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Sorocaba e Região

Cisternas podem evitar falta de água em casa em dias de escassez

Reservatórios com água da chuva e para reúso são alternativas simples e baratas diante da crise hídrica
Cisternas podem evitar falta de água em casa
Carlos instalou duas cisternas em sua casa e pretende expandir sistema. Crédito da foto: Emidio Marques (7/11/2019)

Mesmo durante a crise hídrica, há quem consiga passar por esse momento com mais tranquilidade por conta da instalação prévia de cisternas. Os reservatórios podem ser usados para captação de água de chuva e também para armazenar água proveniente do banho e da máquina de lavar roupa, por exemplo. Com uma grande variedade de opções, é possível ter uma cisterna em casa de forma bastante simples e econômica.

No caso do publicitário Márcio Augusto Lopes, 37, morador do Jardim Abaeté, com apenas R$ 60 ele adquiriu um barril de 240 litros e improvisou uma cisterna, modificando a posição das calhas no telhado de casa. No final do mês, quando chega a conta de água, ele fala que a economia é tímida, em média de R$ 10, mas a comodidade de sempre ter água para fazer a limpeza do quintal é o seu maior lucro.

O sorocabano conta que há cinco anos, depois de ver publicações no Facebook em uma página de sustentabilidade, viu ali uma ótima chance de dar uso para a água que antes escoava pelo ralo. “Como tenho três cachorros, acredito que a água da cisterna seja ideal para lavar o quintal diariamente”. Por ser uma instalação mais simples, sem bombeamento ou instalações subterrâneas, Lopes conta que utiliza seu reservatório apenas na parte de trás da casa.

Carlos Eduardo Garcia Mesquita, 48, instalou duas cisternas em casa há cerca de seis meses e já pretende expandir o sistema. Engenheiro eletricista, ele conta que decidiu colocar os reservatórios em casa, no Jardim Faculdade, também para poder manter a parte externa da casa limpa sem utilizar água da rede. Na residência vivem ele, a esposa e dois cachorros. “Dessa forma eu não prejudico nenhum vizinho, economizo água, dinheiro e contribuo com o meio ambiente”, destaca.

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Neste caso o investimento foi mais alto, pois ele comprou uma cisterna vertical, de 600 litros, de uma empresa especializada que fica na região Sul do país. “Comecei a pesquisar preço e pela internet vi essa oferta. Precisei só comprar alguns tubos para direcionar o fluxo de água.” Na cisterna, que conta com sistema de bombeamento para uso no banheiro, ele investiu cerca de R$ 1 mil e na tubulação foram mais R$ 150.

Cisternas podem evitar falta de água em casa
Sistema à venda no mercado já bombeia a água direto para a caixa. Crédito da foto: Emidio Marques (7/11/2019)

Na casa também há uma pequena cisterna de 50 litros, que auxilia no reúso da água da máquina de lavar roupas. “A primeira água dispensada, que vem com a espuma do sabão em pó, eu jogo no quintal para esfregar e a segunda água uso para enxaguar o quintal”, explica. Nos próximos dias, conta, ele pretende substituir esse reservatório por um maior, de 200 litros e assim aumentar ainda mais a economia de água.

Antes das instalações, Mesquita costumava pagar até R$ 75 e agora fica na média de R$ 52. “A conta de água não costuma ser alta e talvez por isso as pessoas não valorizem tanto, somente em momentos de racionamento.” Sobre a quantidade de água economizada, ele fala que na conta reduziu o consumo de aproximadamente 1.200 metros cúbicos.

Muitas possibilidades

O gerente de construção Leandro Rodrigues, da C&C, destaca embora existam modelos mais elaborados, que demandam perfuração de solo e reformas maiores, é possível adquirir uma cisterna eficiente e de fácil instalação. “Os modelos verticais podem ser instalados na parte interna ou externa do imóvel e são compactas”.

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É possível encontrar no mercado, desde o sistema usado por Lopes, com um barril de R$ 60, até modelos com capacidade de dez mil litros, que custam até R$ 15 mil. Do modelo mais básico, de 240 litros, há opções no mercado já com bomba inclusa, com preços a partir de R$ 180.

Cisternas podem evitar falta de água em casa
Captação pode ser feita direto da calha. Crédito da foto: Cortesia

O analista de loja do setor de hidráulica da Tateti, Osmir Vieira da Silva, conta que há duas grandes marcas especializadas em cisternas e é possível comprar apenas o recipiente, o kit para a coleta ou a forma mais completa, que já vem equipado com bomba. Na loja, destaca, há cisterna de 2,8 mil a 10 mil litros, com preços a partir de R$ 1.600. “Por uma questão de preço, as pessoas acabam deixando um pouco a cisterna de lado e focam mais na caixa d’água, mas é uma opção que cada vez mais será uma solução”.

Prédios públicos não têm sistema de captação

Nenhum prédio público de Sorocaba possui sistema de armazenamento ou reúso de água. O apontamento foi feito pelo professor da área de recursos hídricos da UFSCar e membro do Comitê de Bacia Hidrográfica Sorocaba e Médio Tietê, André Cordeiro. A Prefeitura de Sorocaba confirmou a informação e disse que somente no Jardim Botânico Irmãos Villas-Bôas é que há cisternas.

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De acordo com Cordeiro, falta na cidade planejamento e incentivo para que a população crie o hábito de fazer uso de cisternas em casa, assim como falta a obrigatoriedade de se exigir que novos loteamentos sejam responsáveis por instalação de grandes reservatórios. “É um problema que apontamos há anos e o Poder Público, o Legislativo, que pode atuar na criação de leis, ignora essa necessidade”, criticou.

A Secretaria de Planejamento (Seplan), informou que “não há, no momento, qualquer estudo de incentivo de uso de cisternas”, como foi sugerido pelo especialista. Em nota a Prefeitura informou que as escolas municipais, assim como as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e outras que fazem atendimento na área no município, não dispõem de cisternas. O mesmo se aplica às unidades descentralizadas pertencentes à Secretaria da Cultura. A instalação dos reservatórios não está nos planos atuais do Executivo.

Sobre o Jardim Botânico, a Secretaria do Meio Ambiente, Parques e Jardins (Sema), divulgou que no local há 11 cisternas, com capacidade de armazenar 13 mil litros de água no total. Dez unidades têm capacidade de 1 mil litros cada e ficam ao lado do salão multiúso. “Essa água é reaproveitada para irrigação dos jardins da unidade”, informou. A outra cisterna, que tem capacidade de armazenar três mil litros de água, fica ao lado da horta do parque e é utilizada para irrigação da própria horta. (Larissa Pessoa)

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