Sorocaba e Região

Mulheres falam sobre empoderamento feminino durante evento em Sorocaba

Mercado de trabalho, maternidade, jornada dupla e situações de assédio foram temas tratados na reunião de empresas
Todas as apresentações foram feitas por mulheres. Crédito da foto: Divulgação/ Facens (06/03/20)

“Empoderamento feminino é quando qualquer mulher tem o seu espaço de fala respeitado; É quando ela gere a vida como quer, seja ficando em casa para cuidar dos filhos, trilhando uma carreira profissional de sucesso, ou ambos”, definiu a consultora da Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres, Maristella Iannuzzi, durante o Painel de Empoderamento Feminino, realizado na Faculdade de Engenharia de Sorocaba (Facens) na manhã desta sexta-feira (6).

Além da Facens, as empresas Clarios, Apex Tool, Emerson e Flextronics integram a realização do evento e executivas de todas elas participaram dos debates. Regiane Relva Romano, que é assessora especial do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC) e Elizabeth de Faria, chefe de gabinete do Hospital das Clínicas, integraram a mesa e falaram sobre os processos de seleção e ascensão de mulheres no mercado de trabalho, assédio e maternidade.

A jornalista Dani Sampaio foi a responsável por intermediar todos os debates e a primeira rodada contou com a participação de profissionais de Recursos Humanos das empresas participantes. “A necessidade de um Comitê de Diversidade surgiu de forma local, com os próprios funcionários. É um trabalho de mudança cultural e nós, da Apex, levamos isso para o global, mostrando sempre que incluir mulheres, negros, LGBTTs e todas as minorias, reflete positivamente nos negócios”, explicou Natália Tamaio, especialista de RH e líder do Comitê da Apex.

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Para Josiane Ferraz, analista de RH da Clarios, o maior desafio enfrentado pelas mulheres dentro das organizações é ter o lugar de fala respeitado. “Ser ouvida é difícil! Muitas vezes nós levamos uma informação para um líder homem e ele vai confirmar o que eu falei com outro homem”, afirmou. Nessa etapa também participaram Raquel Barros, psicóloga e coordenadora do Departamento Socio-emocional da Facens; Vanessa Miranda, do RH da Emerson e Cintia Garcia, gerente de RH da Flex.

A segunda rodada foi composta por Luceila Meira, que atua como Controller LATAM na Apex; Elaine Alves de Souza, supervisora de produção Power Frame da Clarios; Luciane Keller Coutinho, gerente regional de contas da Emerson; Juliana Santos, gerente de projetos da Flex), além de Regiane e Elizabeth.

Maternidade

“Eu sinto hoje que já fui muito injusta com outras mulheres quando elas precisaram faltar porque o filho está doente, ou precisaram sair mais cedo e eu só tive essa percepção quando me tornei mãe. Hoje penso que uma mãe ocupando um cargo de liderança sempre é positivo, pois a empatia dela para com as outras é muito maior”, contou Elizabeth, que recorda que antes do nascimento do filho, hoje com dois anos, o fato de ser mulher pouco atrapalhou na carreira médica.

Para Luceila, o ambiente majoritariamente masculino nas grandes empresas já resultou em episódios de “assédio velado”, como classifica. “Principalmente quando você está em um momento mais descontraído, como em um happy hour e quando eu era mais nova, me recordo de pelo menos três situações bem desagradáveis e imediatamente eu consegui me impor, mas infelizmente não é toda mulher que tem essa reação”, destacou.

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Já para Regiane, que trabalha desde o 14 anos e aos 16 iniciou no curso superior, o assédio sexual aconteceu de forma mais agressiva. “Minha família era muito simples, minha mãe estava enfrentando um câncer e além de estudar eu tinha dois empregos. Nos dois os meus superiores me julgaram frágil demais e me assediaram, oferecendo dinheiro, inclusive. Em um deles eu bati e para o outro eu chamei a polícia. Logicamente eu perdi os dois empregos, mas não permiti que me tirassem a dignidade e a coragem se seguir em busca de uma carreira sólida”, afirma a também professora.

Desigualdades

O evento foi encerrado por Maristela, que destacou a desigualdade ainda muito forte no mercado de trabalho. Representante da ONU, ela destacou que a igualdade de gênero poderia adicionar US$ 12 trilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) mundial. “Existe um pacto feito com a ONU para que até 2030 os cargos de liderança sejam ocupados em 50% por mulheres, mas no ritmo atual, que já é muito melhor se comparada há poucos anos, levaremos 200 anos para que exista essa igualdade entre os gêneros”, afirmou.

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Maristela destacou que as mulheres enfrentam jornadas duplas e até triplas, levando-se em conta os afazeres domésticos e o cuidado com os filhos e muitas tendem a se cobrar demais. “Eu quero lembrar quem nenhuma mulher conseguirá ser a melhor esposa, a melhor mãe, a melhor profissional, a melhor filha, a melhor amiga e tudo que se espera de nós, ao mesmo tempo. Não carreguem todas essas obrigações sozinhas”, aconselhou a representante da ONU Mulheres, recebendo aplausos da plateia.

Com 220 inscritos, o evento teve uma entrada social, solicitando a doação de um quilo de alimento não perecível. Todos os itens arrecadados foram encaminhados ao Centro de Integração da Mulher (CIM Mulher). O programa oferece apoio, orientação e acolhimento a famílias vítimas de agressões.

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