Caneta emagrecedora para pets? Ainda não é bem assim

Produtos inspirados nos medicamentos usados por humanos chegam ao mercado pet, mas não há indicação veterinária aprovada para cães e gatos

Por Cruzeiro do Sul

Cães e gatos também precisam de alimentação equilibrada e atividade física para manter o peso adequado e preservar a saúde

A popularização das canetas emagrecedoras entre humanos já chegou ao mercado pet, pelo menos como inspiração. Com cerca de 41% dos animais de companhia apresentando sobrepeso ou obesidade, empresas começam a investir em produtos voltados ao controle do peso.

Um dos exemplos é um snack funcional desenvolvido para cães, com proteínas de salmão, fibras e sais minerais. A proposta é aumentar a sensação de saciedade e auxiliar no controle da alimentação. Apesar de ter sido associado ao chamado "Mounjaro para cães", o produto não contém semaglutida, tirzepatida ou outros medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1.

Na Medicina Veterinária, porém, a situação é diferente. Ainda não existe uma caneta emagrecedora formalmente indicada para cães e gatos. Segundo nota técnica do CRMV-SP e do CRF-SP, também não há, atualmente, indicação veterinária aprovada para o uso de agonistas do receptor GLP-1.

Durante o Congresso Pet Vet, a endocrinologista Marcia Jericó alertou que os medicamentos utilizados por humanos ainda não têm seus efeitos suficientemente conhecidos em cães e gatos. São necessários estudos para definir, entre outros pontos, doses, frequência de uso e segurança para cada espécie.

Enquanto isso, o caminho tradicional continua valendo: alimentação equilibrada e atividade física. A quantidade de comida e petiscos precisa ser controlada e acompanhada por um médico-veterinário. O enriquecimento ambiental, com brincadeiras e estímulos que façam o animal se movimentar mais, também pode ajudar a combater o sedentarismo.

O tutor também tem papel importante nesse processo. Segundo a especialista, os petiscos não devem ultrapassar 10% da ingestão diária de alimentos. Em animais que pedem comida constantemente, cabe ao responsável evitar excessos e seguir as orientações definidas para cada caso.

Mais do que uma questão de aparência, manter o peso adequado é uma questão de saúde. A obesidade pode aumentar o risco de diabetes, dificuldades de locomoção e alterações respiratórias. Para o mercado pet, o problema representa uma nova frente de negócios; para os tutores, reforça a importância de buscar orientação profissional antes de recorrer a qualquer produto ou medicamento para emagrecimento. (Da Redação, com informações Panorama Pet)