Sorocaba e Região

Cirurgia bariátrica não é a solução para todos os casos de obesidade

Adriane Mendes – adriane.mendes@jornalcruzeiro.com.br

A luta contra a obesidade não se restringe à questão estética, mas também de saúde, e nesse caso até mesmo intervenção cirúrgica pode ser necessária. Mas em quais quadros clínicos a cirurgia é indicada? Todas as pessoas acima do peso podem recorrer ao procedimento? Quem explica sobre isso é o gastroenterologista Rafael Beltrami, da Àpice Medicina Integrada, que fala também das contraindicações existentes.

O especialista, que também realiza cirurgias bariátricas, explica que para ser submetido a tal procedimento há algumas indicações, tendo como principal o fato de estar acima do peso, com o Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40, ou acima de 35, caso hajam outros problemas relacionados à obesidade, como diabetes, asma, e problemas pulmonares. A faixa etária varia entre os 15 e 60 anos, incluindo, como pré-requisito, não ter conseguido perder peso normalmente. O médico porém atenta que, na avaliação pré-cirúrgica, as contraindicações são problemas pulmonares graves, cirrose, cirrose hepática, problemas cardíacos e insuficiência renal.

Beltrami: os obesos têm de ser avaliados por uma equipe multidisciplinar - ACERVO PESSOAL

Beltrami: os obesos têm de ser avaliados por uma equipe multidisciplinar – ACERVO PESSOAL

Beltrami também destaca haver variações de técnicas cirúrgicas. Entre as quais ele cita as técnicas disabsortivas, que permitem ao paciente comer, no entanto, atrapalham a absorção dos nutrientes e com isto levam o obeso ao emagrecimento. São, em geral, muito bem sucedidas quanto ao emagrecimento, que pode chegar a 40% do peso original, no entanto, têm necessidade de controle mais rígido quanto a distúrbios nutricionais, de elementos minerais e vitaminas. Tais técnicas vêm se tornando cada vez mais populares devido à qualidade de vida que traz ao paciente. O especialista cita ainda que essas operações são conhecidas como “desvios do intestino”, pois desviam uma boa parte do caminho que os alimentos têm que passar, desta forma fazendo um circuito menor e propiciando uma absorção menor dos nutrientes.

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Entretanto, o médico atenta que para ser submetido à cirurgia bariátrica, todo paciente precisa também se preparar por meio de uma equipe multidisciplinar, que envolve nutricionista, psicólogo e cardiologista, e que a adaptação pós operatória é variável, devendo ser acompanhada pela equipe multidisciplinar, especialmente do psicólogo, bem como com manutenção de atividades físicas.

Beltrami reforça, porém, que a qualidade de vida dos pacientes submetidos ao procedimento bariátrico é indiscutível, salientando inclusive a melhora da autoestima. Mas, o especialista também alerta que a cirurgia bariátrica só é indicada para pacientes que apresentam problema de saúde recorrente da obesidade, sendo contraindicada quando se trata apenas de questão estética.
Crianças também são afetadas 

Alimentação inadequada contribui para o excesso de peso - DIVULGAÇÃO

Alimentação inadequada contribui para o excesso de peso – DIVULGAÇÃO

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 41 milhões de crianças, menores de cinco anos de idade, estão acima do peso ou obesas e esse quadro já é considerado epidemia global.

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Segundo a pediatra Denise Lellis Garcia, “estudos já relacionaram a epidemia da obesidade infantil com causas genéticas, falta de aleitamento materno, tipo de parto, aumento do peso da mãe durante a gestação, estresse gestacional, peso ao nascer, microbiota intestinal e muitos outros. Mas, em minha opinião, as causas mais importantes são as comportamentais.”

De acordo com estudo sobre obesidade infantil realizado pelo portal Trocando Fraldas (TF), com 10 mil entrevistados, sendo 3.800 mães, foi mostrado que 4 em cada 9 mulheres começaram a introdução alimentar, além do leite materno, antes dos seis meses de vida da criança. Outro dado que chama a atenção é o de que 59% das brasileiras não incentivam o filho à prática de atividade física. Entre as mulheres jovens, de 18 a 24 anos de idade, este percentual sobe para 69%. Cinco em cada 9 crianças têm o hábito de comer em frente a aparelhos eletrônicos.

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A pediatra acredita que um dos erros mais comuns cometidos pelos pais é o de oferecerem alimentos aos bebês sob a justificativa de que sentem vontade. Outro erro é substituir os alimentos recusados pela criança por aqueles que ela aceita mais facilmente. “Hoje, muitas crianças entram muito cedo na vida escolar ou são cuidadas por outras pessoas, como avós e babás. Temos que tomar esse cuidado quando nos referimos aos pais, porque na maioria das vezes não são eles que introduzem os alimentos errados na vida das crianças”.

A pediatra alerta que as críticas às crianças obesas devem ser evitadas, assim como dietas radicais, sem intervenção médica. “Trabalhar sua autoestima, possibilitar a redução do sedentarismo são ações tão ou mais importantes do que as intervenções dietéticas”.

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