fbpx
Sorocaba e Região

Morre, em Sorocaba, o médico e psicanalista José Carlos de Campos Sobrinho

Sobrinho era conhecido por seus estudos sobre o místico João de Camargo e defensor da tolerância religiosa
O médico também era um estudioso da vida do místico João de Camargo. Foto: Fábio Rogério (4/7/2018)

Amigos, parentes e familiares se despediram ontem do médico e psicanalista José Carlos de Campos Sobrinho. Ele faleceu aos 74 anos, vítima de câncer, e deixou a esposa Cleide Campelo. O corpo do médico, chamado pelos amigos de “Zeca”, será cremado hoje pela manhã, no Memorial Park.

Considerado muito inteligente pelos amigos, Sobrinho ficou conhecido pelos estudos que fez, em parceria com o historiador Adolfo Frioli, sobre o místico e religioso João de Camargo. Em 1999, o médico lançou um livro sobre a história de João de Camargo. Até hoje a obra é considerada uma das mais completas sobre o religioso, que nasceu em Sarapuí, em 5 de Julho de 1858, período em que a escravidão ainda era vigente no Brasil.

Anos mais tarde (2005), a obra foi a base principal do filme “Cafundó”. O longa teve a direção do ator e diretor Paulo Betti, grande amigo de Sobrinho, e o ator Lázaro Ramos, no papel do religioso.

Paulo Betti ontem usou sua página pessoal na rede social Facebook, onde prestou uma homenagem ao médico. “Eu o considerava um irmão. Zeca foi uma das mais fortes influências que tive na vida. Defensor do ecumenismo (movimento favorável à união de todas as igrejas cristãs), religioso, médico, psicanalista, leitor ávido e pesquisador, estudou a fundo a vida do líder religioso João de Camargo”, disse o ator.

Paulo Betti também recordou a época que visitava com frequência a casa do casal Zeca e a esposa Cleide Campelo. “Juntos formavam um casal que mobilizava os artistas e pensadores da cidade. No início dos anos 2000, minha mãe ficou três anos em coma. Eu ia visitá-la, minha irmã Cida me hospedava no mesmo quarto, ao lado da minha mãe. A noite eu ia para casa da Cleide e do Zeca. Ali foi gestado o filme Cafundó. Longas conversas e deliciosos jantares intermináveis me acolheram. Zeca era culto e bem humorado! Embora vivêssemos distantes um do outro, Zeca sempre foi um exemplo para mim. Até hoje, tudo que faço, penso se a Cleide e ele iriam gostar”, afirma.

O historiador Adolfo Frioli, também grande amigo de Sobrinho, muito abalado disse que não tinha condições de falar a respeito do falecimento do médico. Já o artista plástico sorocabano, Pedro Lopes, disse ao Cruzeiro do Sul, a caminho do velório, que era amigo de Sobrinho desde o fim dos anos 60 e que também costumava frequentar a casa dele, onde conversavam sobre arte, cultura e a história de Sorocaba. “O Zeca foi um homem sempre muito ligado a cultura e por conta da arte nos tornamos grandes amigos. Ele era também um grande médico e sabia praticamente tudo sobre a história de Sorocaba, além de ser especialista em João de Camargo”, disse.

O também médico e amigo de Sobrinho, Edgard Steffen, assim como os demais, lamentou a imensa perda para Sorocaba do colega de profissão e também da Faculdade de Medicina da PUC, em Sorocaba. “Na época da faculdade, descobri que Sobrinho era um excelente jogador de futebol de salão”, diz.

Steffen afirma ainda que Sobrinho, como psicanalista, seguiu a linha teórica do médico e também psicanalista Wilhelm Reich (ex-colaborador de Sigmund Freud, considerado o pai da psicanálise). “Visitei o Zeca no hospital há menos de um mês e ele estava animado em se recuperar”, conta. (Ana Cláudia Martins)

Comentários