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Sorocaba e Região

Dia do professor: a missão de ensinar também abre portas para o aprendizado

A data é celebrada nesta terça-feira (15) e o Cruzeiro do Sul mostra exemplos de dedicação e trocas
Daniela deixou a engenharia para se dedicar à carreira de professora. Crédito da foto: Fábio Rogério (14/10/2019)

 

Todo mundo tem algum professor inesquecível e ele pode ser lá da educação infantil, do fundamental, do técnico, do médio ou até mesmo do ensino superior. Nesta terça-feira (15),  Dia do Professor, o Cruzeiro do Sul traz histórias de dedicação de quem ensina e da relação de mestre e alunos.

A linguagem em Libras era totalmente desconhecida para Angelita Nara De Mello Siqueira, 38, até ela se deparou com o aluno Vinícius Camargo, 9, em 2017, quando ele, deficiente auditivo, ingressou no primeiro ano da rede municipal de ensino de Piedade. “Ninguém conseguia se comunicar com ele e muitas vezes, nos primeiros dias, ele chorava e se escondia”, relembra a professora. O pequeno tinha começado a fazer o curso de Libras em Sorocaba e por conta própria Angelita decidiu aprender também.

Com apoio total da diretora da unidade, Lenita Nunes de Araújo Machado, 39, Angelita passou a ensinar os outros alunos da turma e os funcionários da escola. “Focamos nas expressões básicas, como banheiro e merenda e então eu fui buscar uma forma de alfabetizá-lo”.

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A escola recebeu também uma intérprete, que facilitou ainda mais a aprendizagem no menino, que hoje já está na 3ª série. “A linguagem em libras foi libertador pra ele e vejo o Vinícius com um futuro brilhante”, comemora a professora. “Ele me trouxe uma experiência de vida gigantesca que eu nunca vou esquecer. Me mudou como professora e me deu coragem pra enfrentar outras dificuldades da sala de aula”, afirma.

Mudança radical

A professora Daniela Zenardi, 40, leciona no Centro de Educação Infantil 16 (CEI-16), na Vila Carvalho, em Sorocaba, e para seguir com o sonho de estar nas salas de aula, abandonou o curso de engenharia civil. “Eu gostava da teoria, do método de ensino, mas a prática não me deixava feliz. Foi um grande impacto para a minha família, mas não me arrependo de forma alguma”, afirma a professora, que recorda sua primeira inspiração na educação. “A professora Isaura, que me alfabetizou, plantou em mim um amor pelo saber, por querer ensinar e isso ficou no meu coração.”

Ela conta que desde muito pequena, quando ganhou uma lousa, reunia as crianças menores do bairro, que estavam com alguma dificuldade na escola, e dava aulas na garagem. Hoje, no CEI-16, ela realiza vários projetos com os pequenos, de três e quatro anos.

Daniela conta que também aprende com os alunos diariamente lições importantes de amor, perdão e empatia. “Eles chegam de braços abertos, dão flores, quando se desentendem, rapidamente se perdoam e seguem brincando”, destaca a professora, que também tem duas especializações em psicopedagogia.

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Alunos e amigos

 

Thífani: “a troca é incrível”. Crédito da foto: Acervo pessoal

 

A cada semestre uma nova leva de adolescentes e adultos cruzam o caminho da professora Thífani Postali, 37, que leciona para vários cursos da Universidade de Sorocaba (Uniso). Graduada em Comunicação Social, ela se encantou pela vida acadêmica e concilia também com a pesquisa e a publicidade. “A sala de aula é uma experiência encantadora. É sempre gente com muita bagagem e a troca é riquíssima”, conta ela, que em muitos casos transformou a relação entre mestre e aluno em amizade.

Conviver com os universitários, destaca Thífani, é como uma dose diária de energia e juventude. “Eu não estou ali só ensinando. Estou aprendendo tanta coisa, com tantas vivências diferentes que eles me apresentam, então saio sempre renovada.” Ela relembra que nas primeiras aulas que deu, sentia um frio na barriga e receio, mas depois as primeiras vezes diante de uma nova turma se tornaram mais tranquilas, mas nunca deixam de surpreender. “Acho que eles também se identificam comigo por eu gostar de games, falar a linguagem deles e considero muitos como amigos mesmo, até alguns que já concluíram há muito tempo a graduação”, finaliza. (Larissa Pessoa)

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