Sorocaba e Região

Empresários analisam a reabertura do comércio e consequências da quarentena

Impacto no setor econômico é certo e a maneira a ser adotada para volta à normalidade divide opiniões
Empresários analisam a reabertura do comércio e consequências da quarentena
Alguns empresários defendem a reabertura imediata do comércio em 2 ou três semanas; já outros, que o processo seja gradual daqui um tempo maior. Crédito da foto: Arquivo JCS

Empresários, analistas e consultores ouvidos na manhã desta segunda-feira (30) pelo Jornal da Cruzeiro, na Cruzeiro FM 92,3, falaram sobre a necessidade da reabertura do comércio e serviços, além das consequências da quarentena para a economia de Sorocaba e do País.

Por conta do decreto municipal 25.663, de 21 de março, que reconhece o estado de calamidade pública, decorrente da pandemia do novo coronavírus, uma das principais medidas foi a determinação do fechamento geral do comércio, incluindo os shopping centers. Além disso, o decreto estadual 64.881, de 22 de março, recomenda que a circulação de pessoas no âmbito do Estado se limite às necessidades imediatas de alimentação, cuidados de saúde e exercícios de atividades essenciais.

Para o empresário Luiz Ramires, a reabertura do comércio é necessária e deveria ser imediata. Ele afirma que isso poderia ocorrer já no dia 7 ou 12 de abril, e que prolongar esse prazo seria muito arriscado. “Não pode passar de mais 10 ou 15 dias, que é o limite. É um absurdo estarmos com tudo fechado. Sorocaba está perdendo com isso e com certeza absoluta não tem como segurar isso. É uma imbecilidade dizer que a gente é contra a vida. O País precisa voltar à sua normalidade no comércio e no setor de serviços e também as indústrias”, diz.

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Luiz Ramires. Crédito da foto: Arquivo JCS

Ramires disse ainda que o governo do Estado voltou atrás e percebeu que as indústrias não podem parar — e logo, na sua opinião, o comércio e os serviços também precisam retomar suas atividades. “Tem que ser mantidas, logicamente, todas as necessidades preconizadas pelo Ministério da Saúde e outras autoridades, nós temos que cuidar de nós, mas temos sim que ir para a rua, as pessoas que têm condições de trabalho, elas têm que trabalhar e rápido, e isso não pode passar de duas semanas de jeito nenhum”, afirma o empresário.

Retorno gradual

Já o gestor da Agência de Tecnologia e Inovação de Sorocaba (Inova), Nelson Cancellara, acredita que ainda é cedo para um retorno maciço e que as atividades do comércio e serviços devem pensar em um retorno gradual. “Na minha percepção isso irá ocorrer de forma gradual, mas não agora. Não acredito, por exemplo, que no próximo dia 7 tudo volte ao seu ritmo normal, mas seria ótimo se voltasse”, diz.

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Nelson Cancellara. Crédito da foto: Arquivo JCS

Cancellara defende um retorno das atividades econômicas que estão totalmente paralisadas por conta da pandemia da Covid-19 de forma gradual, mas que seja definida uma data para o retorno. “Um retorno rápido, neste momento, eu não acho que seja benéfico. Daqui 30 dias acredito que é o momento ideal para a gente se posicionar e ir preparando gradualmente o retorno das atividades”, disse.

O diretor titular do Ciesp Sorocaba, Erly Domingues de Syllos, afirma que o comércio no Brasil todo está se movimentando para voltar a trabalhar. Para ele, o pequeno empresário não tem mais fluxo de caixa nenhum e o cidadão que trabalha com uma microempresa, como uma cabeleireira ou uma manicure, ou seja, o profissional liberal de uma forma geral, trabalha ganhando a sua renda diariamente, necessitando do dinheiro para sobreviver. “Está todo mundo querendo voltar, porém, primeiro de tudo a gente tem que trabalhar com a não disseminação do novo coronavírus. Então, temos que analisar, de acordo com os meios de saúde, qual seria a melhor tipo de isolamento, se vertical ou horizontal”, diz.

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Erly de Syllos. Crédito da foto: Arquivo JCS

Conforme Erly, é preciso analisar, neste momento, não só o impacto na saúde, mas também na economia, que pode ser muito forte. “Pode ser um caos total daqui dois ou três meses e uma quebradeira geral com demissões. Então, as pessoas não vão morrer do vírus, mas vão acabar morrendo de fome ou de outro tipo de doença”, aponta.

Impacto significativo

O consultor e ex-secretário municipal, Luiz Cristiano Leite, destaca que o impacto na economia será significativo. “Acredito que as indústrias maiores, com o tempo, se reorganizarão, mas as médias terão tempos difíceis e muitas irão sucumbir. E as pequenas praticamente voltarão a zero, e com muitos problemas”, aponta.

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Luiz Cristiano Leite. Crédito da foto: Arquivo JCS

Leite cita ainda que no caso do comércio, quando este retomar suas atividades a recuperação do setor será lenta, principalmente porque os consumidores estarão muito seletivos em suas compras diante do atual cenário. “A discussão da reabertura do comércio é uma visão de um lado econômica e do outro médica. Qualquer opinião é muito complicada, mas com certeza os riscos para a economia parada são grandes”, diz.

Já a empresária Maristela Honda e vice-presidente do Seconci-SP, entidade responsável pela gestão do Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), também acredita que o impacto no comércio será significativo, principalmente porque para alguns tipos de serviços nem sempre há a opção delivery e estes dependem do cliente visitar fisicamente o estabelecimento.

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Maristela Honda. Crédito da foto: Arquivo JCS

Outro impacto negativo para Sorocaba, Maristela cita, é a questão de apenas 40% da frota de ônibus estar em circulação, o que está dificultando o acesso dos trabalhadores na construção civil, por exemplo, e também de pacientes e de funcionários do CHS. “Isso tem provocado aglomerações nos transportes públicos, um efeito contrário do isolamento. Contra isso, o Seconci-SP, ingressou na Justiça, como terceira parte no processo do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que analisa a paralisação do transporte coletivo na cidade”, diz. (Ana Cláudia Martins)

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