Sorocaba e Região

Insegurança toma conta da praça Frei Baraúna, no Centro

Pessoas em situação de rua que se instalaram no local estariam ameaçando moradores e comerciantes da região
Insegurança toma conta da praça Frei Baraúna
Gramado da praça na região central é usado como moradia. Crédito da foto: Emidio Marques (1/10/2019)

O que já foi um ponto de encontro para a população e artistas, hoje é sinônimo de medo e insegurança. A praça Frei Baraúna, no centro de Sorocaba, tornou-se “perigosa”, como define comerciantes e moradores da região. No local, em plena luz do dia, é possível ver pessoas em situação de rua e usuários de drogas confrontando quem passa pelo local. No gramado da praça há barraca, uma pequena cozinha com fogareiro, panelas e até mesmo homens transitando com facões.

A cabeleireira Neuza Dinato, 55, tem um salão de beleza nas proximidades da praça há 12 anos e relata que o filho já foi ameaçado por pessoas que fizeram da praça a sua casa. “Meu filho e minha neta estavam caminhando e esse homem chegou empurrando, querendo saber do que ele estava rindo. Eles só estavam conversando”, afirma. Os furtos, conta, também ficaram recorrentes e várias clientes deixaram de frequentar o salão por medo. “Já furtaram até uma imagem que eu tinha de Nossa Senhora de Fátima. Passaram pela calçada e enfiaram a mão pela janela”, reclama.

Ela conta que já se comoveu com a situação das pessoas que estão na praça, mas a violência é assustadora. “Eu saio do salão às vezes depois das 20h e eles vão cercando a gente em bandos. Atravesso a praça correndo”, relata ela, que mora em um prédio próximo ao Mosteiro São Bento e todos os dias caminha até o trabalho.

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Neuza relata que na última semana tocaram a campainha de seu salão e pelo vidro ela não viu ninguém. O filho dela então subiu uma escada e olhou pelas janelas e tomou um susto. “Esse homem que vive aqui pelas ruas estava escondido ao lado da porta com um facão, esperando eu abrir”.

Insegurança toma conta da praça Frei Baraúna
Espaço público está tomado por pessoas em situação de rua. Crédito da foto: Emidio Marques (1/10/2019)

A falta de patrulhamento também é uma reclamação de quem mora ou passa pelo local. “Às vezes a gente até vê alguns guardas, mas eles nem revistam as pessoas. Deviam pelo menos chamar uma fiscalização, apreender as facas”, pede Neuza. Ela conta que próximo de seu salão há um sebo de livros que somente no mês passado foi roubado duas vezes. “Esses dias o dono do sebo, que é um senhor de idade, precisou fechar o comércio às 14h porque os moradores de rua ocuparam toda a entrada da loja”, relata a cabeleireira.

Já Patrícia Martinez, 46, que reside e tem um ateliê de produtos personalizados próximo a praça, conta que não deixa os filhos saírem à noite e que no mês passado teve a casa furtada à noite. “Abriram a janela e reviraram os meus produtos. Como não eram coisas de valor, eles deixaram jogados no chão.” Para se sentir mais segura, ela conta que pretende colocar grades nas portas e janelas da casa, onde reside há três meses.

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Para tentar prevenir furtos ou roubos, as vizinhas contam que utilizam o WhatsApp para alertar os moradores sobre possíveis riscos no entorno da praça. “Se a gente vê que eles estão em grupos, estão com facas, qualquer coisa suspeita, uma já avisa a outra”, conta Neuza. As duas também contam que na praça parte da iluminação foi cortada pelas pessoas que moram ali. “Eles preferem que fique tudo escuro por ser mais fácil de roubar quem passa. A gente já viu vários fios cortados e a Prefeitura não faz nenhum reparo”, destaca Patrícia, que lamenta o estado de abandono da praça, que já foi o seu lugar favorito na cidade.

Insegurança toma conta da praça Frei Baraúna
Uma “cozinha” foi montada no local. Crédito da foto: Emidio Marques (1/10/2019)

Todas as terças-feiras a praça Frei Baraúna também sedia a feira livre e alguns feirantes relataram que também se sentem intimidados com a situação do local. “Eles abordam as pessoas de maneira agressiva, quase que obrigando os clientes as dar dinheiro”, relata uma moça que trabalha em uma barraca de frutas e preferiu não se identificar. Ela conta que logo cedo, quando a feira começa a ser montada, as pessoas em situação de rua também acordam e já começam a pedir dinheiro. “Chegam segurando as pessoas, cercando e muito idoso acaba intimidado”, reclama.

Prefeitura

A Prefeitura de Sorocaba foi questionada sobre a iluminação do local e a atuação da Guarda Civil Municipal (GCM), mas não enviou respostas até o fechamento desta edição. A administração municipal se limitou a informar que o imóvel que abrigou a Oficina Grande Otello e o Fórum Velho pertence ao Governo do Estado de São Paulo. “Prefeitura esclarece que há tratativas no sentido de que seja concedida a cessão do imóvel à municipalidade”, citou em nota. (Larissa Pessoa)

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