Sorocaba e Região

Fósseis são encontrados perto de obra em rodovia na região de Itapetininga

Pesquisadora da UFSCar afirmam que fragmentos têm mais de 266 milhões de anos
Dentre os fósseis, os pesquisadores encontraram dentes de peixes e de tubarões. Crédito da foto: Divulgação

Já parou para a imaginar como era a vida há mais de 266 milhões de anos, antes mesmo da era dos dinossauros? Fósseis paleontológicos com esta idade foram encontrados na região de Itapetininga e vão ajudar a contar história do local. Ossos de peixe, dentes de tubarão, plantas extintas e até rochas vulcânicas foram retirados de um barranco e serão catalogados por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Os fragmentos foram localizados em um trecho da rodovia Raposo Tavares (SP-270), entre Angatuba e Campina do Monte Alegre, que passa por obras de duplicação. A localização ocorreu há cerca de três meses e a retirada foi concluída no início de outubro. Durante o trabalho dos pesquisadores, que durou quatro dias, a obra foi interrompida no trecho. Posteriormente, no entanto, será rebaixada para as adequações da pista.

Conforme a paleontóloga Mírian Pacheco, que é professora da UFSCar Sorocaba e coordenou os trabalhos, foram retirados centenas de blocos de rocha do local. Em cada um desses blocos, existem milhares de fragmentos de fósseis. O material foi encaminhado para o campus Lagoa do Sino da UFSCar, em Buri, e será processado. Como o acervo é extenso, o trabalho de separação dos fósseis pode levar anos, segundo a pesquisadora.

Força-tarefa trabalhou na retirada dos fósseis da rocha. Crédito da foto: Divulgação

Região rica

Mírian explica que a região de Itapetininga é rica em fósseis e faz parte de uma unidade geológica chamada Corumbataí. Na rocha onde estavam os fósseis, cada camada corresponde a um tipo de ambiente do passado. A localização de vestígios de tubarões e outros peixes indicam, por exemplo, atividade marinha no local. “São fragmentos de uma época em que os continentes tinham uma configuração bem diferente da atual”, cita.

De acordo com a pesquisadora, esse tipo de descoberta é importante porque ajuda a contar a história da vida e as transformações pelos quais o planeta passou. O material, inclusive, pode ser tombado. “É provável que os fósseis sejam incluídos no acervo paleontológico da universidade e que seu estudo vire objeto de iniciação científica dos alunos”, acrescenta.

Os pesquisadores tiveram quatro dias para remover os fragmentos. Crédito da foto: Divulgação

Mutirão

O encontro dos fósseis ocorreu depois que a paleontóloga, que faz pesquisas na região desde 2015, foi avisada dos fragmentos por um morador. Como o local está em obras, Mírian solicitou ao Departamento de Estradas e Rodagem (DER) um prazo para retirar os fósseis antes que a área fosse rebaixada. O trabalho foi autorizado entre os dias 2 e 6 de outubro e, nesse período, os engenheiros suspenderam a intervenção no trecho.

A pesquisadora, então, montou uma equipe de estudantes da área e se dirigiu até o local. Como o tempo era curto, o grupo fez um mutirão e conseguiu retirar parte dos fósseis. Ela conta que usou recursos próprios no trabalho e, por não ter equipamentos mais específicos para o resgate paleontológico, não foi possível retirar o material que estava profundo na rocha.

Também foram encontrados icnofósseis, que são rastros de espécies nas rochas. Crédito da foto: Divulgação

Mais prazo

Um relatório sobre o resgate foi elaborado e encaminhado à Agência Nacional de Mineração (AMN), que já havia sido notificada sobre o caso. Segundo a professora, o documento explica sobre o material já retirado e o que restou no local. “O ideal, nesse caso, é que seja contratada uma empresa especializada, que tenha equipamentos capazes de retirar blocos maiores de rocha com o restante dos fósseis”, destaca.

A AMN foi questionada sobre o relatório e se pretende dar encaminhamento à coleta de fósseis no local, mas não respondeu aos questionamentos até o fechamento desta matéria. A reportagem também questionou o DER se o local em que os fragmentos se encontram já foi rebaixado. Porém, o órgão se limitou a dizer que “o trecho em questão foi paralisado até que o material encontrado seja resgatado e retirado para posterior retomada das obras”.

O grupo removeu do local centenas de blocos com fragmentos de fósseis. Crédito da foto: Divulgação

A obra

Conforme o DER, as obras de modernização da rodovia seguem em ritmo normal, de acordo com o cronograma pré-estabelecido. As intervenções entre Piraju e Ourinhos, dos quatro primeiros lotes, foram iniciadas em abril de 2018; já entre Itapetininga e Piraju, dos quatro últimos lotes, começaram em agosto de 2018 e devem ser finalizadas em agosto de 2020.

Estão previstas a duplicação de 50,4 quilômetros, implantação de 122,7 kms de terceiras faixas, recuperação de 153, 5 kms de pistas simples e acostamentos e revitalização da sinalização. O DER informa que implantará também 21 novos dispositivos de acesso e outros 14 existentes receberão melhorias. Serão construídas ainda três novas passarelas e um viaduto, além da reforma de pontes existentes.

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