Covid-19 Sorocaba e Região

Doação de álcool em gel chama a atenção em mercado de Votorantim

Comerciante diz que ação é uma forma de combater os preços abusivos em meio à pandemia de coronavírus
Entre esta quinta (19) e sexta-feira (20) o mercado doou álcool em gel para mais de 500 pessoas. Crédito da foto: Vinícius Fonseca (20/03/2020)

Mesmo diante dos preços abusivos que estão sendo praticados na comercialização do álcool em gel, há pessoas que colocam a solidariedade em primeiro lugar e deixam o lucro de lado. Exemplo disso é o comerciante Paulo Kiwnori Nagae da Silva, 20, que é sócio proprietário de um minimercado no bairro Rio Acima, em Votorantim. Entre esta quinta (19) e sexta-feira (20) ele doou álcool em gel para mais de 500 pessoas.

O álcool em gel é recomendado pela Organização Mundial da Saúde como forma de higienização das mãos a fim de evitar a transmissão do novo coronavírus. Desde o início da pandemia, os preços de frascos da substância dispararam.

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Antes do problema de saúde pública, Paulo conta que comercializava o frasco de 500 ml de álcool em gel por R$ 5,80, mas nos últimos dias os fornecedores mais que dobraram o preço. “A embalagem do mesmo tamanho veio do fornecedor R$ 12 e nós ficamos muito chateados com a situação pois sabemos que é uma necessidade da população”, ressaltou.

Alguns lotes, conta o comerciante, tiveram reajuste de até R$ 300 e por isso a família, que já é proprietária do minimercado há 21 anos, decidiu comprar galões de álcool em gel e fracionar para distribuir entre os clientes. “Hoje vamos receber mais galões por R$ 90 cada. Entre vender por um preço absurdo ou doar, resolvemos fazer o que é correto neste momento”, frisou o rapaz.

Desde a tarde de quinta-feira o estabelecimento recebeu álcool em gel e entre 17h e 23h cerca de 300 pessoas foram até o local para receber a doação do produto. “Para que não falte para ninguém, estamos distribuindo 50 ml para cada cliente”, explicou. Somente na manhã de sexta-feira mais 200 pessoas estiveram no mercado para receber o álcool em gel.

Além da preocupação com a comunidade, Paulo destaca que a atitude também foi tomada pensando nos clientes mais vulneráveis. Ele lamenta, entretanto, que as vendas do minimercado diminuíram nos últimos dias. “Estamos vendo que as pessoas estão se desesperando e lotando os carrinhos nas grandes redes, mas deveriam se conscientizar que os comércios de bairro necessitam mais, principalmente nesse momento de crise”, alertou.

Sobre os estoques para doação, Paulo afirmou que não sabem por quanto tempo deve durar, já que a procura está muito grande. “Espero que os fornecedores se sensibilizem e deixem de lado a lucratividade. Queremos ajudar a maior quantidade de pessoas possível”, finalizou.

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