Sorocaba e Região

CVV tem aumento de 20% nos atendimentos durante a pandemia

Solidão e perdas são os principais motivos que levam à procura pelo acolhimento, que é gratuito e por telefone
CVV tem aumento de 20% nos atendimentos durante a pandemia e busca voluntários
Os atendentes voluntários passam por treinamento e se revezam no serviço, que funciona 24 horas por dia. Crédito da foto: Vinícius Fonseca (30/6/2020)

A solidão causada pelo distanciamento social e as perdas, sejam elas de entes queridos, de trabalho ou da liberdade, fizeram crescer em 20% as chamadas ao Centro de Valorização da Vida (CVV). Antes da pandemia, conta o coordenador de divulgação do CVV Sorocaba, Alcebíades Alvarenga, a média de chamadas diárias ficava em 180; agora, gira em torno de 215 atendimentos. Para seguir com o trabalho, a entidade busca novos voluntários.

Segundo Alvarenga, os relatos dos que buscam ajuda são diversos e muitos idosos passaram a procurar o serviço. “A pandemia acabou inflando a procura pelo CVV e a solidão e desamparo estão entre os principais sentimentos relatados, com muitos idosos falando da saudade de filhos e netos neste momento”, contou o voluntário.

As equipes de plantonistas voluntários segue com o trabalho 24 horas por dia e muitos estão prestando o serviço de casa. “Principalmente os idosos optaram por continuar com o atendimento, mas de casa, com mais segurança e isso não interfere em nada no nosso trabalho.” Além das chamadas telefônicas pelo 188, as pessoas também podem ser atendidas pelo site da entidade, via chat ou por email.

Novos voluntários

Para dar continuidade ao serviço prestado, o CVV Sorocaba busca novos voluntários. Hoje são 50 pessoas que se revezam nos plantões e o ideal, diante da alta demanda, seria pelo menos 100 plantonistas. “Precisamos de voluntários para não interromper o atendimento que oferecemos”, declarou Alvarenga.

Dada a impossibilidade de encontros presenciais por conta da pandemia, o curso preparatório para pessoas interessadas em se voluntariar acontecerá de forma on-line. O curso é gratuito e começa na próxima segunda-feira, dia 6, às 19h. Serão oito encontros de quatro horas, às segundas e quartas, pelo aplicativo Zoom.

O curso gratuito, explica Alvarenga, abordará a compreensão, aceitação, confiança e o respeito para ouvir, sendo necessária a idade mínima de 18 anos e disponibilidade de quatro horas semanais para o plantão de atendimento. O trabalho voluntário será realizado após a conclusão do curso na sede do CVV Sorocaba, localizada na rua Dr. Nogueira Martins, 334, no Centro ou de forma remota, caso o voluntário prefira.

Nesta edição é necessária a inscrição prévia para que os interessados recebam o link da sala de reunião. Os interessados devem enviar email para o endereço sorocaba@cvv.org.br ou mensagem pelo WhatsApp 15-99723-7156. O site do CVV é www.cvv.org.br.

Escuta Acolhedora acompanha familiares de vítimas do coronavírus

O Programa Escuta Acolhedora, da Secretaria de Saúde de Sorocaba (SES), já atendeu quase 300 sorocabanos que sofrem com os reflexos da pandemia causada pelo novo coronavírus e foram impactados emocionalmente. Os profissionais que atuam no serviço fizeram contato com 100 pessoas que perderam familiares para a Covid-19. De acordo com a pasta, no caso desses enlutados, a busca é feita de forma ativa e 24 pessoas continuam sendo acompanhadas pela equipe.

Com pouco mais de um mês e meio em funcionamento, desde o dia 12 de maio, o programa também recebeu 190 ligações de munícipes buscando apoio emocional por meio do número 3238-2400. As queixas mais comuns dos usuários, segundo a SES, são a ansiedade, conflitos familiares, medo, solidão e rotina.

Destinada às pessoas com mais de 18 anos, as linhas telefônicas ficam livres entre 8h e 18h, de segunda a sexta-feira. Atualmente, conforme a secretaria, o principal horário de procura pelo acolhimento emocional é das 10h às 12h. O atendimento feito por especialistas tem uma duração média de 30 minutos por conta da necessidade do vínculo e abordagem, por tratar-se de uma assistência em saúde mental.

Com ouvidos atentos, psicólogos e terapeutas ocupacionais se revezam para atender às chamadas. Questionada sobre uma possível ampliação do serviço, a SES não se posicionou. Segundo a pasta, “atualmente o serviço conta com quatro ramais para atender a população”, mesmo número em operação desde o início. (Larissa Pessoa)

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