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Sorocaba e Região

Filho busca piano para ajudar a combater a depressão da mãe

Kleber Rodrigues Junior fez um anúncio no Cruzeiro do Sul pedindo um piano para Francisca, de 64 anos
O piano será usado pela ‘senhorinha’ Francisca, em sua luta contra a depressão. Crédito da foto: Pixabay

Quem tem o costume de ler o Jornal Cruzeiro do Sul da primeira à última página, notou, no dia 20, um anúncio inusitado na página D4: “Aceita-se doação de piano: senhorinha idosa combate a depressão e deseja muito voltar a tocar, aceitando doação de instrumentos usados”.

O pedido chamou a atenção e a reportagem entrou em contato com o número deixado. Era o telefone do único filho da mulher, o programador e webdesigner Kleber Rodrigues Junior, de 31 anos. Ela, que se chama Francisca, tem 64 anos e é muito reservada. Mas, segundo Kleber, a mãe ficaria feliz da vida se pudesse fazer ecoar músicas clássicas pelos corredores da casa em que vive, em Salto de Pirapora.

Diante da timidez e do perfil mais fechado de Francisca, ela preferiu não dar entrevista. O filho, no entanto, aceitou contar um pouco da história. Kleber falou que a ideia do anúncio partiu da própria mãe. “Ela achou que o perfil dos leitores do jornal poderia casar com o que ela quer. Até agora, só tivemos um retorno, de uma pessoa que entendeu que o anúncio era para dar aulas de piano. Acho que a pessoa se confundiu”, disse, na última quinta-feira. “Eu não tenho condição de comprar um piano e nem ela, é um instrumento caro. Foi um ‘tiro no escuro’ anunciar, quem sabe alguém de bom coração possa ajudar”, acrescentou.

Kléber, também depressivo, promete que vai aprender a tocar com a mãe. Crédito da foto: Emídio Marques

Atualmente, de acordo com o filho, Francisca costuma produzir artesanato, confeccionar bijouterias e é adepta da internet como passatempo. “Se ela ganhasse o piano, seria bom porque ela poderia ver vídeos de aulas no Youtube”, projetou. Kleber contou que, conforme os relatos da mãe, ela tocou o instrumento entre os 10 e 15 anos de idade. “Ela conta que o meu avô era bastante rígido, não deixava ela sair de casa. Ela ficava muito sozinha, então o piano era um companheiro”, lembrou. O instrumento, porém, foi vendido depois desse período e, desde então, ela nunca mais teve oportunidade de tocar os clássicos de Chopin, Tchaikovsky e Mozart, alguns dos músicos que admira.

A depressão da mãe, segundo Kleber, se acentuou com o falecimento do marido, há 10 anos. Caso conseguisse a doação do piano, ele acredita que seria extremamente benéfico para a saúde dela. “Seria um modo de trabalhar a depressão. Na depressão, pequenas vitórias ajudam muito. E essa seria uma delas”, afirmou, admitindo que também sofre com a doença e, portanto, entende na própria pele as dificuldades. “Ela tem uma excelente coordenação motora, diferente de mim. Mas combinei que, caso ela ganhasse o piano, eu também tentaria aprender a tocar”, emendou.

Caso alguém se interesse em doar o instrumento, Kleber pede que entre em contato pelo telefone (15) 99730-1200 ou pelo e-mail krjw@hotmail.com

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