Uso de máscara em ambientes fechados não é mais obrigatório em São Paulo

Decreto assinado pelo governador João Doria (PSDB) tem efeito imediato; exceção é para transporte pública e área de saúde

Por Wilma Antunes

O Governo do Estado de São Paulo anunciou ontem (17) a desobrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes fechados, com excessão do transporte público e seus respectivos locais de acesso, como terminais de ônibus, metrôs e rodoviárias. Além disso, a exigência também permanece nos locais destinados à prestação de serviços de saúde. O decreto assinado pelo governador João Doria (PSDB) divide opiniões entre a população. A decisão foi motivo de comemoração para alguns e de pavor para outros, que optaram por manter o uso do equipamento de segurança.

O novo decreto foi publicado 1 ano e 10 meses após a determinação do uso obrigatório do acessório no Estado. Agora, a prática é opcional em ambientes como escritórios, comércios, salas de aula, academias, entre outros. Conforme um comunicado divulgado pelo governo, a medida foi baseada em análises técnicas do Comitê Científico do Coronavírus de São Paulo. “Os especialistas levaram em consideração o índice de vacinação com duas doses no Estado, que atingiu a meta definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde (MS) de 90% da população elegível, ou seja, acima de 5 anos imunizada”, diz o informe.

Embora a cobertura vacinal do Estado seja alta, a médica infectologista Sandra Gomes de Barros considera a decisão arriscada. “Talvez essa medida tenha sido tomada precocemente. São Paulo é referência em vacinação, nós tivemos índices muito bons, mas é preciso entender que uma decisão dessa repercute por todo o País. Temos cidades que não chegaram nem a 70% da meta. Precisamos ter um pouco de parcimônia e flexibilizar o uso de máscara de forma gradativa, sempre monitorando os impactos na saúde”, pondera.

A infectologista compara a desobrigatoriedade com o período das festas de fim de ano, que fizeram os casos de Covid-19 disparar em São Paulo. Há ainda uma preocupação maior com as crianças que não foram vacinadas contra a doença. “Nós passamos esses dois anos de pandemia sendo surpreendidos por novas cepas do coronavírus com transmissibilidades altíssimas. No caso das crianças, também é preciso ter cautela. Elas podem transmitir a doença para pacientes que tem probabilidade maior de desenvolver a forma grave, como os imunossuprimidos, por exemplo”, explica.

Sandra completa dizendo que o uso de máscara se tornou habitual e que a prevenção é o melhor caminho. De acordo com a médica, a Covid-19 não se resume apenas em formas “leves e graves” da doença. Há casos de síndromes pós-Covid que causam alterações neurológicas, musculares e cognitivas. Isso explica os relatos frequentes de pessoas que se recuperaram do coronavírus, mas se queixam de falta de memória e cansaço, segundo a infectologista. “Estudos comprovam que a máscara é um dos métodos mais eficientes para se proteger da Covid-19. A partir do momento em que a pessoa se protege, preservamos a vida do outro”, finaliza.

Opcional

Seja por medo ou falta de costume, alguns sorocabanos ainda preferem usar máscara em ambientes fechados. Gustavo Pazzotto, de 24 anos, trabalha em um escritório de uma central de alarmes e monitoramento da cidade. Ele conta que as salas são ocupadas por apenas três pessoas, que sempre fazem uso de máscara. Apesar de se sentir incomodado com o equipamento de segurança, Pazzotto afirma que continuará se protegendo. “A gente sabe que é desconfortável, mas é um item necessário no momento. Eu não quero entrar sem máscara em lugares que têm muitas pessoas. A Covid ainda existe, não podemos tratá-la como se já tivesse sido erradicada. Por um lado é bom, mas não podemos relaxar demais”, comenta.

Bruno de Jesus, de 33 anos, é vendedor autônomo e também se sente intimidado com a nova determinação. Ele conta que não usa máscara durante o trabalho porque fica dentro do carro na maioria do tempo, porém reconhece que a atitude em ambientes fechados pode ser perigosa. “Ainda tenho medo de ir sem máscara a lugares com muitas pessoas. Eu já estou com o esquema vacinal completo, posso estar assintomático e transmitir o vírus para alguém com chances de desenvolver a doença grave. É preciso ter responsabilidade nesses momentos”, pontua. (Wilma Antunes)