Sorocaba e Região

De muletas ao RG, o que foi perdido pode ser recuperado

Uma média de 260 itens é esquecida por mês -- e apenas 25% deles são resgatados pelos donos
De muletas ao RG, o que foi perdido pode ser recuperado
Nas prateleiras, há de tudo, de coisas simples a esperanças perdidas, de um RG a carteira com os últimos reais. Crédito da foto: Emidio Marques

Guarda-chuvas, caixas de presente, óculos, documentos, capacete e até máquinas para fazer chapinha em cabelo estão entre os objetos que vão parar no setor de achados e perdidos do Terminal São Paulo. A correria do dia a dia, ou um momento de distração, fazem com que mensalmente uma média de 260 itens seja esquecida — somente 25% dos objetos são resgatados pelos donos.

Adriano Brasil, gerente de transportes da Urbes, conta que todos os objetos que são entregues nas centrais de informação dos dois terminais e também da rodoviária de Sorocaba, são catalogados e armazenados no l São Paulo e ali ficam por 60 dias.

“No caso de documentos, passado o prazo nós enviamos para os Correios. Já os medicamentos são levados ao Hospital Regional. Roupas e outros objetos em bom estado são doados para instituições de caridade”, relata. Somente em março, diz Adriano, foram esquecidos 315 itens, que ainda podem ser recuperados no local.

A agência central dos Correios (número 232 da rua São Bento) faz o armazenamento somente de documentos e atualmente há mais de 1.100 itens no local, entre RG, carteira de trabalho, título de eleitor e certidões diversas. Nesse caso, segundo Alcione Dorotilde Conceição Rafael Quadros Almeida, gerente da unidade, 16% dos documentos são devolvidos.

Muletas e janela

De muletas ao RG, o que foi perdido pode ser recuperado
Maria Dolores conta sobre a emoção das pessoas ao acharem o que consideravam desaparecido para sempre. Crédito da foto: Emidio Marques

Entre os objetos inusitados esquecidos estão aparelhos auditivos, cadeiras de rodas, muletas e até uma janela. Maria Dolores Miranda de Oliveira Campos, funcionária da Urbes há 29 anos e há três se dedicando ao setor de achados e perdidos, conta da emoção de pessoas ao reencontrar o que havia sumido.

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“Ainda é comum perderem carteiras com dinheiro e quem acha entrega intacto no guichê. Quando é devolvida ao proprietário, sempre é uma surpresa”, afirma Maria Dolores, que fica aflita ao receber itens como medicamentos, óculos de grau ou muletas. “Dá para ver que é uma coisa que a pessoa necessita muito e vai ter dificuldade para comprar outro ou viver sem.”

Celulares também são constantemente esquecidos e, para resgatar o objeto, a pessoa precisa descrever com detalhes o que perdeu. “Perguntamos o dia, quais linhas utilizou. A pessoa precisa comprovar que é dela falando a marca e, no caso de celulares, a gente pede para testar a senha também”, afirma a funcionária. No caso dos aparelhos, após 60 dias tudo é encaminhado à Polícia Civil.

De muletas ao RG, o que foi perdido pode ser recuperado
A Barbie também está presente nas prateleiras do setor de encontrados do Terminal São Paulo. Crédito da foto: Emidio Marques

Além de itens esquecidos nos terminais e nas rodoviárias, Adriano destaca que objetos encontrados em qualquer outro local podem ser entregues nos postos de informação. “É importante que as pessoas saibam que ao notar que perdeu alguma coisa, pode vir até o terminal buscar informações ou então entrar em contato por telefone. Temos tudo catalogado e registrado no computador.” O telefone do setor de achados e perdidos é 15 – 32349640 e funciona de segunda à sexta-feira, das 6h às 18h.

Documentos no Correio

Documentos achados devem ser entregues às agências dos Correios, ou depositados em qualquer caixa de coleta. Alcione conta que, além dos documentos enviados pelo Terminal São Paulo, também é comum recebê-los de lojas e supermercados. “Armazenamos aqui por 60 dias e caso não apareça o dono, os documentos são enviados aos órgãos emissores”, conta Alcione. Por mês aproximadamente 80 itens são catalogados.

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De muletas ao RG, o que foi perdido pode ser recuperado
Adriano, gerente da Urbes, lembra que os objetos ficam guardados no Terminal São Paulo por 60 dias. Crédito da foto: Emidio Marques

Para retirar o documento o cidadão deve apresentar outro documento que comprove sua titularidade e pagar R$ 5,70. Essa tarifa, conta Alcione, é facultativa. “Se a pessoa comprovar que é dona do item, mas não tiver dinheiro, é lógico que ela poderá levá-lo”, afirma. A consulta à relação de documentos encontrados pode ser feita em qualquer agência ou no site dos Correios, pelo link https://bit.ly/1K4ojGb.

Caso seja constatado que o documento perdido esteja em uma cidade diferente da que o proprietário se encontra, é possível solicitar para que seja enviado à agência mais próxima. Mensalmente, em todo o Brasil, mais de 20 mil documentos são disponibilizados para retirada nos Correios.

A taxa de devolução nacional é ainda menor quando comparada com Sorocaba. “Na cidade aproximadamente 16% dos documentos são procurados e devolvidos. No Brasil essa taxa fica em 3%”, informou a empresa pública. (Larissa Pessoa)

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