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Sorocaba e Região

Mortes no trânsito têm alta de 24% em Sorocaba neste ano

Com 72 pessoas mortas, este é o pior resultado para o período registrado em Sorocaba desde 2015
Mortes no trânsito têm alta de 24%
Dados do Infosiga mostram que 37,5% dos acidentes fatais de Sorocaba aconteceram em rodovias. Crédito da foto: Erick Pinheiro / Arquivo JCS (6/2/2019)

 

O número de mortes no trânsito aumentou 24% em Sorocaba neste ano. Com 72 casos entre janeiro e agosto, 2019 já supera os resultados do mesmo período desde o lançamento, em 2015, da plataforma Infosiga — sistema de dados criado e gerido pelo programa Respeito à Vida, do Governo de São Paulo.

Nos primeiros oito meses de 2018 foram registrados 58 óbitos e em 2017 foram 51. Julho de 2019 foi o mês recordista de mortes desde 2015 na cidade, com 18 vítimas. Outro dado apresentado pela plataforma é sobre o tipo de acidente.

Quase 40% deles envolve motocicletas e 30% são atropelamentos. Na Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), segundo a plataforma, foram contabilizados 242 óbitos neste ano. Já em todo o Estado de São Paulo foram registradas 3.554 mortes.

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Entre 2015 e agosto deste ano, 154 motociclistas morreram nas vias sorocabanas, segundo o Infosiga. Já os pedestres mortos no trânsito somam 140, seguido por ocupantes de automóvel, que foram 65 vítimas e ciclistas, 41. Somente em 2019, 30 motociclistas morreram na área urbana e nas rodovias que passam pela cidade.

Outras 18 pessoas foram atropeladas e faleceram. Segundo a plataforma, 55,5% das vítimas de acidentes fatais chegaram a ser socorridas e faleceram em hospitais. O restante, 45,5% morreu no local do acidente.

Dos acidentes registrados neste ano, 56,9% foram em vias urbanas, 37,5% em rodovias e 5,% não tiveram os locais divulgados pelo Infosiga. O horário mais frequente de colisões, atropelamentos e capotamentos é após as 18h e de janeiro a agosto, do total de 72 óbitos, 22 foram à noite;18 aconteceram no período da manhã; 14 à tarde; 13 de madrugada e cinco não tiveram o horário apurado.

Os dias da semana com maior índice de acidentes são sexta-feira, sábado e domingo. Desde que o Infosiga foi criado, do total de 440 mortes na cidade, 233 aconteceram aos finais de semana.

Mortes no trânsito têm alta de 24%
Motociclistas e pedestres estão entre as principais vítimas do trânsito. Crédito da foto: Emidio Marques (23/9/2019)

 

Seja no carro, moto, ônibus ou caminhão, 55,5% das vítimas que faleceram em acidentes de trânsito em 2019 eram condutores. Outros 25% foram os pedestres e quase 20% estavam de acompanhantes no veículo. De acordo com o Infosiga, 84,7% dos mortos no trânsito são homens e a faixa etária que mais morreu foi de 18 a 24 anos, com 13 casos.

Em seguida, empatados, estão 30 a 34 e 45 a 49 anos, com oito mortes de cada faixa etária. De janeiro a agosto, três crianças e adolescentes morreram em vias sorocabanas e também 15 idosos, com mais de 60 anos.

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O Infosiga também divulgou quais os tipos de acidente que mais mataram neste ano. As colisões lideram o ranking, com 25 óbitos. Desses, 21 ocorreram entre dois automóveis e as outras 27 colisões envolvem caminhão, ônibus e motos.

Atropelamentos

Dos 140 pedestres mortos em atropelamentos em Sorocaba nos últimos cinco anos, 56 são pessoas que tinham mais de 60 anos. Nos oito primeiros meses de 2019 o padrão foi mantido em Sorocaba e do total de 18 mortes por atropelamento, oito foram idosos. Em todo o Estado, segundo o Infosiga, 932 pessoas foram atropeladas e morreram e dessas, 454 tinham mais de 60 anos.

RMS

Na RMS, conforme os dados estaduais, foram contabilizados 242 óbitos neste ano e 56 deles ocorreram aos sábados. O Infosiga também divulgou que 93 vítimas estavam em motocicletas, 56 eram pedestres e 55 ocupavam automóveis.

