Sorocaba e Região

Duplicação de trecho perigoso da Raposo Tavares ainda não tem data

Entre sexta-feira e sábado, houve quatro acidentes e duas mortes no local
Conversão perigosa feita na entrada do bairro Genebra. Crédito da foto: Emídio Marques (27/1/2020)

*Atualizada às 12h

O trecho da rodovia Raposo Tavares, que corta os municípios de Sorocaba, Alumínio, Mairinque e São Roque, tem aproximadamente 30 quilômetros de pistas simples e entre sexta-feira e sábado quatro acidentes foram registrados na via. Apenas o trecho entre Mairinque e São Roque tem pista dupla. A CCR ViaOeste informou que o trecho será duplicado, mas não informou quando isso ocorrerá porque depende de licença ambiental da Cetesb. Já a Artesp afirmou que a duplicação está prevista para 2021.

Duas pessoas morreram naquele trecho, entre elas o ex-prefeito de Sorocaba José Theodoro Mendes, no final da tarde de sexta, no quilômetro 84, ao tentar acessar o bairro Genebra. A outra colisão, no mesmo dia, só que durante a manhã, causou a morte de um rapaz de 22 anos, em Alumínio, no quilômetro 73.

Ainda no sábado de manhã, dois acidentes aconteceram no quilômetro 76 da rodovia, ambos no período da manhã. Segundo informações da Polícia Militar Rodoviária, dois veículos colidiram por volta das 6h e um dos motoristas envolvidos teria informado que teve a visão obstruída pelo sol ao tentar acessar a Raposo Tavares. Horas depois um outro motorista disse ter se confundido com as placas e por isso parou o carro na faixa, sendo atingido por um motociclista. Nesses dois casos as vítimas tiveram ferimentos leves.

Além dos acontecimentos do final de semana, quem passa todo dia pela rodovia conta ser frequente a ocorrência de colisões. Um dos pontos delicados é no acesso ao bairro Genebra, já que não há um retorno elevado e muitos motoristas acabam se arriscando na travessia da faixa contínua no local. O mesmo problema é visto nas três cidades que beiram a rodovia em sequência.

No caso do acesso ao Genebra, um retorno, a cerca de dois quilômetros, é ignorado pela maioria dos motoristas, já que o local também exige o cruzamento na rodovia. “Às vezes a gente fica esperando bastante até conseguir cruzar de forma segura. No retorno da frente eu acho mais perigoso ainda, porque tem uma curva e diminui muito a visibilidade”, conta José Cláudio Bandeira, 51 anos, que duas vezes por semana sai de sua casa, no Wanel Ville, para ir até o Genebra fazer entrega de mercadorias.

Diariamente Ana Quézia dos Santos Albuquerque, 18 anos, precisa se arriscar ao acessar a Raposo Tavares. Ele leva e busca os filhos e o sobrinho na escola, localizada no bairro Brigadeiro Tobias. “A gente sente que a qualquer momento pode acontecer o pior aqui. Eu já perdi as contas de quantas pessoas já morreram aqui nessa entrada”, lamenta. “Muita gente vem do sentido Sorocaba e nem entra no acostamento para esperar até poder atravessar. Do jeito que está vindo na pista já vira com tudo”, complementa.

Retorno também obriga motorista a cruzar a rodovia. Crédito da foto: Emídio Marques (27/1/2020)

 

Pedestre

Além do risco aos motoristas, a dona de casa Fabiana Mendes, 39, que há seis anos reside no bairro, aponta que pedestres também correm perigo nas proximidades. A falta de uma passarela próxima é apontada por ela como descaso com a população. “Muita gente vem da escola nos ônibus intermunicipais, já que não tem linha municipal direto pro Genebra. Aí a pessoa desce e tem que atravessar correndo a pista”, relata a mulher, que por ter fortes dores nas pernas, prefere não se arriscar. Ela conta que muitas pessoas que trabalham em Alumínio e também em São Paulo precisam atravessar a rodovia para embarcar nos ônibus.

Duplicação

A CCR ViaOeste, questionada ontem pelo Cruzeiro do Sul, informou que “a duplicação da rodovia Raposo está confirmada nos trechos que ainda estão em pista simples: entre o km 46 e km 63 (entre Vargem Grande Paulista e São Roque) e do km 67 ao km 89 (entre Mairinque e Sorocaba). A concessionária está trabalhando para obter as licenças ambientais, que são emitidas pela Cetesb. Os projetos funcionais e executivo também devem ser aprovados pela Agência Reguladora (Artesp). Somente após vencer estas etapas fundamentais, poderá ser definido o cronograma de trabalho com a data de início das obras e com todos os dispositivos que serão desenvolvidos”.

Já a Artesp informou que existe a previsão de duplicação da SP-270, entre o km 67 ao km 86,9, com início no primeiro semestre de 2021. “Por ocasião do acerto do projeto, serão estudados os dispositivos (retornos e acessos) que serão implantados para a melhor operacionalidade da rodovia e outros equipamentos necessários”, informou em nota. (Larissa Pessoa)

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