Sorocaba e Região

Licitação para transporte especial é suspensa novamente em Sorocaba

É a segunda vez neste ano que o processo não é efetivado; novo adiamento preocupa pais de usuários
Licitação para transporte especial é suspensa
A rotina desgastante das pessoas que dependem do transporte especial foi tema de reportagem do Cruzeiro em abril. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS (16/4/2019)

A licitação para empresas interessadas em operar o transporte especial em Sorocaba foi suspensa pela segunda vez neste ano. Conforme documento assinado por Luiz Alberto Fioravante, presidente da Urbes — Trânsito e Transporte e secretário de Mobilidade e Acessibilidade, a suspensão deu-se “por razões de interesse público e possíveis adequações nos termos do edital”.

A licitação foi revogada no dia 29 de julho, e a data para a entrega dos envelopes com as propostas estava marcada para 1º de agosto. A concorrência também tinha sido barrada pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) em fevereiro deste ano, após questionamentos de empresas interessadas nos serviços.

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O transporte especial atualmente conta com 20 veículos, sendo 18 micro-ônibus e dois ônibus adaptados. O sistema atende a 754 passageiros; desse total, 514 com alguma deficiência e outros 261, acompanhantes. Pessoas com deficiência e mães de crianças com necessidades especiais ficaram insatisfeitas com o novo adiamento.

Em nota, a Urbes informou que “decidiu suspender (a licitação) para melhor analisar as questões técnicas” e que avalia a “real necessidade de adequações” no edital, publicado novamente em 28 de junho. A empresa pública prometeu a correção dos eventuais problemas rapidamente e uma nova publicação deve ocorrer na última semana de agosto. O serviço de transporte especial funciona diariamente, das 6h às 24h, e, segundo a Urbes, “o atendimento aos passageiros continua garantido e o serviço prestado regularmente”.

Desgastante

Para Gabriela Pereira, 32, mãe de Benyamin Luiz, 4, a nova licitação era aguardada ansiosamente, pois ela espera que o serviço melhore. O menino tem cardiopatia, Síndrome de Down e surdez e também sofre de hipotonia, que é a musculatura fraca, e, por conta disso, precisa também de um cadeirão de segurança para ser usado no transporte coletivo. “Eu fiz a solicitação para a Urbes, Consor e STU. Somente a STU atendeu a meu pedido. A Urbes e a Cosor ignoraram completamente, e, quando o ônibus que nos busca é da Consor, eu preciso ir sentada no chão para segurar o Beny”, explica a mãe.

Licitação para transporte especial é suspensa
Gabriela, mãe de Benyamin, esperava melhoria no serviço. Crédito da foto: Acervo Pessoal

Nesta quinta-feira (8), integrantes do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida devem se reunir para debater os problemas no transporte especial juntamente com a Urbes. “É um desrespeito, um descaso, mas a gente precisa continuar lutando para garantir que nossas crianças sejam tratadas com respeito”, afirma Gabriela, que mora no Residencial Carandá e utiliza o transporte especial para deslocar-se com o filho à escola e a consultas médicas.

Em abril deste ano, o jornal Cruzeiro do Sul publicou matéria já relatando a rotina desgastante das pessoas que dependem do transporte especial. Angélica Missirolli, 36, mãe de Heitor Jesus Missirolli, 9, ouvida na reportagem citada, conta que os problemas persistem. “Os horários não se encaixam. O transporte, às vezes, busca ele em casa às 11h e ele só chega à escola às 13h. A volta é ainda pior, com mudança frequente de carro, motorista e sem itinerário fixo”, reclama.

Heitor mora com a família no Parque São Bento e estuda na escola Clave de Sol, localizada na região central. Angélica relata também que se tornou comum carros quebrados. “Eu entendo que muitas pessoas dependem do transporte, mas, às vezes, você vê trajetos que não fazem nenhum sentido. As crianças, às vezes, passam mal dentro do ônibus e no calor é ainda pior”, afirma.

Justificativas

A Urbes afirma que os problemas relatados com alterações de horário e falta de itinerário fixo ocorrem porque os usuários cadastrados no sistema podem fazer pedidos de transporte fora do horário fixo. “As solicitações eventuais geram novos itinerários diários em todas as programações, uma vez que a mesma frota faz os atendimentos fixos e eventuais”, informa em nota.

Sobre o estado de conservação dos carros, a empresa pública justificou que, com a nova contratação — que atualmente se encontra suspensa –, todos os veículos serão zero-quilômetro.

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Os atrasos recorrentes relatados pelos usuários, segundo a Urbes, são causados por motivos diversos. “O tempo de embarque e desembarque varia, pois cada usuário tem as suas especificidades e não é incomum o caso de crises de passageiros durante o itinerário, atrasando mais os percursos”, afirma. Ocasionalmente, de acordo com a Urbes, também há os atrasos pela situação do trânsito. A demora nos trajetos, alega, dá-se pela distância da moradia dos passageiros ao destino final.

Já, sobre a necessidade do uso de cadeirão no transporte do pequeno Benyamin Luiz, a empresa pública afirma que autoriza o uso do equipamento, mas que “por se tratar de um item pessoal com características que podem variar de acordo com o passageiro, a aquisição deve ser providenciada por seus familiares”. A Urbes informa, também, que proíbe a realização de viagem com passageiros sentados no assoalho do veículo. “Todas as pessoas com deficiência têm assentos garantidos, e os acompanhantes podem fazer as viagens em pé”, finaliza a nota. (Larissa Pessoa)

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