Em toda a RMS, nos primeiros oito meses de 2019, 19% das vítimas tinham entre 18 e 24 anos e 66% chegaram a receber atendimento médico. Os homens foram 85,1% entre os mortos na região, composta por 27 cidades. Do total de casos registrados neste ano, 143 foram colisões e choques entre veículos e 59 foram atropelamentos.

Outros 40 óbitos não tiveram o tipo de acidente especificado.

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Adaptação e responsabilidade

Para a coordenadora do programa Respeito à Vida, Silvia Lisboa, o alto índice de mortes no trânsito tem duas principais maneiras de ser contido. A adaptação do espaço urbano, através de iluminação e adequação de tempos semafóricos e, principalmente, pela condução responsável.

“Quando analisamos os números do Infosiga, fica clara a necessidade de investimentos”, avalia. O programa Respeito à Vida, segundo Silvia, também mantém convênios com mais de 300 cidades do Estado e muitos projetos incluem essas melhorias.

“Um espaço urbano pensado para o pedestre e para o idoso é um aliado importante na missão de salvar vidas no trânsito”, conclui.

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Mortes no trânsito têm alta de 24%
Marcelo, sofreu acidente grave este ano. Emidio Marques

 

O motociclista Marcelo Aparecido Camargo da Silva, 30, conta que em abril sofreu um grave acidente no Jardim Gutierrez, na zona leste de Sorocaba. O técnico em mecatrônica conta que quase entrou para as estatísticas de mortos no trânsito por conta da irresponsabilidade de um motorista, que o fechou e depois fugiu.

“O cara parou, chamou os Bombeiros e depois foi embora. Acabei descobrindo que o carro era alugado e a locadora acabou arcando com os gastos médicos e os reparos na moto”, conta o rapaz, que diariamente teme pela vida.

Sempre atento, Silva destaca que os motociclistas lideram o ranking entre as vítimas de trânsito também por conta da falta de respeito de muitos motoristas.

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“Eu presto muita atenção, mas a gente acaba tendo que ficar atento também às ações dos outros. Muitos motoristas não dão seta e fazem curvas ou trocam de faixa sem dar sinal”, reclama. Casado, Silva conta que utiliza a moto como principal meio de transporte por conta do custo mais baixo e também da agilidade.

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Benedito, procura ser sempre cuidadoso. Emidio Marques

 

Ora motociclista, ora motorista e ora pedestre, o aposentado Benedito Fernando Bento, 69, conta que é sempre muito cuidadoso ao transitar pelas ruas da cidade. “Eu me acidentei uma vez, mas foi por bobeira minha. Estava quase parado com a moto, me desequilibrei e caí, mas não me machuquei”, relembra.

O aposentado conta que por 40 anos pilotou pelas ruas da capital paulista e pouco mais de oito anos está em Sorocaba. “Acostumei a pilotar em São Paulo, então Sorocaba fica tranquilo”, compara.

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Kellen, acha que falta educação no trânsito. Emidio Marques

 

Para a representante comercial Kellen Almeida, 39, a falta de educação no trânsito também é um fator que corrobora para o alto índice de mortes. Andando pela avenida São Paulo, Kellen precisou aguardar até que algum motorista parasse o carro para que ela fizesse a travessia no sentido Centro em segurança, pela faixa de pedestre. “Alguns não param mesmo.

Como motorista, eu sempre dou a preferência para o pedestre e sou muito cuidadosa. Aliás, mulher é sempre mais cuidadosa e os números mostram isso”, destaca a mulher, que nunca se envolveu em um acidente de trânsito.

Mortes no trânsito têm alta de 24%
Antonio, nunca sofreu um acidente. Emidio Marques

 

Apaixonado pela direção, o aposentado Antônio Flávio Haro, 77, também nunca se acidentou, mas já viu a filha, o genro e o neto serem vítimas de um acidente em uma rodovia.

“Estava chovendo e o carro aquaplanou. Capotou e assustou bastante, mas todos ficaram bem”, relembra. Como pedestre, Haro disse que é sempre atento e preza pela segurança quando precisa fazer alguma travessia. (Larissa Pessoa)

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