Sorocaba e Região

Necropsia de chimpanzé Black não determina causa da morte

Documento é preliminar e pede exames complementares em vários órgãos do animal
Chimpanzé Black morreu em 6 de fevereiro. Crédito da foto: Divulgação / Santuário dos Grandes Primatas

A necropsia realizada no corpo do chimpanzé Black não conseguiu determinar as causas da morte do animal. O primata, que tinha idade estimada em 50 anos, morreu no último dia 6 de fevereiro. Ele vivia no Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba desde 2019, quando foi transferido do Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros” com uma decisão da Justiça.

O documento foi anexado pelo Santuário afiliado ao Projeto The Great Ape Project (GAP) nos autos do processo sobre a situação de Black na Justiça. Mesmo após a morte do chimpanzé, a ação judicial ainda está em andamento.

No histórico, os veterinários relatam que no animal apresentou “claudicação do membro posterior esquerdo” no dia 4 de fevereiro. A claudicação é o nome dado quando o fluxo de sangue nas pernas se torna insuficiente para irrigar os músculos e tecidos nas extremidades durante a caminhada e pode ser causada por alguma obstrução nas artérias. Por conta do quadro, ele foi isolado e passou a ser medicado com anti-inflamatórios.

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Já na noite do dia 6, a equipe responsável pelos medicamentos encontrou Black caído no chão, em posição que indicava um possível desmaio e ainda respirando. “Iniciamos imediatamente os procedimentos de emergência com administração de fármacos e intubação traqueal para ventilação, mas ele não resistiu e veio à óbito por parada cardiorespiratória”, detalha.

O laudo, que é preliminar, foi produzido com base na necropsia realizada na manhã do dia 7, antes do sepultamento. Durante esse período, o corpo do primata foi acondicionado em um freezer para a conservação. As vísceras não congelaram totalmente, segundo o laudo, possivelmente pelo porte do animal.

No relatório, os veterinários apontam que Black era um animal idoso e obeso. O documento, entretanto, não aponta a causa do óbito e pede novos exames nos órgãos do primata. As análises microscópicas devem apontar possíveis lesões existentes nos tecidos de várias partes do corpo, como bexiga, pulmão e coração.

De acordo com o GAP, as amostras serão analisadas pelo laboratório de patologia da Universidade de São Paulo e não há prazo definido para o resultado. “É importante ressaltar que esse é o procedimento padrão feito em todos os casos de morte de animais, para se chegar à causa do óbito”, explica.

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Discussão na justiça

O chimpanzé Black está no meio de uma discussão na Justiça desde 2018, quando o animal vivia sozinho no recinto dentro do Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros”. O primata foi transferido para o Santuário por determinação judicial no dia 6  de maio de 2019.

Na época, veterinários e biólogos divergiram sobre o tema, pois alguns afirmaram que Black já estava habituado com a rotina e com as pessoas do zoológico, enquanto as duas entidades que pediam a transferência — Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda) e da Associação Sempre Pelos Animais — alegavam que no santuário Black poderia interagir com outros primatas e não precisaria mais conviver com o estresse causado pela visitação.

Mesmo após a transferência, o caso continuava em discussão na Justiça. Agora, as partes envolvidas estão prestando informações à Justiça sobre a situação da morte do animal. Para que a ação seja arquivada, a ONG que iniciou o processo deve pedir a extinção do processo. A medida precisará da concordância da Prefeitura, que era a “proprietária” de Black. (Jomar Bellini)

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