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Sorocaba e Região

No Santuário: Black sai da quarentena e recebe visitas

Caso de Black é semelhante ao de uma chimpanzé chamada Cecília, que por muitos anos viveu no zoológico de Mendoza
No Santuário: Black sai da quarentena e recebe visitas
Chimpanzé saiu do período de quarentena e vai começar a se relacionar com os outros animais. Crédito da foto: Erick Pinheiro

O período de quarentena do chimpanzé Black no Santuário dos Primatas de Sorocaba já passou e agora o animal está em fase de maior aproximação com os outros moradores do local. Na manhã desta quinta-feira (29), o promotor Jorge Alberto de Oliveira Marum, que acompanha o caso, visitou o santuário.

De acordo com Marum, a visita faz parte de seu trabalho de acompanhamento do caso e ele afirma ter constatado as boas condições do animal e adaptação já avançada. “Verificamos que está bem, em um recinto limpo e amplo, tendo contato com outros animais da mesma espécie”, disse.

Visando ao bem-estar do animal, o promotor afirmou que a melhor solução seria um acordo entre o Zoológico Quinzinho de Barros, de Sorocaba, e o Ministério Público. “Recomendei ao zoológico que eles abram mão da tutela, não por não terem condições de cuidar do animal nem por maus-tratos, apenas visando ao seu bem-estar, por sair de um ambiente mais estressante e ter contato com outros chimpanzés”, explicou o promotor. Ele afirma que o caso de Black é semelhante ao de uma chimpanzé chamada Cecília, que por muitos anos viveu no zoológico de Mendoza, na Argentina, e foi retirada do parque aberto à visitação para viver em um santuário.

Além do promotor, o ambientalista Gabriel Bitencourt e os advogados Eduardo Roberto Abdala Santos, presidente da Comissão de Meio Ambiente da OAB Sorocaba, Jussara Fernandes, presidente da Comissão de Direito Animal da OAB e Juliana Mazzei, secretária geral da OAB, também participaram da visitação. Os advogados destacaram que não podem falar de forma técnica sobre o local, mas puderam observar que Black vem sendo bem cuidado e as instalações são mais amplas.

O chimpanzé Miguel vive no local com toda a família – Foto: Erick Pinheiro

No santuário

A reportagem do Cruzeiro do Sul esteve no santuário e visitou vários recintos, além daquele destinado a Black. Um deles foi o do chimpanzé Miguel, que vive no local com toda a família e escalou uma enorme árvore para “posar para foto”. Toda a visita foi acompanhada por veterinárias e pela presidente do The Great Ape Project (GAP), Selma Mandruca. O santuário sorocabano é um dos quatro afiliados ao projeto, que tem também sedes em Vargem Grande Paulista, Ibiúna e em Curitiba, no Paraná. O de Sorocaba é o maior, com 51 grandes primatas. De acordo com Selma, o santuário conta com uma equipe capacitada para atender todas as necessidades dos animais e toda a área é monitorada.

Reencontro

Black foi resgatado de um circo quando tinha aproximadamente 8 anos. Em 2004, durante reformas no recinto dos primatas no zoo municipal, Black passou alguns meses no santuário, onde se relacionou com a chimpanzé Margarete. Hoje, a área destinada a Black fica ao lado do recinto de duas fêmeas que já fazem contato com ele. Uma delas é a própria Margarete. “O objetivo do santuário não é a reprodução. Nós buscamos sempre colocá-los em convívio daqueles que se dão melhor e em breve o Black deve passar a viver em grupo”, explicou Selma.

No Santuário: Black sai da quarentena e recebe visitas
Promotor Marum e demais integrantes do grupo que visitou Black no santuário. Crédito da foto: Erick Pinheiro

Decisão judicial

A transferência de Black para o santuário ocorreu em 6 de maio, após uma decisão da Justiça, conforme acórdão assinado pelo relator Miguel Petroni Neto. Veterinários e biólogos divergem sobre o tema, pois alguns afirmam que o chimpanzé já estaria habituado com a rotina e com as pessoas do zoológico, enquanto as duas entidades que pediram a transferência — Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda) e Associação Sempre Pelos Animais — alegam que, no santuário, o animal pode interagir com outros primatas e não precisa mais conviver com o estresse causado pela visitação.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), para decidir pela transferência de Black, se baseou também no parecer técnico do biólogo Sérgio Greif. Segundo ele, o que mais pode causar incômodo em Black é o fato de viver sozinho, sem contato com outros primatas. (Larissa Pessoa)

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