Decisão sobre faixas do BRT provoca opiniões diferentes entre motoristas

Proibição de motos e vans escolares começou em 5 de janeiro; revogação durou apenas algumas horas

Por Da Redação

Com a revogação da medida, a circulação de motocicletas e vans escolares continua proibida nas faixas exclusivas do BRT

O vai e vem da Prefeitura de Sorocaba sobre a circulação de motocicletas e veículos de transporte escolar nos corredores do BRT nas avenidas Ipanema e Itavuvu gerou opiniões diferentes entre moradores e motoristas que utilizam diariamente essas vias. Por enquanto, esses veículos permanecem proibidos de circular por essas faixas.

A medida de liberação havia sido publicada pela Secretaria de Mobilidade (Semob), na noite de segunda-feira (6), e permitiria que motos e vans escolares utilizassem o BRT apenas para ultrapassagens. No entanto, horas depois, após reação do sindicato dos motoristas de ônibus e ameaça de paralisação, a resolução foi revogada pelo prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), que afirmou que irá conversar com as categorias envolvidas antes de tomar uma decisão definitiva. A proibição originalmente data de 5 de janeiro, em uma decisão do então prefeito em exercício Fernando Martins (PSD).

Entre moradores e motoristas que utilizam as avenidas, as opiniões se dividem. José da Silva Filho acredita que a liberação poderia ajudar na fluidez do trânsito. Para o motociclista, permitir a circulação poderia melhorar o fluxo de veículos nas avenidas, especialmente em horários de pico.

Para o aposentado, permitir o uso do corredor ajudaria a evitar acidentes e melhoraria a circulação. Ele contou que sua esposa já se machucou após um motorista abrir a porta do carro enquanto ela passava de moto entre os veículos.

O operador de máquinas, Halisson Thiago Carvalho Teixeira, de 36 anos, também acredita que liberar o corredor poderia ajudar a reduzir congestionamentos. Segundo ele, o trânsito nas avenidas costuma ficar mais intenso no fim da tarde. “Principalmente por volta das cinco horas da tarde fica muito cheio. Se ficar só nas duas faixas, acaba todo mundo parado”, afirmou.

Halisson disse ainda que utiliza tanto carro quanto motocicleta e percebe diferença no fluxo quando as motos conseguem circular com mais espaço. Apesar disso, ele reconhece que a discussão envolve diferentes interesses, principalmente dos motoristas de ônibus.

Motoristas de transporte escolar também defendem a possibilidade de utilizar as faixas do BRT para ultrapassagens. A motorista de van Elizabeth Mendes afirma que a medida poderia ajudar na rotina de quem precisa cumprir horários rígidos de chegada e saída nas escolas. Segundo ela, o trânsito intenso muitas vezes atrasa o trajeto dos veículos escolares. “Todos os colégios têm horário e muitas vezes ficamos presas no trânsito e acabamos chegando atrasadas”, explicou. Para Elizabeth, permitir a utilização do corredor ao menos para ultrapassagens já facilitaria o trabalho e contribuiria para dar mais agilidade ao deslocamento.

Outro profissional do transporte escolar, Flávio de Moura, também avalia que a liberação poderia ser positiva para a categoria. Na opinião dele, a possibilidade de usar a faixa exclusiva em momentos específicos ajudaria a melhorar o fluxo e a reduzir o tempo de deslocamento, principalmente nos horários de pico, quando o trânsito na cidade costuma ser mais intenso. Ele afirma que motoristas de vans enfrentam diariamente congestionamentos durante os trajetos para buscar e levar alunos às escolas.

Já para uma moradora que passa diariamente pela região e prefere não se identificar, a questão é complexa. Segundo ela, a liberação pode ajudar alguns motoristas, mas também gerar novos problemas. “Por um lado ajuda, mas também prejudica outros. Os motoqueiros muitas vezes não respeitam o limite de velocidade”, comentou. Ela relata ainda que conhecidos que trabalham na região dizem que acidentes envolvendo motociclistas são frequentes.

Um motorista que também utiliza diariamente as avenidas Ipanema e Itavuvu e preferiu não se identificar, também concorda que a situção é complicada. Para ele, a liberação da faixa do BRT poderia contribuir para melhorar o fluxo de veículos na região, mas a medida exigiria mais atenção no trânsito. O motorista afirma que muitos motociclistas trafegam em alta velocidade e, em alguns casos, não respeitam a faixa de pedestres. Apesar disso, avalia que a autorização poderia trazer benefícios para a fluidez do tráfego, especialmente nos horários de pico, no período da manhã e no fim da tarde.

No entanto, motoristas concordam que o trânsito nas avenidas Ipanema e Itavuvu é considerado difícil nos horários de maior movimento. Segundo os condutores, os congestionamentos são mais frequentes no início da manhã e no fim da tarde, períodos em que muitas pessoas se deslocam para o trabalho ou levam crianças à escola.

Com a revogação da medida, a circulação de motocicletas e vans escolares continua proibida nas faixas exclusivas do BRT. A Prefeitura informou que pretende ouvir representantes dos motoristas de ônibus, motociclistas e outros usuários das vias para discutir possíveis alternativas para melhorar o trânsito na região.

A reportagem do Cruzeiro do Sul também procurou o sindicato que representa os motoristas do transporte coletivo para comentar o assunto. A reportagem questionou os motivos da entidade ser contrária à autorização para que motocicletas e veículos de transporte escolar utilizassem as faixas exclusivas do BRT nas avenidas Ipanema e Itavuvu, além de pedir esclarecimentos sobre os possíveis impactos da medida para a operação e a segurança do transporte público. O jornal também perguntou se o sindicato havia sido consultado pela Prefeitura antes da publicação da resolução, como avalia a decisão de revogá-la poucas horas depois e se pretende participar de discussões com o poder público e representantes dos motociclistas sobre alternativas para melhorar o fluxo de trânsito na região. As respostas ainda não tinham sido enviadas até a conclusão da reportagem. O espaço segue aberto. (Lavínia Carvalho - programa de estágio)