Sorocaba e Região

Combate ao avanço da pandemia afeta a rotina de trabalho e lazer

Pelo menos 30 bares da cidade decretaram o fechamento temporário, antecipando-se a qualquer decreto governamental
Combate ao avanço da pandemia afeta a rotina de trabalho e lazer
Pelo menos 30 bares decidiram, espontaneamente, suspender suas atividades. Crédito da foto: Pedro Negrão / Arquivo JCS (6/6/2015)

As ações coletivas de combate à proliferação do novo coronavírus, responsável pela doença Covid-19, têm afetado o cotidiano das pessoas em Sorocaba.

Até o meio da tarde desta quarta-feira (18), pelo menos 30 bares da cidade decretaram espontaneamente o fechamento temporário, se antecipando a qualquer decreto governamental, para evitar o avanço do vírus na cidade.

O empresário Mário Silva, que é sócio-proprietário de uma casa de shows na Vila Santana, criou uma postagem em seu perfil nas redes sociais para atualização colaborativa de uma lista bares que ficarão fechados em virtude da pandemia.

“O objetivo é informação e também passar a mensagem de que temos todos que cooperar e não esperar pelos decretos para o fechamento obrigatório”, afirma. Silva acrescenta que, nos próximos dias, um grupo de empresário do ramo do entretenimento deverá redigir uma carta aberta à Prefeitura, sugerindo medidas que possam amenizar os prejuízos no setor.

Além de uma série de estabelecimentos comerciais fechados ou com horários reduzidos, como shoppings centers, desde a última semana muitas empresas da cidade vêm adotando de forma preventiva o home office, modelo de trabalho remoto, para evitar contágio e transmissão entre funcionários e manter a produtividade.

Leia mais  Velórios de Sorocaba mudam rotina e terão limite de 10 pessoas por sala

É o caso de uma agência de publicidade sediada no Jardim Astro, que tem cerca de 70 funcionários que, desde ontem, passaram a trabalhar à distância. “É uma atitude preventiva”, considera o sócio-proprietário Marcos Baleeiro, citando que a princípio a medida vale por 30 dias, mas poderá ser prorrogado por mais tempo.

“Trabalhar 100% off line é uma novidade para gente, até porque a gente trabalha muito com arquivos digitais. Tivemos que achar a melhor forma de acesso [remoto] e contato entre o atendimento e a equipe de criação”, afirma.

Segundo o Baleeiro, além de minimizar o risco à saúde dos funcionários, a iniciativa deverá representar uma diminuição no custo operacional da empresa. “É um momento de crise. A gente sabe que vai ter redução de receita, então a gente tem que pensar na redução das despesas também, para enfrentar isso e esperar que não dure por tanto tempo”, diz.

Grupo de risco

O advogado André Tolentino destaca que a modalidade de trabalho é recomendável aos profissionais que estão dentro do chamado “grupo de risco”, aos que utilizam transporte coletivo e também aos pais que têm filho em idade escolar ou creche e que tiveram suas atividades suspensas.

Leia mais  Planalto lança campanha ‘O Brasil não pode parar’ contra medidas de isolamento

Ele observa que, no caso do teletrabalho, a legislação prevê a possibilidade de suspender o pagamento do vale-transporte e, em alguns casos, até mesmo do ticket-refeição. “Em havendo o acordo entre a empresa e colaborador pelo trabalho em home office, recomendamos que seja formalizada a opção por meio de um aditivo ao contrato de trabalho, a fim de que não haja qualquer tipo de discussão posterior”, afirma.

A preocupação de parcela da população contra a disseminação do coronavírus também tem provocado alterações até mesmo em datas especiais, como festas de aniversário. Proprietária de um buffet de festas infantis, Cláudia Braga Rodrigues de Souza comenta que três festas que estavam programadas para ocorrer nesta semana foram canceladas a pedido dos próprios clientes.

Ela assinala que, em virtude do momento atípico, a cláusula contratual que prevê multa em caso de alteração de data está sendo desconsiderada, para que, ao final da pandemia, uma nova data possa ser remarcada em comum acordo. “Cada caso é um caso, mas estamos dando até um ano para remarcar”, comenta.

Desde janeiro, a jornalista Christine Xavier organizava uma festa para 50 pessoas, para comemorar os 5 anos de sua filha Valentina. A celebração ocorreria no próximo sábado em um salão de festas na zona norte, mas no início da semana ela decidiu cancelar.

Leia mais  Transporte intermunicipal de 7 cidades voltará a circular com 40% da frota

Ela comenta que, como a maior parte da lista é de parentes que moram em São Paulo e Osasco, onde há casos confirmados de Covid-19, seria imprudente colocá-los em contato com pessoas que fazem parte do chamado grupo de risco.

“É uma demonstração de empatia e respeito com o outro. Vamos remarcar a festa, mas ainda não tem data”, afirma. A comemoração do aniversário da filha, desta vez, ficará restrita apenas aos familiares mais próximos. “Ela estava com muita expectativa. Mas eu conversei com ela, expliquei os motivos e ela entendeu que, no fim, vai ganhar duas festas”, completa. (Felipe Shikama)

Comentários