Sorocaba e Região

Isolamento social muda rotina das famílias por conta do coronavírus

Adaptação ao home office é um dos desafios. Psicólogo alerta que é preciso cuidados com a saúde mental
Isolamento social muda rotina das famílias
Silvana tem aproveitado o tempo maior em casa para cuidar do jardim. Crédito da foto: Acervo Pessoal

A recomendação de isolamento social em virtude da pandemia do novo coronavírus tem provocado mudanças profundas na rotina de famílias sorocabanas. Todos tentam se adequar ao home office, manter o diálogo com familiares e amigos — ainda que à distância — e buscar outras formas de lazer e entretenimento sem sair de casa.

A designer de interiores Silvana Siqueira afirma que tem respeitado rigorosamente as determinações das autoridades para o confinamento, como forma de combater o avanço e evitar mortes pela Covid-19. “Tenho evitado ao máximo sair de casa. Só vou ao mercado quando é extremamente essencial”, comenta.

Moradora do Parque São Bento, Silvana vive com o marido Júlio, que é motorista e está afastado do trabalho para se recuperar de uma cirurgia, e um casal de enteados que, por enquanto, continua trabalhando. Acostumada a ter uma rotina agitada, em função de trabalho e da família — tem três filhos e quatro netas –, ela afirma que tem passado mais tempo no quintal, cuidando das plantas que cultiva no jardim. “E estou descansando mais, que é algo novo nesta rotina da quarentena. Até tenho assistido a filmes, que é uma coisa que não fazia antes”, relata.

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Silvana diz que tem acompanhado diariamente o noticiário pela televisão, mas evita a sobrecarga de informações negativas que, segundo ela, tende a tornar esse momento difícil ainda mais estressante. “Vejo o suficiente para saber como está a situação e esperando notícias boas para que tudo isso passe logo”, complementa, citando que procura se manter “próxima” a amigos e familiares, por meio de chamadas de vídeo de aplicativos de conversa.

Há dez dias, a publicitária Juliana Castilho decidiu tomar a difícil decisão de se separar dos filhos Lucca, de 14 anos, e Júlia, de 12, que têm asma e, por isso, pertencem ao grupo de risco do Covid-19. “Como meus pais são aposentados e não precisam sair de casa para nada, decidimos que eles ficariam com eles”, comenta, citando que ficou responsável por fazer as compras de mercado e farmácia.

Isolamento social muda rotina das famílias
Juliana e o marido Kleber estão se adaptando ao home office. Crédito da foto: Acervo Pessoal

Logo no início do isolamento social, Juliana redigiu um “manual” com regras de convivência para os filhos nessa temporada na casa dos avós, com determinação de afazeres como arrumar a cama, lavar a louça, estudar e fazer exercícios físicos no quintal.

Assim como o marido Kleber, Juliana tem trabalhado no sistema home office desde o último dia 17, mas esporadicamente precisa participar de reuniões presenciais. “Para mim, a maior dificuldade tem sido ficar longe das crianças e lidar com a quantidade de informações sobre o assunto sem perder a esperança”, comenta.

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Psicólogo

O psicólogo clínico Lucas Bianchi Macedo ressalta que a sensação de isolamento social pode trazer impactos negativos à saúde mental. Ele assinala que, além de ser uma tendência natural do ser humano viver em grupo, a situação de confinamento domiciliar se agrava diante do sentimento de privação de liberdade. “A não possibilidade de fazer algo, ainda mais algo tão comum quanto ir ao mercado ou mesmo ao trabalho, acaba sendo um choque para as pessoas, pois é uma grande mudança na rotina e no âmbito social”, diz.

Isolamento social muda rotina das famílias
Lucas Macedo indica rotina e exercícios. Crédito da foto: Acervo Pessoal

Somando a essa sensação de “prisão”, ele acrescenta que outro aspecto que pode ser prejudicial está relacionado à avalanche de informações — e fake news –, sobre a pandemia de coronavírus pelo mundo. “A junção de tudo isso pode, sim, nos dar algumas crises de ansiedade, tristeza e mesmo episódios depressivos entre outras coisas, ainda mais se a pessoa já tiver uma predisposição a isso”.

Para minimizar esses impactos, o psicólogo sugere manter a rotina, mesmo que dentro de casa, e fazer exercícios físicos. “Tentar se ocupar é muito importante, como diz aquela velha expressão ‘cabeça vazia é oficina do diabo’”. Uma boa opção, sugere, é “começar algum curso, como aprender a fazer algum artesanato, ou mesmo a cozinhar, já que existem muitas plataformas on-lines que estão disponibilizando esse conteúdo gratuitamente”, recomenda.

Lista de afazeres

Diante da necessidade e apreensão de entrar em isolamento social, o empresário sorocabano Alessandro Scapol começou a listar as coisas que pretende fazer neste período de quarentena. A lista deu origem ao texto intitulado “40 coisas para fazer na quarentena”, que viralizou nas redes sociais, com mais cinco mil compartilhamentos.

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Isolamento social muda rotina das famílias
Alessandro fez lista de tarefas. Crédito da foto: Acervo Pessoal

A lista vai desde arrumar armários e separar roupas para doação a montar quebra-cabeças e brincar de jogos de tabuleiro com a família. “Decidi escrever esse texto porque acredito que temos que encarar a realidade como é. Temos que olhar para o que acontece e extrair o melhor de cada situação”, afirma. “Não temos o controle sobre a vida. Mas temos o controle sobre como agir diante do que nos acontece”, completa. (Felipe Shikama)

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