Diretor do Inpe cita óleo no nordeste como desastre ambiental inédito

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Darcton durante evento em Sorocaba. Crédito da foto: Fábio Rogério (11/11/2019)

Abertura do fórum de sensoriamento remoto, sediado no PTS, reuniu cerca de 400 pessoas. Crédito da foto: Fábio Rogério (11/11/2019)

O diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Darcton Policarpo Damião, disse ontem à noite, em Sorocaba, que a tragédia ambiental com vazamento de óleo no Nordeste brasileiro “é um desastre inédito na história e no mundo”. Segundo ele, a origem do óleo “ainda é um mistério” e o tipo de substância que atinge as praias é de difícil detecção. Como comparação, citou dois exemplos de desastres ambientais no mar, um no Alasca e outro na costa da Carolina do Norte (nos EUA) e nas duas situações a origem do vazamento era conhecida. O caso brasileiro é diferente, não se tem notícia de ocorrência semelhante.

Essa exposição foi feita por Darcton em entrevista momentos antes da abertura oficial do fórum sobre sensoriamento remoto (Serfa 2019, 9ª edição) realizado no Parque Tecnológico de Sorocaba. A abertura oficial foi anunciada pelo tenente-brigadeiro Paulo João Cury, comandante geral de Apoio da Força Aérea Brasileira (FAB).

Darcton disse que é difícil prever quando os grupos de trabalho brasileiros vão identificar o local de origem do vazamento: “É um trabalho que não vai se esgotar enquanto não chegar (à origem do vazamento). O pessoal está trabalhando 24 horas por dia, 7 dias por semana”, descreveu o diretor do Inpe.

Nesse processo, equipes do Inpe, com suporte de cientistas de várias áreas e outros órgãos da Marinha e do governo, trabalham para identificar a origem do vazamento com o método de percorrer em sentido inverso o caminho traçado pela substância pastosa e escura que assusta pescadores e turistas nas praias. Assim que o objetivo for alcançado, o passo seguinte será verificar se a origem do problema ainda tem volume de vazamento e em que quantidade ou se essa suposta fonte do desastre se extinguiu.

Darcton durante evento em Sorocaba. Crédito da foto: Fábio Rogério (11/11/2019)

Darcton falou também sobre a Amazônia e afirmou que a técnica do sensoriamento remoto ajuda as ações de prevenção contra queimadas e desmatamentos da floresta. Um satélite de órbita polar passa sobre a Amazônia a cada 16 dias e, com uma constelação de satélites, as informações são aproximadas e isso resulta em boletim de quanto de desmatamento afeta a floresta. A medida também vale para o cerrado brasileiro e outros biomas.

Autoridades

Antes do início oficial dos trabalhos, participantes e convidados se reuniram em clima de confraternização. Estavam presentes, além dos representantes do Inpe e da Força Aérea, o diretor do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP), vice-almirante Noriaki Wada; o deputado federal Jefferson Campos, e o deputado estadual Carlos Cezar, ambos do PSB. O presidente do Parque Tecnológico, Roberto Freitas, recebeu o público com discurso sobre “um novo tempo” e anunciou o plano de inaugurar no PTS um laboratório aeroespacial.

O tenente-brigadeiro Cury falou sobre a importância de Sorocaba sediar um encontro do Serfa 2019, pela primeira vez realizado numa cidade fora de São José dos Campos, onde fica a sede do Inpe: “As pessoas que estão aqui são tops na área de tecnologia. Aviação e espaço são o futuro.” Ele elogiou a vocação de Sorocaba para sediar empresas de manutenção e reparo de aviões na região do aeroporto da cidade: “Vocês estão no lugar certo e na hora certa.” O público da abertura dos trabalhos foi avaliado pela organização em 300 a 400 pessoas. (Carlos Araújo)