Sorocaba e Região

Meningite infectou 37 pessoas este ano em Sorocaba

Doença causou a morte de três pacientes; ano passado foram registrados 161 casos na cidade
Meningite infectou 37 pessoas este ano
Imunização é principal forma de evitar a meningite. Crédito da foto: Aldo V. Silva

A meningite infectou 37 pessoas em Sorocaba desde o início de 2019. Desse total, três pacientes morreram. No ano passado, segundo a Secretaria de Saúde (SES) do município, 161 pessoas foram diagnosticadas com a doença e seis casos evoluíram para óbito. A médica infectologista e coordenadora da Vigilância Epidemiológica da cidade, Priscila Helena dos Santos, explica que dos casos já confirmados em 2019, 11 são de origem bacteriana, 14 são virais e um foi ocasionado por fungo.

Segundo a médica, as ocorrências da doença ainda não caracterizam surto. “A Vigilância acompanha a ocorrência da doença e neste momento não observamos aumento do número de casos acima do esperado”, informou a SES em nota. Segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), que monitora os casos em todo o Estado, a taxa de letalidade da meningite em Sorocaba, até o dia 19 de março, era de 8,11%. No ano passado a taxa foi de 3,73%.

Priscila recorda que Sorocaba teve seu último surto de meningite em 2016, quando 255 pessoas foram infectadas e quatro morreram. No ano, segundo o CVE, a taxa de letalidade foi de 1,57%. A maioria dos casos confirmados em 2016 foi de origem viral, com 168 pessoas infectadas. No ano anterior, 2015, foram 133 casos confirmados, com 11 óbitos.

Dos óbitos registrados na cidade em 2019, segundo Priscila, cada caso teve uma origem diferente, sendo uma morte por meningite viral, outra por bactéria e outra por fungo. “As vítimas foram um bebê de sete meses e dois adultos”, disse. Segundo a Vigilância Municipal, entende-se por meningite doenças infecciosas que levam a inflamação da meninge, membrana que recobre o Sistema Nervoso Central.

Sintomas e tratamento

A meningite é uma doença que evolui rapidamente e seus principais sintomas são dor de cabeça e dor na nuca, rigidez no pescoço, febre, vômito, confusão mental e gangrena nos pés, pernas, braços e mãos. Esses sintomas costumam se manifestar em até 24 horas após o contágio. De acordo com o Ministério da Saúde, a meningite causada por bactéria ou fungo tende a ser mais perigosa, com taxa de morte na casa dos 20%. Segundo o órgão federal, dois a cada dez sobreviventes têm de conviver com sequelas, a exemplo de surdez, paralisia ou amputação de membros.

O Ministério da Saúde informou que, em 2018, foram registrados 1.100 casos e 222 óbitos de doença meningocócica no Brasil, que é um dos tipos de meningite bacteriana. Por ser considerada uma doença endêmica, casos de meningite são esperados ao longo de todo o ano, com a ocorrência de surtos e epidemias ocasionais. O órgão federal informou ainda que a inflamação da meninge também pode ser ocasionada por processos não infecciosos como, por exemplo, medicamentos e neoplasias.

Unidades Básicas de Saúde têm quatro tipos de vacinas

Meningite infectou 37 pessoas este ano
Priscila Helena: casos estão sendo acompanhados. Crédito da foto: Emidio Marques

A vacinação é a principal forma de evitar a meningite e no Sistema Único de Saúde (SUS) há atualmente quatro vacinas que combatem alguns dos tipos da doença. Há também, com exclusividade na rede particular, a vacina conjugada ACWY, que custa até R$ 350. A vacina que combate o meningococo B também só está disponível em clínicas privadas e é encontrada por R$ 600, em média.

Segundo Priscila Helena dos Santos, infectologista e coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Sorocaba, a oferta das vacinas segue o Calendário Nacional de Vacinação e estão disponíveis nas 32 unidades Básicas de Saúde de Sorocaba (UBSs). A médica explica que a meningite bacteriana em geral é causada principalmente por três bactérias: a meningocócica, a pneumonia e a influenza B. No caso da meningocócica, explica, há vários tipos, sendo o C mais comum na região sudeste.

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O Ministério da Saúde informou que a vacina Meningocócica C imuniza contra a meningite causada pela bactéria Neisseria meningitidis C, com doses aos três e cinco meses e um reforço aos 12 meses de idade. Os adolescentes de 11 a 14 anos também devem ser vacinados, com dose única que serve como reforço. No SUS há também a aplicação gratuita da Pneumocócica 10, que protege contra a meningite desencadeada por dez sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, com doses aos dois e quatro meses de idade e um reforço aos 12 meses.

A vacina BCG, também disponibilizada no SUS, é aplicada em dose única

A vacina BCG, também disponibilizada no SUS, é aplicada em dose única, ao nascer, e protege contra a meningite turberculosa. A vacina Pentavalente protege contra a meningite causada pela bactéria Haemophilus influenzae B, com doses que devem ser aplicadas aos dois, quatro e seis meses de vida.

Priscila aponta que as bactérias infectam principalmente pessoas que estão com o sistema imunológico mais fraco, assim como os casos originados por fungo.

Viral

No caso da meningite viral, explica Priscila, não há vacina, mas os quadros ocasionados por vírus costumam ser menos graves. “É preciso evitar locais de aglomeração e também é importante lavar as mãos com frequência”, recomenda a médica. O Ministério da Saúde informou que a meningite viral tem transmissão via fecal-oral, por exemplo, por contato com pessoas, objetos, superfícies e fraldas que contenham o vírus, levando as mãos aos olhos, nariz ou boca sem antes lavá-las.

Rede particular

A enfermeira e diretora da Clínica Sorocaba Vacinas, Natália Mellone, conta que a vacina meningocócica conjugada ACWY custa entre R$ 320 e R$ 350. Ela afirma que desde a morte de Arthur Araújo Lula da Silva, de sete anos, neto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, muitas pessoas passaram a procurar pela clínica para a imunização.

Na vacina disponibilizada nas UBSs apenas o tipo C de meningococo é combatido, mas além da conjugada ACWY, há também a vacina contra o meningococo B. Ela também é indicada pela Sbim, mas só está disponível na rede particular. Segundo Natália, o preço dessa vacina varia entre R$ 570 e R$ 700.

Natália destaca que diferente do que muitos pensam, a meningite acomete também adultos e por isso quem não se imunizou na infância também pode buscar a proteção. Ela explica que a quantidade de doses varia conforme o laboratório e a idade da pessoa e é importante buscar orientação com pediatra ou infectologista.

O Ministério da Saúde informou que desde 2010 o Brasil optou pela vacina contra o sorogrupo C, devido à sua maior magnitude de ação no país. “Em 2017, dos 16.969 casos de meningites registrados, 145 foram da doença meningocócica do subtipo B”, justificou a pasta quando questionada se há a possibilidade de fornecimento da vacina contra o tipo B, atualmente exclusiva na rede particular.

Sobre a vacina ACWY, a pasta informou que já foi realizada avaliação e orientação do Comitê Técnico Assessor de Imunizações (CTAI) e há uma análise positiva para incorporação. “O Ministério da Saúde está estudando a aquisição e o cronograma de distribuição da vacina meningocócica conjugada ACWY no Calendário Nacional de Vacinação do SUS”, finalizou. (Larissa Pessoa)

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