Sorocaba e Região

Corrida de rua pode ser acessível para todos

“Empresto Minhas Pernas” será lançado oficialmente em evento do Cruzeiro do Sul
Corrida de rua pode ser acessível a todos
Voluntários conduzem os participantes em triciclos e permitem que tenham a experiência de estar em uma corrida de rua. Crédito da foto: Acervo Pessoal

O projeto Empresto Minhas Pernas, idealizado há três anos em Santos, foi trazido a Sorocaba há um mês e vem proporcionando mudança de vida. A intenção é dar oportunidade para que pessoas com deficiência participem de corridas. Basicamente, deficientes físicos são conduzidos por voluntários em triciclos. Embora tenham participado de uma corrida de rua em abril, os responsáveis pela proposta na cidade querem que o pontapé inicial “oficial” seja na 12ª Corrida e Caminhada Cruzeiro do Sul, em 30 de junho, a partir das 8h.

A fisioterapeuta Josy Garcia e o coach de emagrecimento Mario Teixeira estão à frente do Empresto Minhas Pernas em Sorocaba. O projeto começou na Baixada Santista, criado por Stefan Klaus, e também chegou ao Rio de Janeiro e Jundiaí. Josy buscava trazer um projeto nesse molde à cidade há algum tempo. Tudo começou por conta de um drama familiar vivido por ela. A irmã, Nathalia Yuri Garcia, ficou em coma e acamada aos 26 anos devido a complicações de diabetes. “Eu estava atrás de algum projeto quando ela teve uma melhora e queria correr com ela igual ao filme ‘Meu Pai, Meu Herói’. Mas, infelizmente a gente não conseguiu, dependia de aparelho respiratório, oxigênio, uma logística difícil”, conta.

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Depois de 10 anos de cuidados e atenção, a fisioterapeuta perdeu a irmã no ano passado. “E então eu meio que desisti da ideia, fiquei desmotivada”, lembra. Mas, incentivada por amigos, voltou a reunir forças. Foi quando encontrou uma página do projeto no Instagram e mandou uma mensagem até então despretensiosa, dizendo que queria trazê-lo para Sorocaba. “E me responderam no instante seguinte. Se não fosse por isso, talvez não teria acreditado mais. Mas eu tinha comigo que não queria correr por correr, queria correr por alguém”, afirma.

Corrida de rua pode ser acessível a todos
Josy e Mario querem ampliar o projeto que hoje conta com 20 pessoas. Crédito da foto: Erick Pinheiro

Em seguida, Josy conheceu Mario e começaram a cuidar dos detalhes. Atualmente, contam com três triciclos (um deles emprestado) e 20 participantes, sendo três deficientes físicos, três surdos e 14 voluntários. Cada pessoa conduzida no veículo é levada por dois corredores (que revezam na condução), além de dois corredores laterais (para proteção) e um corredor frontal (para guiar e orientar o condutor em relação a obstáculos no trajeto). O projeto é realizado aos domingos, a partir das 8h, no Parque das Águas.

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“Na primeira corrida, foi o Julio quem participou. Ele teve paralisia cerebral e hoje tem 22 anos. A gente perguntava se ele estava gostando, se estava tudo bem, e ele disse: ‘está, quando vocês correm. Aí é gostoso, mas agora, devagar assim, não’”, lembra. “E ele continuou e disse: ‘se você olhar para os obstáculos você não vai para lugar nenhum, levanta a cabeça e anda’”, conta ela, que garante se arrepiar todos os dias com os participantes.

Segundo Mario, o projeto tem como objetivo contemplar a todos. “Se a gente fala que é uma atividade para deficientes físicos, a gente está excluindo outras pessoas. Então a gente gosta de chamar de um grupo de convivência, sem diferenças. O objetivo é que qualquer pessoa possa participar”, explica.

Doações

Josy e Mario dizem que estão aceitando doações para comprar novos triciclos — que custam em média R$ 1.500 –, possivelmente uma handbike (que pedala com as mãos) e um triciclo tamanho família. Para arrecadar, eles também estão vendendo camisetas do projeto, a R$ 50, além de estarem recolhendo tampinhas plásticas e lacres de alumínio para trocar por veículos novos. O contato pode ser feito por meio da página no Facebook (facebook.com/emprestominhaspernas) ou pelos telefones (15) 98815-1615 (Josy) e (15) 98121-8127 (Mário). Os mesmos telefones valem para interessados em participar do grupo. (Esdras Felipe Pereira)

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