Sorocaba e Região

Lutadora obtém medida protetiva contra ex-treinador por agressões

Ericka Almeida e a irmã Ellen teriam sido vítimas de violência entre 2011 e 2017
Lutadora obtém medida protetiva contra ex-treinador por agressões
Ellen (dir.) e Ericka com Herman quando ainda participavam de competições. Crédito da foto: Divulgação

A lutadora Ericka Almeida, 30, conseguiu na Justiça uma medida protetiva contra o também lutador e treinador de artes marciais Herman Gutierrez após denunciar episódios de agressão física e verbal que ocorreram, segundo a vítima, entre 2011 e 2017. Hoje residindo em Curitiba, Ericka registrou denúncias contra seu ex-treinador no início de 2018 e na época teve a medida protetiva negada. Na manhã desta quarta-feira (10), um novo inquérito policial contra Herman foi aberto na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Sorocaba, agora para investigar as denúncias de agressão relatadas pela irmã de Ericka, Ellen Almeida, 26.

Segundo a titular da DDM, Adriana de Sousa Pinto, o caso de Ericka foi encaminhado para o Fórum de Sorocaba e também ao Ministério Público. “Já no caso da Ellen, a investigação está começando. Estou aguardando a apresentação dos vídeos, áudios e também do diário que a vítima relata ter”, informou a delegada. Os advogados das irmãs, Luiz Antônio Barbosa e Hugo Leonardo Barbosa Ferreira, contam que o diário de Ellen tem os relatos das agressões em ordem cronológica e que as duas mulheres tiveram relação amorosa com ele por aproximadamente seis anos.

Na semana passada, Ericka esteve em Sorocaba para encerrar uma conta bancária que Herman tinha acesso e fazia movimentações, segundo os advogados. Barbosa conta também que já solicitou uma medida protetiva para Ellen e que espera que as duas denúncias sejam unificadas no mesmo caso. Na sexta-feira passada a jovem também foi ouvida da DDM.

Leia mais  Círculo Orquidófilo promove no Sesi mais uma exposição de orquídeas

Histórico de agressões

Ericka conta que decidiu deixar Sorocaba por medo de Herman e que só teve coragem de denunciar as agressões quando fixou residência em outro Estado. Ela conta que sua relação com Hermam nunca foi pública e ele se utilizava de sua forte influência como treinador para manipulá-la, assim como fazia com sua irmã e outras jovens alunas, mesmo sendo casado.

A lutadora, que chegou a participar do UFC em 2015, conta que conheceu Herman aos 17 anos, em 2007, quando começou a trabalhar na recepção de uma academia em Sorocaba. Ericka começou a treinar artes marciais e passou a receber investidas amorosas do homem, que na época tinha 38 anos. Ericka, quando estava com 20 anos, começou a levar seus irmãos para praticar luta e foi nesta situação que Ellen conheceu Herman, aos 15 anos. “No início a nossa relação era tranquila, ele me tratava bem, mas ninguém sabia do nosso envolvimento, nem a minha família e eu e minha irmã fomos envolvidas numa teia de medo”, relata Ericka.

Leia mais  Guarda impede furto em CEI no Jardim Califórnia em Sorocaba

Durante todo o período que se relacionou com Herman, Ellen manteve um diário com todos os episódios de agressão, mas nunca contou para a família e nem mesmo para a irmã sobre o relacionamento. Ericka conta que as duas sabiam que estavam vivendo uma situação de risco e passaram a coletar provas contra o suposto agressor.

A ex-lutadora do UFC conta que baixou um aplicativo no celular que gravava as chamadas de voz. “Quando eu te bati que você não mereceu?”, questiona Herman em um dos áudios de supostas conversar entre os dois. Ericka também gravou um vídeo toda ensanguentada e afirma que as lesões foram causadas pelo ex-treinador. Já Ellen relata a primeira agressão que sofreu, em outubro de 2014. “Eu estava no carro com a minha irmã e então fui espancada sem entender o motivo”, conta.

Em 2017, Ellen decidiu parar de treinar com Herman e se afastou definitivamente do homem. Ericka também preferiu abandonar o seu curso de administração na Ufscar Sorocaba para fugir para Curitiba. “As agressões ficaram cada vez mais frequentes e intensas”, afirma. Hoje Ericka está refazendo sua vida na capital paranaense, dá aulas de jiu-jitsu em uma academia e tem um companheiro que a encorajou a tornar a história pública.

Leia mais  Acidente entre caminhões deixa trânsito lento na SP-75 em Itu

Após as denúncias ganharem grande repercussão, Ericka conta que vem recebendo muitas mensagens de apoio de pessoas que conviveram com ela em Sorocaba e acredita que mais vítimas podem se sentir encorajadas a denunciar o lutador.

Lutador nega

Em depoimento à polícia no inquérito resultante da denúncia de Ericka Almeida, Herman Gutierrez confirmou que manteve relacionamento com a jovem, mas negou qualquer agressão. Ao Cruzeiro do Sul, através de mensagem pelo Whatsapp, o lutador afirmou que “gostaria de dar suas versões dos fatos, entretanto tudo envolve situações familiares”. Herman classifica as acusações de Ericka como infundadas e diz que a jovem “guarda ressentimentos” pelas escolhas que ele teria feito no âmbito profissional e também familiar.

Herman ainda disse que desde o dia que as denúncias foram expostas ele vem “sendo retaliado em um julgamento sumário”. Ele afirmou que seu advogado está se inteirando do caso e quando tiver conhecimento de todas as acusações poderá falar de forma mais detalhada. Desde domingo, quando as denúncias feitas por Ericka foram exibidas pelo programa Fantástico, da rede Globo, Herman deletou suas contas das redes sociais. Academias que trabalhavam com o lutador anunciaram seu afastamento. (Larissa Pessoa)

Comentários

CLASSICRUZEIRO