Sorocaba e Região

Moradores da Vila Amélia enfrentam a insegurança

No bairro da região central, há furtos e consumo de droga na rua
Moradores da Vila Amélia enfrentam a insegurança
Moradores da rua Major João Lício, perto do Poupatempo e rodoviária, convivem com o medo. Crédito da foto: Fábio Rogério

“Convivemos com o medo. Temos que passar o dia trancados em casa se não estiver trabalhando. Se você abrir a janela, corre o risco de dar de cara com alguém. O seu filho também não pode ficar na janela, pois pode dar de cara com alguém fumando crack na rua.” Este é um dos relatos que resumem a sensação de insegurança vivida por quem vive na região da Vila Amélia, sobretudo na rua Major João Lício, nas proximidades do Poupatempo e da rodoviária, em Sorocaba. O medo, aliás, fez com que a maioria das pessoas ouvidas ontem pela reportagem pedisse para não ser identificada.

Apenas dois sócios de um escritório de advocacia aceitaram ter os nomes divulgados. Os sócios Claudinei Brasil Borges e Claudinei Martins tiveram o imóvel invadido duas vezes em menos de um ano. “Na mais recente, no começo deste ano, é impressionante a tranquilidade com que eles entram. Mesmo com o alarme disparado, as luzes todas acesas, eles não tiveram qualquer preocupação”, conta Borges. De acordo com ele, os dois homens escalaram os fundos e levaram uma televisão. Curiosamente, porém, caminharam sobre os telhados de outras casas e viram que não conseguiriam descer com o aparelho. “Então deixaram no telhado do vizinho”, acrescenta.

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No último fim de semana, houve os episódios mais recentes. Segundo uma moradora, a casa vizinha foi furtada na madrugada de sexta para sábado. “Levaram uma mala de viagem novinha e alguns brinquedos. A gente ouviu o barulho de gente no telhado, por volta de meia-noite. Meu marido até ligou para a polícia, mas só chegaram por volta de 1h”, lembra. Ela recorda que, na infância das filhas, a área era muito tranquila, característica perdida de uns anos para cá. “Agora a gente mal sai. Tem muita briga de madrugada, gente usando droga.”

Conforme o apurado, algumas casas colocadas à venda e portanto vazias, também têm servido como ponto para o comércio de entorpecentes. “A polícia até age quando você chama, mas nem sempre chega a tempo. É uma questão investigativa, de apoio. Quando a polícia vai embora, a situação volta”, diz um dos denunciantes. Os moradores do bairro, neste mês, enviaram um e-mail pedindo apoio da Câmara Municipal, por meio do vereador José Francisco Martinez (PSDB — eles ainda não tiveram resposta. “Pedimos encarecidamente vossa intervenção junto ao batalhão da Polícia Militar sediado no Fórum Novo (Salesiano), responsável pela área, para uma ação constante até que a situação esteja mais calma”, consta no texto.

Questionada pelo Cruzeiro do Sul, em nota a Secretaria de Segurança, Defesa e Cidadania informa que a GCM realiza constantemente patrulhamento nos próprios municipais próximo desse local e que já realizaram 12 operações nessa região. Para lá também irá a nova fase na operação dignidade, que tem como foco a região central, primeiro e segundo anéis viários.

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Já a Secretaria de Igualdade e Assistência Social também informa que realiza diariamente ações para atendimento da população em situação de rua, com a “finalidade de assegurar atendimento e atividades direcionadas para o desenvolvimento de sociabilidades, na perspectiva de fortalecimento de vínculos interpessoais e/ou familiares que oportunizem a construção de novos projetos de vida”. Há ainda operações conjuntas com abordagem social, com a participação da GCM e da Polícia Militar, “conforme necessidade e viabilidade, respeitados os devidos papéis de cada órgão envolvido”.

A Polícia Militar também foi questionada, mas não enviou um posicionamento até o fechamento desta matéria.

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