Sorocaba e Região

Sorocaba tem mais de 2 mil casos de sífilis

São seis novos diagnósticos positivos por dia. Tratamento e teste rápidos são feitos nas UBSs
Cidade tem mais de 2 mil casos de sífilis
No teste rápido é coletado sangue da ponta do dedo do paciente e o resultado sai em até 20 minutos. Crédito da foto: Divulgação / Secom Sorocaba

Uma média de seis pessoas são diagnosticadas com sífilis diariamente em Sorocaba. Segundo dados da Secretaria de Saúde (SES), desde janeiro 591 casos foram confirmados na cidade. No ano passado todo, 2.037 pessoas foram infectadas e 5.611 pessoas buscaram o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) para fazer teste de sífilis. Sobre os casos congênitos, quando a bactéria é passada da mãe para o bebê, foram confirmados 52 casos em 2018 e ainda não há dados referentes a este ano.

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Helena Solla, coordenadora do Programa Municipal de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e do CTA, explica que a sífilis é uma doença infectocontagiosa, sexualmente transmissível, causada pela bactéria Treponema pallidum. Ela também pode ser transmitida verticalmente, ou seja, da mãe para o feto, por transfusão de sangue ou por contato direto com sangue contaminado ou secreções íntimas. “Quando a gestante é diagnosticada com sífilis ela faz o tratamento e é fundamental que o parceiro também faça e é nisso que muitas vezes ocorre a falha, pois a mãe se trata e o parceiro se nega, voltando a infectar a mulher”, explica.

No ano passado foram contabilizados 251 gestantes com sífilis e em mais de 80% dos casos, através do tratamento, foi possível preservar o feto. Das 52 crianças que receberam a bactéria da mãe, 51 casos foram assintomáticos. “A sífilis pode causar má formação do feto, mas aqui em Sorocaba quase a totalidade não apresentou essas deficiências”, relata Helena. Ela explica que quando a criança nasce pode demorar até seis meses para confirmar a presença da bactéria, pois não é de imediato que o bebê se livra dos anticorpos da mãe, o que pode ocasionar um falso positivo para sífilis. Filhos de mães com sífilis, conta, são acompanhados até um ano e meio de idade.

O tratamento da sífilis é realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) através das Unidades Básicas de Saúde (UBSs). A medicação utilizada nesse tratamento é a penicilina, conhecida como a injeção Benzetacil. Helena explica que fazer o teste rápido é fundamental em caso de manter relação sexual sem preservativo. “A sífilis causa uma ferida genital, que nas mulheres é ainda mais difícil de identificar por ser interna. A doença pode ser transmitida através de sexo vaginal, anal ou oral.” A ferida, conta a coordenadora, pode aparecer até um mês após a entrada da bactéria no organismo e depois de uma semana ela costuma cicatrizar.

Além das feridas genitais, a sífilis também ocasiona manchas pelo corpo, que depois de alguns dias também somem. “As DSTs em geral são silenciosas, apresentam sintomas muito sutis, por isso é importante o teste. O tratamento para sífilis dura no máximo três semanas e uma pessoa com sífilis não tratada tem três vezes mais chance de adquirir HIV por conta da imunidade baixa, mucosa mais sensível e as feridas abertas”, conta.

Quando não identificada e tratada, a bactéria causadora da sífilis pode ficar adormecida no corpo, podendo se manifestar depois de até dez anos, causando problemas mais sérios, como meningite e problemas cardíacos e ósseos. Helena conta que não há um perfil de pessoas infectadas pela doença. É misto entre homens e mulheres, frequente em todas as faixas etárias e altamente transmissível.

Sexo seguro e teste

O uso do preservativo, destaca a coordenadora do CTA, é a melhor maneira de evitar a infecção e ela lembra que os números apresentados, de 591 pessoas diagnosticadas com a doença em 2019, é apenas o contabilizado no CTA. “Ao manter uma relação sexual sem preservativo, você está tendo contato com todos os parceiros passados dessa pessoa ou até mesmo a situações adversas, como quem teve um contato não sexual com um infectado.”

Após sexo sem proteção, recomenda Helena, “é indispensável fazer o teste rápido”, que está disponível no CTA, localizado na rua Manoel Lopes, 220, na Vila Hortência, e atende de segunda a sexta-feira, das 8h às 15h ou em qualquer uma das 32 UBSs. Os testes rápidos são simples. É coletado sangue da ponta do dedo e o resultado fica pronto entre 15 e 20 minutos. “O teste está disponível, o tratamento está disponível e não tem que ter medo. Não se tratar é algo inconsequente e pode virar uma bola de neve”, destaca Helena. Ela explica que caso o teste rápido dê positivo, o paciente faz o teste laboratorial, que vai apontar o número de bactérias existentes e qual a duração do tratamento. (Larissa Pessoa)

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