Sorocaba e Região

Há 35 anos, sorocabano conserta relógios de todos os tipos

Relojoeiro Valdinei Ambar mantém começou a realizar os primeiros consertos aos 12 anos
Valdinei Ambar tornou-se relojoeiro por influência do pai, seu Sebastião. Crédito da foto: Emídio Marques

O Dia do Relojoeiro é celebrado nesta quinta-feira (27). A data foi criada para homenagear esses profissionais que, além de conhecimento, carregam consigo traços da História. Apesar de a profissão estar desaparecendo, algumas pessoas ainda mantêm viva a tradição de consertar relógios de todos os tipos.

Em Sorocaba, o saudosista Valdinei Ambar, de 47 anos, trabalha como relojoeiro há 35 anos. Ele começou a consertar os primeiros relógios em 1983, quando tinha 12 anos. A inspiração para ingressar na profissão veio do pai, que também exerce o ofício.

 

Desde muito pequeno, Valdinei via seu Sebastião Elizeu Ambar arrumar os objetos. Para ele, observar os modelos, partes e engrenagens dos relógios era encantador. “Eu acompanhava o que ele [pai] fazia e ‘peguei gosto’ pela profissão”, conta. Seu Sebastião, então, passou todos os seus conhecimentos para o filho.

Valdinei iniciou os trabalhos pelos despertadores à corda. Depois, aprendeu a arrumar os relógios de pulso e de bolso. Por fim, passou a consertar os modelos à pilha e digitais. Mas o talento de Valdinei era tão grande que se estendeu além das paredes da oficina do pai. Em 1988, aos 16 anos, foi convidado para realizar a manutenção do relógio da paróquia Santa Rita de Cássia, após a morte do responsável pela função. O convite foi feito pelo então padre da igreja, Frei Felix. Valdinei frequentava a comunidade e aceitou, prontamente, a proposta.

Ele conta que assumir tamanha responsabilidade foi desafiante. Isso porque estava acostumado apenas a arrumar relógios menores e mais simples. Além disso, diz, cada objeto possui suas particularidades e especificidades. Com o passar do tempo, depois de estudar cada detalhe sobre o relógio da igreja, a função tornou-se mais fácil e prazerosa. “Deus me inspirou e me ajudou e eu aprendi a cuidar do relógio [da paróquia]”, diz. “Foi o próprio tempo que me ensinou muitas coisas”, acrescenta.

Depois disso, suas habilidades passaram a ser cada vez mais reconhecidas. Com isso, os convites para consertos de outros importantes relógios se tornaram frequentes. Em 1991, ele foi chamado para reparar o objeto da Paróquia São Carlos Barromeu, no Centro de Sorocaba. Já em 2005, passou a cuidar dos relógios da Catedral Metropolitana de Sorocaba e do Mercado Municipal, função que exerceu até 2014. A partir daí, tornou-se o responsável também pelos objetos de igrejas situadas em cidades da Região Metropolitana de Sorocaba, como Araçoiaba da Serra e Cerquilho.

Hoje, ele trabalha na relojoaria do pai. Chamada “O Relojoeiro”, a oficina fica na Vila Carvalho e funciona no mesmo endereço há 31 anos, desde 1988. Valdinei conserta relógios de todos os tipos, tamanhos, modelos e épocas. Realiza desde serviços básicos, como troca de peças e limpeza, até outros mais complexos, como lubrificação e substituição das engrenagens. “Quando a gente consegue recuperar o objeto, é uma satisfação muito grande”.

Relíquias

Na oficina, Valdinei já consertou algumas relíquias. Entre as raridades já reparadas por ele está um relógio de coluna datado de 1976. Segundo o relojoeiro, esse modelo é encontrado apenas em lojas de antiguidades, como antiquários, e custa cerca de R$ 15 mil. Também arrumou um relógio americano da marca Ansonia, avaliado de R$ 3 mil a R$ 5 mil.

Extinção da profissão

Valdinei acredita que a profissão de relojoeiro corre riscos por conta da modernização dos relógios. Segundo ele, devido à tecnologia, as pessoas não costumam levar seus objetos às relojoarias, quando eles estragam. Ao contrário disso, preferem comprar modelos novos e descartar aqueles com problemas. Já quando os clientes optam por arrumar seus acessórios, afirma ele, solicitam apenas reparos básicos.

Apesar dessa realidade, Valdinei considera que a profissão não será completamente extinta, justamente porque os relógios sempre vão existir. “O relógio nunca vai deixar de existir, mas sim se adequar ao tempo”. Além disso, completa, a maioria das pessoas possui rotinas agitadas e, por isso, precisa do relógio para organizar o tempo. “A gente vive em função do tempo”, justifica.  (Vinicius Camargo – programa de estágio / Supervisão: Regina Helena Santos) 
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