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Dia Mundial da Água: consumo consciente e reutilização são essenciais

22 de Março de 2019 às 07:31
Ana Claudia Martins [email protected]

Água: consumo consciente e reutilização são essenciais Fábrica de jeans investiu em estação de tratamento e água é reutilizada na produção, explica Felipe. Crédito da foto: Erick Pinheiro

A água pode ser considerada o elemento mais precioso para a vida de todas as espécies existentes no planeta, incluindo o ser humano. Sem água, dizem os ambientalistas, a vida na Terra seria praticamente impossível. Hoje é comemorado o Dia Mundial da Água e todos concordam também que é preciso fazer o consumo de forma consciente e combater o desperdício, mas sobre o fato dela ser considerada um recurso finito ainda não é consenso entre os especialistas.

O professor e geógrafo, Luis Antonio Bittar Venturi, do Departamento de Geografia, da Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, afirma que não é correto afirmar que a água é um recurso finito. Segundo ele, o correto é dizer que “captar, tratar e distribuir água é caro, então, economize, ou ainda que a capacidade da sociedade de tratar e distribuir água para assegurar o abastecimento é finita, ou seja, economize.”

Por conta disso, muitas empresas, hospitais e até condomínios residenciais têm investido em equipamentos e tecnologias para reduzir o consumo de água potável que é utilizada.

O Cruzeiro do Sul conheceu empresas locais que fazem o reúso da água em seus processos produtivos, como a Sorocaba Refrescos, que produz refrigerantes, sucos e outras bebidas da marca Coca-Cola, e reduziu em 20% o volume necessário para a produção de um litro de bebida na fábrica. A confecção Emphasis, em Votorantim, investiu em estações de tratamento e hoje, revela o diretor da lavanderia, Felipe Cavaliunas Ferreira, 70% da água que consome é de reúso. Confira a seguir algumas iniciativas para o uso racional e para a reutilização da água.

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Sorocaba tem 1,3 mil nascentes

A Prefeitura de Sorocaba afirma que tem ciência de 1.302 nascentes existentes em Sorocaba, segundo levantamento que ainda está sendo feito para identificá-las. “A maior concentração de nascentes está nas regiões leste e sudeste, porém há nascentes por todo o município”, diz a administração municipal destacando que o levantamento segue em andamento por meio da Secretaria de Meio Ambiente, Parques e Jardins (Sema). De acordo com a pasta, o levantamento já percorreu 77% da área a ser averiguada. Em outubro de 2014 imagens de satélite mostraram a existência de 2,8 mil nascentes em Sorocaba.

As nascentes são pontos de onde a água verte através da superfície do solo e abastecem os riachos, córregos e cursos d’água, que, por sua vez, abastecem os rios. Se não houver a proteção das nascentes, menor será a vazão de água disponível e os cursos d’água podem secar e a qualidade das águas será prejudicada, afetando todos os seres vivos que dependem dela para sobreviver. Deste modo, é fundamental que as nascentes sejam identificadas e que sejam feitas ações para preservá-las, como determina a legislação ambiental. Protegidas pelo Código Florestal (lei federal nº 4771/1965), a legislação define o limite para a Área de Preservação Permanente (APP) da nascente num raio mínimo de 50 metros em seu entorno.

Preservação das nascentes

De acordo com a Sema, o levantamento tem o objetivo de catalogar as nascentes existentes e avaliar as condições de preservação. “Existe o trabalho de identificação e ele é realizado com a averiguação de todos os locais da cidade onde haja a possibilidade de haver uma nascente. O cadastro das nascentes é a primeira etapa para conhecer quantas são, onde estão e as suas condições de preservação, para atuar com ações para preservá-las”, diz a pasta.

A Sema diz ainda que preservar nascentes em parques municipais e em unidades de conservação ambiental é mais fácil, pois além da proteção prevista em lei, estes locais possuem estrutura e possibilidade de investimentos em execução de planos e estratégias de preservação junto à comunidade que vive no seu entorno.

De acordo com a Sema, existem nascentes, por exemplo, em oito parques municipais e em três estações ecológicas da cidade, são eles: Biquinha, Água Vermelha, Ouro Fino e Chico Mendes, que possuem um total de nove nascentes catalogadas. Já o zoológico Quinzinho de Barros e o Jardim Botânico Irmãos Villas-Bôas possuem três nascentes cada. E os parques naturais, como o da Biodiversidade e o de Brigadeiro Tobias, além das estações ecológicas Mário Covas, Bráulio Guedes e Pirajibu, possuem o total de sete nascentes registradas.

Preservar a vegetação em torno das nascentes é uma das formas mais importantes de proteção também na área urbana. No ano passado foi feito o plantio de 313 árvores nativas em torno de uma nascente localizada numa praça da Vila Melges, entre a rua Antônio Fausto e a rua Francisco Loureiro.

Preservação da mata e arborização

Água: consumo consciente e reutilização são essenciais Plantio de árvores tenta proteger nascente localizada numa praça da Vila Melges. Crédito da foto: Divulgação / Secom Sorocaba

O professor de Ciências Biológicas da Universidade de Sorocaba (Uniso) e biólogo, Nobel Penteado de Freitas, afirma que é fundamental preservar as nascentes e toda a área de mata nativa no entorno delas. Segundo ele, para preservar as nascentes existentes na cidade é preciso investir nos plantios, reflorestamento e arborização nas áreas verdes, onde as nascentes são encontradas.

Sorocaba possui algumas nascentes modelo pelo seu estado de preservação e conservação, que inclui a limpeza e manutenção das proximidades. Uma delas pode ser visitada pelo público no Parque da Água Vermelha João Câncio Pereira. Segundo a Sema, a nascente foi escolhida como modelo pela sua peculiar situação de conservação e aspectos relevantes para a educação ambiental. Já a outra nascente modelo está localizada no interior do Parque Natural Ouro Fino.

De acordo com a Sema, a recuperação das matas ciliares é fundamental para manter a qualidade e o fluxo da água de uma nascente e assim ajudar na preservação da natureza. “No seu entorno são encontradas muitas árvores nativas, como aroeiras, ipês e outras”, diz a pasta. (Ana Cláudia Martins)