Sorocaba e Região

Fim do unitário no transporte coletivo desagrada usuários e ambulantes

A percepção é de que a procura não é pequena, como diz a Urbes
Fim do unitário desagrada usuários e ambulantes
Para Daniela Benedito, que usa pouco o transporte público, o unitário é essencial. Crédito da foto: Erick Pinheiro

O encerramento da venda do cartão unitário do transporte coletivo a partir do próximo dia 31, pela Urbes – Trânsito e Transportes, deixou descontentes tanto os usuários como os ambulantes que ganham a vida com sua venda e, inclusive, discordam de que não haja grande procura. A justificativa dada pela autarquia é a de que menos de 1% dos passageiros ainda optam pelo cartão unitário.

A partir de primeiro de agosto, a aquisição da passagem será pelo aplicativo CittaMobi e liberação na catraca com QRCode na tela do celular. Outra forma é a compra do tíquete com QRCode em papel nas bilheterias dos terminais e nas Casas do Cidadão, que já está em vigor. Entretanto, o QRCode, seja na versão em papel, ou pela tela do celular, tem validade apenas de 60 minutos, e não dá direito a integração fora dos terminais para fazer mais de uma viagem com uma única passagem.

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Com isso, a Urbes incentiva o uso do Cartão Cidadão, Cartão Estudante e Vale Transporte, por darem direito a fazer até quatro viagens no período de 1h30 ao custo de uma única passagem. Eles ainda possibilitam o uso das bicicletas públicas gratuitamente após cadastramento.

Diante da alteração, a Urbes orienta que o tíquete com QRCode em papel ou na tela do celular é aconselhável para as pessoas de outras cidades que visitam Sorocaba, uma vez que sua autonomia é de uma hora.

Complicação

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Pâmela Oliveira acha o sistema de pagamento muito complicado. Crédito da foto: Erick Pinheiro

A paulistana Pâmela Oliveira disse achar o sistema de pagamento usado no transporte público local muito complicado, e se disse “perdida”, sem saber como proceder. Atualmente residindo no bairro do Éden, ela, que havia adquirido o cartão único, entende que sua venda deveria ser mantida, sobretudo para ajudar quem vem de fora e está só de passagem pela cidade.

Para a operadora de serviços de TV a cabo, Daniela Cristina Benedito, que usa o transporte público esporadicamente, o cartão unitário é essencial. Para ela não é compensador comprar o substituto, um papel com um QRCode, já que a validade é de apenas uma hora, e sem direito à integração.

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Uma usuária, que não quis se identificar, comentou sobre a opção de liberação na catraca com QRCode na tela do celular, que é preciso considerar nem todas pessoas usam o aplicativo. O barbeiro Pedro Vinícius, que usa pouco o sistema de transporte público, foi taxativo ao dizer que “não deveria parar com nada, apenas baixar o valor da tarifas, que é muito alto”.

Ambulantes

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O vendedor Francisco dos Santos criou cinco filhos vendendo cartões. Crédito da foto: Erick Pinheiro

O vendedor ambulante Francisco Machado dos Santos, que há 25 anos vende cartões da Urbes e se orgulha em dizer que dessa forma conseguiu criar os cinco filhos, vê a decisão da Urbes com preocupação. Segundo ele, o cartão unitário tem grande saída, chegando a vender de 500 a 800 unidades por dia, num expediente que vai das 6h às 19h.

Ainda segundo ele, cada vendedor pode comprar, junto à Urbes, 800 cartões unitários por dia para revender, e o ganho vem exatamente da alta procura, já que a margem de ganho não chega a R$ 0,20 por cartão. Outro vendedor ambulante, que não quis se identificar, falou já ter vendido até dois mil cartões num único dia, mas que atualmente a média de venda é de 500 unidades diárias, entre 8h e 17h. (Adriane Mendes)

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