Sorocaba e Região

Estado inicia aulas a distância a partir desta 2ª feira, dia 27

Conforme a Secretaria de Educação, retorno das atividades de forma presencial ainda é incerto
Estado inicia aulas à distância nesta 2ª feira
Conteúdo pedagógico digital estará disponível na televisão aberta por intermédio da TV Cultura, aplicativos e outras plataformas. Crédito da foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Depois de antecipar as férias e o recesso escolar, a rede estadual de educação retoma as aulas nesta segunda-feira (27). Na semana passada os professores passaram por treinamento e puderam se familiarizar com as novas plataformas, embora alguns relatem dificuldades. Os 54 mil alunos de Sorocaba terão acesso a aulas ao vivo, videoaulas e outros conteúdos pedagógicos mesmo durante o isolamento social. A presença dos estudantes será monitorada através do login realizado no aplicativo, que é de acesso gratuito, com internet subsidiada pelo Estado.

Segundo Henrique Pimentel Filho, subsecretário de articulação interino da Secretaria de Educação, estão disponíveis duas plataformas. O Centro de Mídias da Educação de SP (CMSP), com conteúdos de várias disciplinas e o CMSP Educação Infantil e Anos Iniciais, com conteúdo exclusivo para essas etapas de ensino.

Aplicativos

Os dois aplicativos, destaca Henrique, podem ser baixados nos sistemas Android e IOS. “Para ter acesso, estudantes e professores da rede estadual terão de fazer o login com os mesmos dados usados na Secretaria Escolar Digital (SED)”, contou. As plataformas foram desenvolvidas pela IP.TV e doadas à secretaria durante a suspensão das aulas.

Alunos que não possuam smartphones poderão assistir ao conteúdo pela televisão. A TV Cultura ficou responsável por transmitir as aulas por meio dos canais digitais 2.2 — TV Univesp e 2.3 — TV Educação.

As escolas estaduais também passam a distribuir os kits com material impresso contendo apostilas de matemática e língua portuguesa, gibis da Turma da Mônica, livros paradidáticos e manual de orientações às famílias. “A secretaria fará a entrega para as escolas e elas se organizarão, em parceria com as diretorias de ensino, para distribuir isso aos alunos presencialmente de forma escalonada, evitando aglomerações”, frisou o subsecretário.

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Investimento

O investimento para a aquisição do material, de acordo com a pasta, foi de R$ 19,5 milhões e contempla informações aos pais e aos seus filhos. “Além da estrutura que está sendo fornecida e desse novo método que chamamos de educação mediada por tecnologia, os pais e responsáveis serão essenciais para o sucesso da aplicação, pois eles terão que acompanhar os filhos, incentivar a adesão de uma rotina de estudos e estreitar as relações com as escolas”, disse Henrique.

Questionado sobre como será o acompanhamento dos alunos em relação às atividades aplicadas, Henrique destacou que os familiares alfabetizados ou professores, a distância, poderão apoiar os alunos no entendimento dos materiais enviados. “Cada escola conhece bem a sua realidade e claro que aquele aluno em maior vulnerabilidade, com menos acesso aos meios digitais, terá uma atenção maior, com mais atividades que serão entregues pela escola e depois corrigidas pelos professores”, afirmou.

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Sobre a presença dos alunos, o subsecretário lembrou que o monitoramento será pelo login nos aplicativos, mas o que terá um peso maior é a realização das tarefas. “Queremos chegar aos alunos das mais diversas formas, utilizando aplicativo de mensagens, as plataformas, a TV e sabemos que poderemos encontrar falhas, que teremos que reparar ao longo desse período em que tudo é novo para todos.”

O retorno das aulas de forma presencial, destaca, ainda é incerto e a maneira de aplicação das avaliações está em estudo pela pasta. Ele lembrou que quando a quarentena chegar ao fim e for seguro normalizar o ensino, a política de reforço e recuperação também será reestruturada para que nenhum aluno seja prejudicado.

Adaptação

Há 27 anos atuando dentro das salas de aula, a professora Silvana Aparecida Pereira, 47, passa agora por uma situação inédita. A sala de casa tornou-se seu ambiente de trabalho e acostumar-se com tantas tecnologias ao mesmo tempo é um desafio que ela quer enfrentar para auxiliar os alunos.

Lecionando geografia na Escola Estadual Hélio Del Cistia, Silvana conta que desde o início da quarentena, antes da antecipação das férias e recesso escolar, em 23 de março, os professores já começaram a preparar atividades que foram disponibilizadas aos alunos. “Cada sala também tem um grupo de Whatsapp e nós vamos sanando dúvidas e orientando no que eles precisam.”

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Se para os professores o ensino mediado por tecnologia é uma novidade, para os alunos a situação é diferente. E não é somente o estudante que precisa se adaptar: a família toda é colocada à prova. Fernanda Aparecida Ribeiro, 37, é mãe de Yara Ribeiro Alvez, 14, que estuda na escola José Roque de Almeida Rosa, na Vila Formosa, e já tem acessado a plataforma estadual para se ambientar.

“Acaba virando um evento para a família toda e aqui em casa, como temos só um computador, é preciso se organizar bem, já que estou trabalhando em home office”, conta ela — que baixou o aplicativo e seu smartphone por conta da melhor memória e se reveza com a filha para o uso. Yara conta que tem gostado da experiência, mas sente falta da presença dos amigos de classe e dos professores.

 

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