Sorocaba e Região

Com as altas temperaturas, desidratação é ameaça grave à saúde dos idosos

Com a idade, a pessoa perde a sensação de sede e, com isso, diminui a ingestão de líquido
calor e os idosos
Iracema Aparecida não brinca com a saúde — procura hidratar-se direito – Foto: Erick Pinheiro

Que o forte calor que ocorre em Sorocaba pode ser prejudicial à saúde do idoso, e que é necessário manter uma alimentação leve e boa hidratação neste período, não é novidade para ninguém — e o idoso lúcido sabe disso e vai se precaver. Entretanto, há dois tópicos que devem estar presentes para quem tem sob seus cuidados idosos que apresentam alguma forma de pertubação mental; o primeiro, é que envelhecer também significa perder nossas reservas de água e que, por isso, os cuidados com idosos e os problemas decorrentes do calor precisam ser constantes. O segundo é que esses idosos não possuem mais — já esqueceram — tal consciência.

O alerta é do médico geriatra Vicente Spínola Dias Neto, coordenador de ensino de Geriatria da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, vice-presidente da Academia Íberoamericana de Geriatria e Geontologia, e membro honorário estrangeiro da Sociedade Argentina de Geriatria e Geontologia.

De acordo com o especialista, a expectativa de vida vem aumentando, mas não dá para ignorar que, com o envelhecimento, o corpo passa por alterações que o deixam mais fragilizado. Como forma de ilustrar as modificações no corpo humano, o médico cita que aos 80 anos de idade a pessoa perde 50% da reserva renal, podendo perder a função do órgão em caso de desidratação. Também nessa faixa etária se tem 15% a menos de água no corpo, conforme destacou o geriatra, para quem o idoso é considerado um desidratado crônico, e que ele necessita estar sempre se hidratando.

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calor e os idosos
O médico geriatra recomenda muita atenção aos idosos com demência – Foto: Emidio Marques/Arquivo JCS (09/11/2011)

Vicente Spínola comenta ainda que, com o envelhecimento, a pessoa perde a sensação de sede, passando a sentir apenas a boca seca, e isso leva a diminuir a ingestão de líquido. Entretanto, a maior preocupação do geriatra se refere ao idoso com demência, pois o lúcido saberá compreender que precisa se hidratar mesmo sem necessariamente sentir sede. No caso dos dementes, o geriatra atenta que em algumas situações é preciso até mesmo incluir espessantes na alimentação líquida à fim de deixá-la mais consistente, evitando ser aspirada.

Mas como se alimentar e se hidratar corretamente? O geriatra explica que tudo é variável, de acordo com o quadro clínico de cada indivíduo — Spínola conta que, em média, uma pessoa tem, aos 65 anos de idade, 3,8 doenças ocorrendo ao mesmo tempo e, aos 80, cinco doenças. Assim, dúvidas sobre o tipo de alimento permitido ao idoso devem ser resolvidas com o médico.

Vicente Spínola orienta que o ideal é consumir dois litros de líquido por dia, mas que não precisa ser somente água, podendo acrescentar na hidratação os sucos naturais de frutas como melão e melancia. A boa ventilação do ambiente também é um fator que precisa ser considerado.

Sombra e água fresca

Moradora no Asilo Vila dos Velhinhos de Sorocaba, a técnica de enfermagem aposentada Iracema Aparecida Bicudo, de 68 anos, disse não sofrer com o calor dos últimos dias, exatamente por dispor de áreas arborizadas no local, e ainda poder dormir com a janela aberta.

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Segundo ela, além das áreas com bastante sombra por conta das árvores, a presença de filtros de água espalhados por vários corredores do Asilo também facilita a ingestão de líquidos. Ela cita ainda que a nutricionista da entidade, preocupada com o bem estar dos assistidos, monta sempre um cardápio leve.

Outra moradora da Vila dos Velhinhos, a professora aposentada Maria de Lourdes Gomes Martins, comentou que além dos espaços arejados e sombreados, tomar vários banhos por dia são também é uma forma de se refrescar.

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