Sorocaba e Região

Há um ano, Black deixava o zoológico de Sorocaba

Chimpanzé vive agora no Santuário dos Grandes Primatas onde divide recinto com a fêmea Dolores
Há um ano, Black deixava o zoo de Sorocaba
Black deixou o zoológico, onde vivia há mais de 40 anos, após uma decisão judicial. Crédito da foto: Divulgação / Santuário dos Grandes Primatas

O chimpanzé Black, que tem aproximadamente 50 anos, completou um ano vivendo no Santuário dos Grandes Primatas, em Sorocaba. Em maio de 2019 ele deixou o recinto onde vivia sozinho, no Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, após uma decisão da justiça. Ao longo dos 12 meses, Black passou por quarentena, adaptações, fez contato com outros primatas e hoje, segundo a presidente do The Great Ape Project (GAP), Selma Mandruca, ele está tranquilo e vivendo na companhia da fêmea Dolores, de 23 anos.

Além da unidade de Sorocaba, que é a maior do GAP, o projeto tem outros três santuários afiliados, com sedes em Vargem Grande Paulista, Ibiúna e em Curitiba, no Paraná. De acordo com Selma, a batalha judicial travada por Black continua. O Ministério Público chegou a recomendar que o zoo abrisse mão do primata pensando em seu bem-estar, mas isso não ocorreu e o caso segue tramitando.

A Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Sema) foi questionada sobre a situação do primata e se ainda tenta fazer com que ele retorne ao zoo. Em nota, a pasta informou que “o processo está em andamento e a Prefeitura de Sorocaba aguarda a perícia no Zoológico, que indicará qual deverá ser a melhor decisão visando o bem-estar do chimpanzé Black”. A Sema informou ainda que faz contato com o mantenedouro do santuário, “porém, a administração não permite a entrada da equipe do Zoo para ver o Black”.

Leia mais  Chimpanzé Black deixará o Quinzinho de Barros na segunda-feira (6)

 

De acordo com o GAP, o Ministério Público recebe periodicamente um informativo sobre o estado de saúde de Black no santuário. “No início do mês nós comunicamos o MP que ele está saudável, adaptado ao recinto, vivendo em harmonia com a Dolores e em contato com outros primatas”, contou.

A transferência de Black ocorreu em 6 de maio de 2019, após uma decisão da Justiça. Veterinários e biólogos divergiam sobre o tema, pois alguns afirmavam que o chimpanzé já estaria habituado com a rotina e com as pessoas do zoológico, enquanto as entidades que pediam a transferência — Agência de Notícias de Direitos Animais (Anda) e Associação Sempre Pelos Animais — alegavam que no santuário o animal poderia interagir com outros primatas e não precisaria mais conviver com o estresse causado pela visitação.

Quando chegou ao novo lar, Black ficou em quarentena, isolado dos demais primatas e recebendo atenção especial da equipe de veterinários. Depois, passou a dividir o recinto com Margarete, que ele já conhecia. A fêmea, entretanto, já estava acostumada com a companhia de uma outra chimpanzé e por isso Black passou a dividir seu espaço com Dolores.

Black foi resgatado de um circo quando tinha aproximadamente 8 anos. Em 2004, durante reformas no recinto dos primatas no zoo municipal, o primata passou alguns meses no santuário, onde se relacionou com a chimpanzé Margarete. “O objetivo do santuário não é a reprodução. Nós buscamos sempre colocá-los em convívio daqueles que se dão melhor e não necessariamente formar casais”, explicou Selma.

Leia mais  Vídeo mostra chimpanzé fumando cigarro em santuário de primatas de Sorocaba

 

No santuário há também recintos com grupos maiores de primatas, mas como Black já é considerado idoso, Selma contou que ele tem somente uma parceira em seu recinto, para que não se sinta acuado. “Dentro do que o cativeiro permite, nós estimulamos o convívio social dele com a espécie e garantimos a alimentação e limpeza adequada do local onde eles habitam”, destacou.

Há um ano, Black deixava o zoo de Sorocaba
Segundo os administradores do GAP, Black e Dolores se dão bem vivendo juntos. Crédito da foto: Divulgação / Santuário dos Grandes Primatas

Sem visitas

Desde que mudou-se para o santuário, Black recebeu algumas visitas do grupo de profissionais que o acompanhavam no zoo, mas, segundo Selma, o primata sempre ficava muito agitado e parecia incomodado. “Nós acreditávamos que existia um vínculo positivo e por isso concordamos com as visitas, mas vendo o comportamento dele diante desses contatos solicitamos ao MP que essas visitas deixassem de ser feitas, mas seguimos informando tudo é solicitado pelo órgão”, disse Selma.

Leia mais  Grupo protesta em frente ao zoo contra a transferência de chimpanzé

 

Nesse período de quarentena por conta da pandemia do novo coronavírus, Selma lembrou que o acesso ao santuário está ainda mais restrito. “Temos entre 15 e 20 funcionários e esse quadro passou por uma redução, com a equipe morando aqui também, evitando assim uma maior exposição ao vírus”, relatou. A equipe de veterinária também redobrou as orientações para tratadores e demais funcionários, reforçando a importância da higienização rigorosa. (Larissa Pessoa)

Comentários