funcionários devem respeitar as posições dos consumidores. “Se o cliente pede para ser atendido de máscara, a gente coloca”, afirmou.

Assim com Meiken, Ramos observa que grande parte das pessoas prossegue com o acessório. “Nessa primeira semana (de desobrigação), 70% dos clientes estão de máscara, porque ainda não têm confiança (para tirar)”, disse.

Sorocabanos divididos

O Cruzeiro do Sul percorreu ruas da região central da cidade ontem à tarde. Nos comércios e outros estabelecimentos, a maioria dos funcionários usava o item. Já entre quem circulava por ali, havia uma divisão. A quantidade de pessoas com e sem máscara era quase igual.

O treinador de futebol Diogenes de Mello, de 51 anos, não utiliza mais ao ar livre, por confiar na proteção da vacina contra Covid-19. Porém, não abre mão do item em lugares fechados, como lojas.
Segundo ele, nas ruas, o distanciamento entre pedestres é maior. Já dentro de locais, todos ficam mais próximos, o que pode favorecer a contaminação. “É mais por precaução. A gente não sabe se quem está no local está contaminado, se tomou a vacina ou não, se está imune ou não”, comentou.

Por outro lado, o divulgador Daniel Martins, de 60 anos, não pretende abandonar o acessório tão cedo. Ele conta estar acostumado a usá-lo, pois morou anos no Japão, onde é comum. “Lá, em (caso de) qualquer gripe, as pessoas usam máscaras. E eu acho que tem que ser assim”, opinou.

Além disso, como trabalha nas ruas, Martins quer proteger a si e aos outros. “Eu posso estar assintomático e passar (o vírus) para alguém que tenha algum problema grave”. Para ele, a liberação também não significa o fim da pandemia. Por isso, os cuidados não devem ser anulados. “O vírus continua aí. Sabemos que podem surgir outras variantes (da Covid) e outros vírus”.

Desobrigação

O governo estadual desobrigou o uso de máscaras de proteção em ambientes fechados na quinta-feira (17). O decreto de liberação foi assinado pelo governador João Doria (PSDB). O item deve ser utilizado apenas no transporte público, incluindo locais de acesso, como terminais, rodoviárias e metrôs. A obrigatoriedade também continua válida para lugares de prestação de serviços de saúde, a exemplo de hospitais e clínicas.

O acessório foi obrigatório no Estado durante 1 ano e 10 meses. Doria publicou o decreto que instaurou a medida em 5 de maio de 2020. A determinação começou a valer um dia depois. A partir de agora, a máscara é opcional em ambientes como escritórios, comércios, salas de aula, academias dentre outros.

Segundo o governo paulista, a flexibilização mais ampla baseou-se em análises técnicas do Comitê Científico do Coronavírus de São Paulo. Como justificativa para a decisão, o Estado informou que os especialistas levaram em consideração o avanço da vacinação contra a Covid-19 com duas doses. Ainda conforme o governo, a imunização atingiu 90% da população elegível em São Paulo. Assim, foi cumprida a meta estabelecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde (MS).

No dia 9 deste mês, o Estado já havia desobrigado o uso do item de proteção em locais abertos. (Vinicius Camargo)