Preços dos hortifrutigranjeiros disparam
Aumento é um efeito dominó dos custos de produção, transporte e escassez devido as fortes chuvas em Minas
Independentemente do que diz a inflação oficial, os produtos hortifrutigranjeiros estão pesando muito mais no bolso dos sorocabanos. A cenoura, por exemplo, subiu de R$ 3,99 o quilo, em meados de novembro, para até R$ 15 nesta semana. Conforme os comerciantes, o aumento sentido pelo consumidor é o reflexo do efeito dominó dos custos de produção, transporte e escassez da lavoura.
O comerciante Mario Utiyama, de 76 anos, explicou que a produção acontece em Minas Gerais e, por conta das chuvas que assolaram a região, a lavoura em geral foi prejudicada. “Todos os legumes e verduras subiram muito. Chove demais, depois vem o sol, e tem alimentos muito sensíveis que a gente acaba perdendo. Tudo isso ajuda a subir o preço”, disse.
Meses atrás, Utiyama comprava a caixa de cenoura por R$ 30 ou R$ 40. Hoje, ele gasta quase R$ 200 para levar uma caixa. Ele lembrou que o preço do tomate também subiu de R$ 80 para R$ 180. O mamão papaya custava R$ 30 e agora custa R$ 120, aproximadamente. “É o clima, a safra, não tem o que fazer. Está difícil trabalhar”, comentou.
O comerciante ainda afirmou que o aumento no preço dos fertilizantes também influencia no custo final dos alimentos. Em uma reportagem do Cruzeiro do Sul de quinta-feira (17), foi constatado que o aumento do valor dos fertilizantes já chega a 80%, por conta da guerra na Ucrânia. Essa matéria-prima é extraída em minas na Rússia e Bielorússia.
A feirante Leda Aparecida Rodrigues, de 57 anos, também citou a situação climática em Minas Gerais como a grande responsável pela alta nos preços. “Em Minas, tiveram muitos contratempos e agora está faltando mercadoria”, esclareceu. A alta nos preços, segundo ela, já foi sentida desde janeiro, quando os produtos tiveram aumento de 10% por conta do calor e das chuvas.
Quem também sentiu esse aumento foram as consumidoras Maria Isabel, de 73 anos, e Lúcia Seraphin, de 68 anos. “Um mamão está R$ 17”, reclamou. O tomate está R$ 7 o quilo, dependendo do lugar. Ontem, em um supermercado da cidade, o quilo estava superior a R$ 12. “A gente depende disso, é o nosso dia a dia. Como subiu muito, a gente compra na medida do possível, não deixa faltar mas tenta dar uma controlada nas compras”, contaram as amigas. (Da Redação)