Sorocaba e Região

Criação de sistema para gerar energia por meio de lixo não avança

Essa era uma das principais bandeiras da campanha do prefeito José Crespo (DEM)
Criação de sistema para gerar energia por meio de lixo não avança em Sorocaba
Nobel Penteado lembra que a Política Nacional de Resíduos Sólidos coloca como última opção aterrar o lixo e, hoje, a cidade manda mais que 95% dos resíduos para o aterro de Iperó. Crédito da foto: Veolia / Divulgação

Defendida à época da campanha do prefeito José Crespo (DEM), a criação da chamada Unidade de Recuperação Energética (URE) ainda não avançou na prática. A ideia era uma das principais bandeiras do então candidato à chefia do Executivo ligadas ao meio ambiente. A URE é um modelo presente em alguns países europeus, que gera energia térmica e/ou elétrica por meio da queima e tratamento do lixo não reciclado. Na Alemanha, por exemplo, os aterros sanitários foram eliminados graças à reciclagem energética.

A promessa da futura instalação da URE aconteceu durante entrevista a um programa de rádio em 24 de outubro de 2016. No decorrer do governo, porém, pouco se falou sobre o assunto. Para se ter uma ideia de como o processo de implantação é demorado, o primeiro projeto de usina geradora de energia a partir do lixo no Brasil tinha previsão de 18 meses até a conclusão, em Boa Esperança (MG). O anúncio do prazo foi feito em abril de 2017, mas a obra ainda não foi finalizada. Uma das informações mais recentes sobre a construção apontava que testes seriam iniciados em fevereiro deste ano, mas que o funcionamento, propriamente, tem nova previsão: final de 2020.

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O Cruzeiro do Sul questionou a Prefeitura em 5 de abril sobre o que havia de efetivo no que diz respeito à implantação em Sorocaba. Naquele momento, a resposta era de que “os estudos encontram-se em fase final de modelagem. Os trabalhos estão sendo executados pela Companhia Paulista de Desenvolvimento (CDP), empresa habilitada para tanto, através de chamamento público realizado pela Comissão de Parceria Público-Privada da Prefeitura. A expectativa é de que tais estudos e modelagem sejam entregues em aproximadamente 30 dias. Concluídos e entregues esses estudos, a Prefeitura os avaliará buscando a melhor forma de viabilizar o respectivo processo licitatório”.

A reportagem voltou a pedir informações sobre a URE em 20 de maio. Mesmo passados os “aproximadamente 30 dias”, o município informou que o projeto estaria “em fase final de estudos de Modelagem, os quais estão sendo feitos pela CPD”. E acrescentou que a empresa, sem citar data, vai fazer uma apresentação dos estudos à Secretaria de Saneamento (Sesan), “para posterior aprovação superior e, se aprovado, será divulgado à imprensa”.

Opção atual e coleta seletiva

Para o ex-coordenador do curso de Gestão Ambiental da Universidade de Sorocaba (Uniso) e atual coordenador do curso de Biologia, Nobel Penteado Freitas, a URE seria uma ótima opção “na situação atual”, apesar de dizer que “trata-se de um projeto caro para ser implantado e com dificuldades para licenciamento”. Freitas lembrou da reportagem publicada pelo jornal no final de março deste ano, sob o título “Apenas 3% do lixo de Sorocaba é reciclado”. “A Política Nacional de Resíduos Sólidos coloca como última opção aterrar o lixo e, hoje, a gente está mandando mais que 95% dos resíduos para aterro (de Iperó). A gente tem que fazer alguma coisa para reverter a situação”, afirma.

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Para o especialista, o investimento na coleta seletiva também é fundamental. “A gente percebe que muito material nobre está sendo jogado fora. A gente repara nas caçambas de construção, a quantidade de lata, madeira, plástico. São materiais que poderiam estar sendo reciclados e estão se perdendo”, comenta.

Em 16 de maio, a Prefeitura anunciou o aumento de 50% da frota disponível para o serviço de coleta seletiva, o que significa um total de nove veículos à disposição. “Reciclar traz vários benefícios para a sociedade, ajuda a conservar o meio ambiente, a melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, além de gerar trabalho e renda, transformando catadores em agentes recicladores”, declarou o titular da Sesan, Wilson Unterkircher Filho, o Cuca. Sorocaba conta com três cooperativas conveniadas, a Coreso, a Catares e a Reviver.

Sorocaba tem 210 coletores de lixo

Sorocaba conta, atualmente, com 210 coletores de lixo para recolher as 510 toneladas diárias de resíduos gerados na cidade, uma média de 800 gramas por munícipe. A quantidade é relacionada à geração das casas e comércio, segundo informações da Prefeitura. O contrato vigente do município para a “execução de coleta de resíduos sólidos domiciliares e comerciais, incluindo conteinerização, varrição e outros serviços afins e correlatos” é da ordem de R$ 87,8 milhões, com o Consórcio Sorocaba Ambiental, e vencerá em 31 de julho.

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Ainda de acordo com a Prefeitura, a cidade tem hoje 11 mil contêineres espalhados pelos bairros e não há previsão de ampliação no momento. “São 30 caminhões coletores-compactadores que fazem a coleta porta a porta e transporte até o aterro sanitário. Cada caminhão percorre em média 175 km/dia”, informa o município.

Os resíduos sólidos domiciliares/comerciais são levados para o Aterro de Iperó. A disposição final deles é de responsabilidade da empresa Proactiva Meio Ambiente Brasil Ltda — o contrato com a Prefeitura, prorrogado por mais seis meses em abril deste ano, custa R$ 9,5 milhões. A programação completa da coleta de lixo pode ser acessada no link encurtador.com.br/luABI. (Esdras Felipe Pereira)

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