Sorocaba e Região

Mulher atingida por disparo de choque nega ter tentado tirar arma do GCM

Célia Ramos criticou a decisão da Corregedoria de arquivar a denúncia contra o guarda
Célia Ramos foi atingida no abdômen. Foto: Reprodução

A paciente Célia Ramos, de 42 anos, que foi atingida por um disparo de arma de choque enquanto fazia uma transmissão ao vivo no PA Laranjeiras, em Sorocaba, disse ao Cruzeiro do Sul que ficou sabendo por meio da imprensa sobre a decisão da Corregedoria Geral do Município de arquivar a denúncia contra o guarda civil municipal autor do disparo. Ela classificou o arquivamento como um “absurdo” e negou que tenha tentado tirar a arma de fogo do guarda. O incidente ocorreu no dia 3 de novembro, quando Célia foi até a unidade de saúde porque estava com dor de garganta e febre.

Ela afirma que esperou por mais de 30 minutos por atendimento médico e como não foi chamado começou a fazer a filmagem no local com seu próprio celular. No vídeo de Célia, com cerca de 20 minutos de duração, ela mostra algumas salas e questiona o fato de que quatro médicos estavam trabalhando naquele momento.

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“Eu estou muito abalada fisicamente e psicologicamente com toda essa situação e tenho fé que a Justiça vai mostrar a verdade dos fatos. Se o guarda achou que eu estava invadindo um espaço público porque ele não deu voz de prisão e me algemou?”, questionou.

A mulher afirmou ainda que recebeu uma descarga elétrica em função do disparo da arma de choque que levou e que por conta disso caiu no chão e sofreu ferimentos no joelho e no rosto, contrariando a dúvida de que não teria levado um choque.

Célia também negou ter feito qualquer tipo de manipulação em relação às imagens feitas na unidade de saúde e diz que vai aguardar a decisão judicial sobre o caso. O advogado dela, Maurício Vital, deu entrada no juizado especial da Vara da Fazenda Pública com uma ação indenizatória contra a Prefeitura de Sorocaba, na qual pede 60 salários mínimos. O advogado disse que o município já foi citado no processo e que deverá ser intimado a apresentar a sua defesa. “Por enquanto houve apenas a decisão administrativa da apuração feita pela Corregedoria Geral do Município, porém ainda existem a ação tramitando na Justiça e ainda um inquérito policial em andamento”, disse Vital.

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O advogado de Célia também afirma que sua cliente não disse em depoimento para a Corregedoria que ela tentou tirar a arma de fogo do guarda civil municipal. “Ela inclusive iria prestar outro depoimento, mas a apuração já foi finalizada”, acrescentou.

Célia é casada, tem um filho, mora no bairro Wanel Ville, na zona oeste de Sorocaba e não está trabalhando no momento. Ela disse que já atuou em pelo menos dois cargos comissionados, sendo um no Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT) e como assessora parlamentar na Câmara de Sorocaba. Além disso, ela disse que já trabalhou em diversas empresas privadas como promotora e em outras funções, tendo atuado em supermercados e até na empresa Yashica em Sorocaba.

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