Coração do pet: saiba quando se preocupar

A coluna Meu Pet é publicada todas as quartas-feiras no Cruzeiro do Sul, com informações e orientações sobre o universo dos animais de estimação

Por Camila Santos

Controle do peso, atividade física e alimentação equilibrada ajudam a prevenir doenças cardíacas em pets

Se o cachorro passou a se cansar mais rápido nos passeios ou o gato está respirando de forma acelerada, é preciso ficar atento. Esses podem ser sinais de problemas cardíacos, que atingem 10% dos cães e 15% dos gatos, segundo levantamento da rede veterinária AniCura. Nos cães, as doenças cardíacas são a quarta causa mais comum de morte.

Além do cansaço e da falta de disposição para se exercitar, os sintomas incluem tosse, fraqueza, desmaios, falta de apetite, perda de peso e barriga inchada. Ao notar qualquer um deles, o tutor deve procurar um médico-veterinário.

As doenças mais comuns variam conforme a espécie, a idade e o porte do animal. Nos cães, destacam-se a doença valvar degenerativa, caracterizada pelo desgaste progressivo das válvulas do coração, principalmente a mitral, e a cardiomiopatia dilatada, em que o músculo cardíaco enfraquece e perde força para bombear o sangue. Nos gatos, a mais comum é a cardiomiopatia hipertrófica, que engrossa as paredes do coração e pode levar à insuficiência cardíaca ou à formação de coágulos.

Idade avançada, genética, raça, obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada e algumas doenças aumentam o risco. Nem todos os casos podem ser evitados, especialmente os relacionados à genética e à idade, mas é possível reduzir os fatores de risco e descobrir o problema precocemente.

O que vai no pote

A alimentação tem papel importante na saúde do coração, explica o médico-veterinário Guilherme Gonçalves, parceiro da Quinta Pet, empresa de alimentação natural para cães. A dieta deve fornecer energia suficiente para manter o peso adequado e garantir proteínas, gorduras, vitaminas e minerais nas proporções corretas. O excesso de calorias merece atenção, já que a obesidade sobrecarrega o organismo. O equilíbrio de minerais como sódio, potássio e magnésio e a qualidade das gorduras também são importantes.

Nutrientes como taurina e ômega-3 podem fazer parte da alimentação em situações específicas, mas suplementos não devem ser oferecidos por conta própria.

Para pets que já têm a doença, a dieta deve ser individualizada, considerando o tipo e o estágio da cardiopatia, outras doenças e os medicamentos em uso. Segundo Gonçalves, um dos erros mais frequentes é cortar o sal da comida ou oferecer uma dieta caseira sem formulação adequada. Outro é dar suplementos sem orientação, o que pode interferir na doença ou nos medicamentos.

"A alimentação do paciente cardiopata deve ser encarada como parte do tratamento e, sempre que possível, planejada individualmente pelo médico-veterinário, em conjunto com o acompanhamento cardiológico", afirma.

Prevenção

Consultas periódicas, controle do peso, atividade física compatível com a condição do animal e alimentação equilibrada são as principais formas de prevenção. Dependendo da idade, da raça e do histórico do pet, o veterinário pode solicitar medição da pressão arterial, exames de sangue, eletrocardiograma e ecocardiograma.

"A avaliação individualizada é fundamental, pois não existe um único protocolo de prevenção cardiovascular que seja adequado para todos os cães e gatos", alerta o veterinário.