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Sorocaba e Região

Luta pelo Chimpanzé Black vem desde 2004

Mantenedora do Santuário de Grandes Primatas afirma defender o direito dos animais viverem em liberdade
O chimpanzé Black é observado por visitante no Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba. Crédito da foto: (21/1/2014)

O Santuário de Grandes Primatas de Sorocaba, de propriedade do empresário e microbiologista cubano Pedro Ynterian, vem lutando para ficar com o chimpanzé Black desde 2004. A entidade é ligada ao movimento internacional denominado Projeto Grandes Primatas (The Great Ape Project), o GAP, que afirma defender o direito dos grandes primatas viverem em liberdade em seus habitats.

Naquele ano, ele e sua companheira Rita passaram um período no local enquanto o recinto no zoo passava por reforma. Após a volta do casal ao zoo, o Santuário iniciou campanha pela tutela de Black, fato registrado pelo Cruzeiro do Sul. O nome do santuário foi citado novamente em 19 de setembro de 2010, data que o jornal noticiou uma denúncia feita pela União Brasileira de Circos Itinerantes (UBCI), sobre supostas irregularidades no local, envolvendo pesquisas com animais.

Na época, o Ministério Público recomendou que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) investigasse as denúncias sobre o uso de chimpanzés em pesquisas ilegais para a cura da Aids, em laboratório no santuário. A Polícia Federal de Sorocaba fez diligência até o santuário, mas, de acordo com o inquérito policial, o laboratório estava fechado e os policiais não conseguiram autorização para entrar naquela área.

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A reportagem ainda afirmava que o inquérito da Polícia Federal encontrou oito empresas ligadas à área laboratorial cadastradas no nome do proprietário do santuário (basta digitar no Google para ver o nome de Ynterian ligado a laboratórios como, por exemplo, o Interlab — www.interlabdist.com.br, distribui kit de teste rápido para HIV e que tem Ynterian como diretor-presidente). Outra empresa cadastrada no nome de Ynterian foi citada no inquérito por ter sido denunciada pela distribuição de kits de coquetel para Aids sem licitação.

Entre os documentos protocolados na época da denúncia feita pela UBCI, tinha uma guia de transporte impressa em papel oficial do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que dava como “finalidade científica” o encaminhamento de dois chimpanzés, apreendidos no circo Le Cirque e que ficaram no Zoológico de Brasília (DF), para o Projeto GAP – Santuário Sorocaba. No dia 11 de dezembro de 2010, o Cruzeiro noticiou que o Gaeco arquivou inquérito após ter colhido depoimento de Ynterian, que teria contribuído com as investigações ao fornecer todos os documentos solicitados.

Não foi mencionado nada sobre o laboratório, cuja entrada tinha sido proibida.Em 2014, o proprietário do GAP, juntamente com outras ONGs, fez nova campanha pedindo a transferência definitiva de Black para o santuário, o que contou com o apoio do Grupo de Grandes Primatas da ONU (Grasp). Na época, Ynterian chegou a se comunicar diretamente com o então prefeito Antonio Carlos Pannunzio. A Prefeitura recorreu e conseguiu mantê-lo no zoológico.

No entanto, também o zoológico recebeu denúncias. Em 25 de maio de 2018, uma reportagem fala do relatório elaborado pela Corregedoria-Geral do Município, que apontou irregularidades no tratamento dos animais do Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros. O documento foi apresentado à Comissão de Meio Ambiente e de Proteção e Defesa dos Animais da Câmara de Sorocaba.

O presidente da comissão, vereador João Donizetti Silvestre (PSDB), informou que dois funcionários do parque, um biólogo e um veterinário, seriam acionados através de um processo administrativo disciplinar para apurar as responsabilidades. Segundo o vereador, até o ano de 2015, conforme aponta o documento, os macacos que ficam isolados em uma ilha no zoo eram colocados em gaiolas e afogados para criarem aversão à água.

Outra irregularidade apontada foi o uso de medicamentos vencidos. Entre as denúncias apuradas, havia o caso de um urso abrigado em gaiola inadequada para o seu tamanho, pato vivo lançado para alimentar felino, cachorros de rua também usados para a alimentação de animais. Segundo nota da Prefeitura, a Corregedoria considerou improcedentes as acusações acima, mas em relação ao procedimento intitulado de “caldo no macaco”, a Corregedoria apurou que a prática ocorreu por orientação de um biólogo, servidor público, para o qual foi recomendada a instauração de processo administrativo disciplinar.

Em setembro de 2017 duas instituições da causa animal conseguiram recomendação favorável do Ministério Público, assinado pelo promotor Jorge Alberto Marum, para que Black saísse do zoo e fosse levado ao santuário. Em maio do ano passado, uma liminar que pedia a transferência do animal foi negada em primeira instância. As entidades recorreram da decisão em setembro de 2018 e no dia 14 de março deste ano conseguiram o acórdão.

Agora a nova notícia é a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), que deu causa favorável ao Santuário e autorizou a transferência do animal, que será feita na segunda-feira (6). Questionado a respeito de Ynterian estar ligado a laboratórios, o promotor Marum disse que a princípio não vê problema em pesquisas com animais, se for algo autorizado. “O que posso dizer é que essa decisão que será cumprida é uma liminar, é uma decisão provisória. Se ao longo do processo surgir alguma prova de que o local não é adequado, Black não ficará lá.” (Daniela Jacinto)

*matéria publicada na íntegra

 

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