Sorocaba e Região

Moradores de áreas que alagam cobram soluções em Sorocaba

Saae diz que trabalha para minimizar os problemas das chuvas
Trecho da avenida 15 de Agosto fica intransitável em dias de chuva forte. Crédito da foto: Emídio Marques (09/01/2020)

Basta o céu começar a dar sinais de chuvas que moradores de áreas comuns de enchentes se preparam para suspender móveis e calcular prejuízos. Essa rotina é comum, principalmente no verão, em especial para quem reside no Jardim Maria do Carmo e no Parque Vitória Régia, em Sorocaba. Outros pontos de alagamentos de longa data são as avenidas Afonso Vergueiro e 15 de Agosto.

Questionado sobre soluções definitivas para o problema, que anualmente faz várias vítimas, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) informou que “as intervenções do Departamento de Drenagem visando minimizar as ocorrências de alagamentos nas proximidades do rio Sorocaba, em seu trecho urbano, vêm sendo realizadas ao longo dos anos e diariamente, de forma constante e também pontualmente, de acordo com as necessidades e casos específicos”.

Leia mais  Chuva provocou quedas de muros e alagamentos em Sorocaba

 

O trabalho que o Saae informa fazer, entretanto, não é visto por muitos moradores da região do Jardim Maria do Carmo e Jardim Abaeté, no entorno do Parque das Águas. O aposentado José Dias Neto, 65 anos, é proprietário de um imóvel no bairro e afirma que sempre no mês de janeiro a família sofre com os alagamentos.

José Carlos diz que é comum entrar água em sua mercearia, no Vitória Régia. Crédito da foto: Luiz Setti (08/01/2020)

“Elevaram a Dom Aguirre, mas o problema continua. Desapropriaram uma área da João Gabriel Mendes, mas não fizeram uma bacia para escoar água. Parece que o Saae só enxuga gelo e não pensa em uma solução real”, critica. A outra marginal do rio Sorocaba, na avenida 15 de Agosto, também é ponto recorrente de alagamentos. “Qualquer chuva rápida e de pouco volume já interdita aquele trecho”, aponta Dias Neto.

Quem vive entres as ruas José Martinez Peres, Osório Antonio Lima e Dr. Heitor Ferreira Prestes, no Parque Vitória Régia, conta que “já até acostumou com o problema das enchentes”. O comerciante José Carlos Santos, 57 anos, tem uma mercearia no bairro e conta que é comum a entrada de água em seu estabelecimento. “Quando o tempo começa a fechar eu já suspendo tudo, fecho as portas e vou para a casa. Só venho depois que passa a chuva para limpar tudo”, conta ele, que reside no mesmo bairro, mas em área livre dos alagamentos.

Alguns móveis já se foram ao longo dos mais de 20 anos em que o aposentado Dirceu Gonçalves Lopes, 61 anos, vive no Parque Vitória Régia. Atualmente o que mais lhe dá medo diante de uma chuva mais forte é o dano que pode causar a sua horta, que é hoje o seu ganha pão. “O que dá para tirar do chão eu tiro, mas se é uma tempestade e a água sobe rápido demais a gente acaba tendo mais prejuízo. As verduras não tem o que fazer. Se chover de alagar eu perco tudo”, lamentou.

Lopes criticou a falta de cuidado com a região e alega que só é feita manutenção nas ruas principais do bairro. “Essa parte que é mais perto do rio ninguém se responsabiliza e as pessoas, e até empresas, descartam lixo aqui, o que acaba dificultando ainda mais o escoamento. A Prefeitura devia ao menos fiscalizar e multar”, sugeriu.

Dirceu teme pela sua horta no Vitória Régia, seu ganha-pão. Crédito da foto: Luiz Setti (08/01/2020)

Prejuízo alto

Na avenida Dr. Afonso Vergueiro a falta de pontos de escoamento já gerou enormes prejuízos ao comerciante Giuliano Toledo, proprietário de uma gráfica. “Qualquer chuva de dois minutos a água já começa a subir”, relata. No dia 23 de dezembro, a avenida ficou submersa durante o temporal que atingiu a cidade e Toledo conta que quase perdeu o seu carro e calcula prejuízo de R$ 6 mil em equipamentos que foram danificados.

Para tentar evitar novos estragos, após o último temporal ele foi até uma loja de material de construção e comprou dezenas de sacos de areia, que posiciona na porta do estabelecimento antes de ir embora. “Tento vedar as portas em caso de chuva”, explica. No final do ano, relembra, depois que a água baixou, ele levou mais de cinco horas para limpar todo o espaço.

Toledo lembra que o problema é antigo e o caso mais grave que se recorda ocorreu em 2006. “A água passou de 1,20m e eu perdi muita coisa, mais de R$ 100 mil em equipamentos. Até hoje tenho processo correndo contra a Prefeitura e o Saae”, relata.

A falta de pontos de escoamento na avenida Afonso Vergueiro já gerou enormes prejuízos ao comerciante Giuliano Toledo. Crédito da foto: Luiz Setti (08/01/2020)

Saae diz que trabalha para minimizar os problemas

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) informou que as ruas citadas do Parque Vitória Régia e do Jardim Maria do Carmo, além da avenida 15 de Agosto, possuem cotas próximas a do leito do rio Sorocaba, e em alguns pontos até abaixo. “Desta forma, quando o rio tem o seu nível elevado, em períodos de chuvas intensas, o sistema de drenagem e escoamento de água pluviais dessas vias sofre um afogamento, comprometendo o escoamento das águas e consequentemente provocando alagamentos, que são eliminados tão logo o nível do rio abaixa”.

Sobre soluções efetivas para o problema, a autarquia afirmou que para minimizar essas ocorrências, o Departamento de Drenagem vem realizando “uma série de ações, tais como a implantação de diques de proteção nos referidos bairros, além da instalação de válvulas flaps, que permitem o escoamento das águas das vias para fora do bairro e impedem a entrada das águas do rio para dentro dos bairros, além do trabalho de manutenção permanente, de limpeza e desobstrução das bocas de lobo e galerias de águas pluviais”.

Avenida Afonso Vergueiro muda totalmente quando as águas invadem a pista. Crédito da foto: Luiz Setti (08/01/2020)

O Saae afirmou também que realiza trabalho de desassoreamento do rio Sorocaba, executando pontualmente, de acordo com as necessidades detectadas. Segundo a autarquia, recentemente foi feita a remoção de bancos de areia próximo da ponte de Pinheiros, da praça Lions e na região do Parque das Águas, proximidades do Jardim Maria do Carmo.

Já em relação à avenida Dr. Afonso Vergueiro, sobre o alagamento na véspera de Natal, a autarquia informou que realizou verificação técnica no local, no mesmo dia, e não detectou qualquer intercorrência no sistema de galerias que pudesse ser a causa do ocorrido. “O que aconteceu foi uma chuva intensa, num curto período de tempo, que provocou o alagamento, e tão logo a chuva cessou, o sistema de drenagem da via deu conta do volume de água e realizou o escoamento em alguns minutos”, justificou o Saae.

Comentários