Menina cadeirante é esquecida na escola
A estudante Maria Izadora Coelho --- uma menina cadeirante de 15 anos -- foi esquecida na escola pelo transporte municipal na segunda-feira (7), em seu primeiro dia de aula presencial após dois anos de ensino à distância. Cyda Coelho, a mãe da garota, disse ao Cruzeiro do Sul que esta não é a primeira vez que o transporte coletivo de Araçariguama atrasa o horário de sua filha.
A mãe da adolescente explicou que Maria Izadora sofre com bexiga neurogênica. A condição faz com que sua bexiga tenha apenas 30% de funcionamento e, consequentemente, a não retirada da urina via cateter em tempo hábil pode gerar escapes ou infecções. “Ela estava há dois anos em casa e é um período de adaptação ainda. Ela faz o cateter quando sai de casa, mas é importante ela esteja em casa no horário”. Cyda realiza o procedimento a cada quatro horas.
Conforme a mãe, na segunda-feira (7) Maria Izadora chegou em casa às 19h25, após ser esquecida pelo motorista do transporte municipal. Já no dia seguinte, às 18h50 a menina já estava em casa.
O atraso do transporte municipal já foi motivo de preocupação para Cyda em outras ocasiões. Assim, a mãe entrou na Justiça em 2016, conseguiu uma liminar em 2018, e em 2020, foi decidido que a Prefeitura de Araçariguama disponibilize transporte fixo para a adolescente que cumpra os horários estabelecidos pela mãe. A multa chega a R$ 1.000,00 para cada item não atendido e é destinada ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Ainda segundo a Cyda, esta é a segunda vez que a Prefeitura descumpre a determinação. Ela contou que a mesma situação também foi vivida pela filha nas administrações anteriores. A reportagem tentou contato com a Prefeitura de Araçariguama desde quarta-feira (9), mas não obteve resposta. (Kally Momesso)