Sorocaba e Região

Espera por atendimentos nas UPHs aumenta de forma geral na cidade

Na unidade Zona Leste, alguns pacientes aguardaram por horas. Segundo eles, funcionários alegaram haver apenas quatro médicos no local
A sala de espera da Unidade Pré-Hospitalar (UPH) Zona Leste ficou lotada. Crédito da foto: Cortesia/ Clemilson de Oliveira

 

A pandemia de Covid, a sobrecarga e estafa das equipes médicas, a falta de número funcionários para dar vazão à demanda e até encaminhamentos equivocados estão causando lotação e espera em praticamente todas as unidades de saúde de Sorocaba, inclusive nas Unidades Pré-Hospitalar (UPH).

Os pacientes que procuraram atendimento nesta quarta-feira (6) na UPH Zona Leste, na Vila Hortência, precisaram de paciência. O tempo de espera chegou a quase sete horas para alguns pacientes. Segundo quem aguardava por consulta médica, até mesmo pessoas com quadros sérios de saúde não receberam auxílio imediato. A sala de espera, informaram os usuários do serviço de saúde, ficou lotada. Por isso, houve aglomeração. A unidade é a mesma onde foram instalados, nesta quarta (6), dez novos leitos Covid.

O empresário Clemilson de Oliveira, 38 anos, chegou à unidade às 8h. Ele buscou atendimento em razão de “uma dor insuportável nas costas.” Quinze minutos depois, às 8h15, passou pela triagem. Porém, após quase sete horas, às 14h45, ainda não havia sido atendido.

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Conforme Oliveira, funcionários da ouvidoria da UPH atribuíram a demora ao excesso de demandas. Além disso, alegaram haver apenas quatro médicos no posto. Dois deles seriam responsáveis, exclusivamente, pelo setor de Covid-19. Isto é, somente dois estariam disponíveis para atender os casos gerais. Um colaborador, afirma Oliveira, também mencionou o não comparecimento de alguns especialistas ao trabalho, nesta quarta (6). Contudo, completa, a ouvidoria negou a informação. “Esperar mais de seis horas, com dor, é desumano”, criticou ele.

Quando o relógio já se aproximava das 15h, a espera da doméstica Lucélia Ferraz de Oliveira Tellini, 67 anos, completava, aproximadamente, seis horas. Ela fraturou a clavícula há cerca de oito meses, em um acidente de motocicleta. Desde às 9h, aguardava por avaliação médica e realização de exames, a exemplo de raio-x, para averiguar as condições do osso quebrado. A situação, disse, é recorrente na unidade.

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Outra paciente, que preferiu não ser identificada, sofre de uveite (doença ocular inflamatória). A mulher buscava atendimento com um clínico geral, para a obtenção de uma guia. Ela necessita da autorização para prosseguir com o tratamento do problema de visão no Banco de Olhos de Sorocaba (BOS). Assim como Lucélia, ela deu entrada na unidade às 9h e, mais de cinco horas depois, a incerteza de quando teria a sua demanda solucionada. “É um descaso. Algumas pessoas chegaram a passar mal na recepção e, mesmo assim, não foram atendidas”, contou.

Apesar das reclamações, segundo um funcionário que preferiu não se identificar, esses dois últimos pacientes não precisariam passar pelo UPH, por não serem casos emergenciais. Segundo ele, seriam casos que deveriam primeiramente passar pelo posto de saúde.

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O Cruzeiro do Sul questionou a Prefeitura de Sorocaba sobre a demora nos atendimentos e aguarda retorno. (Vinicius Camargo) 

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