Sorocaba e Região

Carandá completa dois anos e pede melhorias

Um dos maiores condomínios populares da região, empreendimento abriga cerca de 10 mil moradores
Carandá completa dois anos e pede melhorias
Residencial começou a receber as famílias em março de 2017, um ano após o prazo inicial. Crédito da foto: Fábio Rogério

Neste mês, o Residencial Carandá, considerado um dos maiores condomínios de apartamentos populares da Região Metropolitana de Sorocaba (RMS), completa dois anos. As primeiras das 2.560 famílias atendidas pelo empreendimento começaram a se mudar para o novo bairro no dia 25 de março de 2017. Apesar da alegria de realizar o sonho da casa própria, os moradores do Carandá ainda convivem com problemas que persistem ainda hoje.

Envolto em polêmicas desde o início de sua construção, dois anos após a mudança das famílias, o Residencial Carandá ainda enfrenta carências conhecidas antes mesmo de sua inauguração. Longe do centro de Sorocaba e sem aparelhos públicos prontos para atender uma população de mais de 10 mil pessoas, os moradores do bairro ainda pedem melhorias em relação a ampliação do horário de atendimento da Unidade Básica de Saúde (UBS), que foi construída no local para atender os moradores; escolas e creches para atender os alunos, e a falta de estabelecimentos comerciais próximos ao residencial.

Além disso, o problema da água com cor de ferrugem, que foi constatado alguns meses após a mudança dos moradores, ainda não foi totalmente solucionado em todos os 16 condomínios do Carandá. Segundo os moradores, a troca dos equipamentos que deixam a água com cor de ferrugem foi feita somente em alguns condomínios e não em todos.

Carandá completa dois anos e pede melhorias
Moradores pedem que UBS passar atender em horário estendido. Crédito da foto: Fábio Rogério

Questionada, a construtora responsável pelo empreendimento disse que os trabalhos nos condomínios do Residencial Carandá estão em dia e que não há lentidão nos serviços. “As atividades seguem, inclusive, cronograma previamente acordado com os respectivos síndicos. A conclusão das obras está prevista para o fim do mês de abril próximo. A empresa também oferece comunicados regulares sobre o andamento dos trabalhos de modo que os síndicos se mantenham atualizados sobre as ações. A Direcional informa ainda que as intervenções já se encerraram em dois condomínios e que vêm sendo realizadas nos outros cinco de acordo com a disponibilidade dos moradores, sempre com a perspectiva de cumprimento do prazo estabelecido”, diz.

Sem correspondências

Outro problema que ainda não teve solução para os moradores do residencial é a entrega de cartas pelos Correios. Os moradores afirmam que reuniões entre o órgão e a Prefeitura de Sorocaba já foram realizadas, mas nenhuma solução foi encontrada até o momento. Os Correios disseram que as ruas tinham que ter nomes e placas de identificação, o que foi providenciado pela Urbes.

Leia mais  Dupla é presa com mais de 310 porções de drogas no Jardim Ipiranga
Carandá completa dois anos e pede melhorias
Escola em construção no bairro ainda não foi concluída. Crédito da foto: Fábio Rogério

Outro pedido foi a instalação de caixas de correspondência em todos os condomínios, mas os síndicos afirmam que a medida é desnecessária, visto que todos os condomínios têm porteiro e que as cartas deveriam ser entregues nas portarias. A Prefeitura de Sorocaba foi questionada a respeito das reclamações dos moradores, e disse que o emplacamento das ruas já foi realizado pela Urbes.

Saúde e educação

Sobre a possibilidade de transformação da UBS do Carandá em Pronto Atendimento (PA) a Prefeitura de Sorocaba afirma que a UBS “conta com o programa de acolhimento, que visa o atendimento da demanda espontânea e que tem a missão de ampliar o acesso e realizar atendimento aos casos de urgência e emergência, garantindo um atendimento qualificado”. “Vale ressaltar que, com o início do projeto de gestão compartilhada, a referida UBS recebeu mais cinco técnicos de enfermagem, quatro médicos (dois clínicos e dois pediatras) e um administrativo. Em relação ao atendimento de urgência e emergência, a população dessa região já está assistida pela Unidade Pré Hospitalar (UPH Zona Norte)”, diz nota enviada pelo município.

Em relação às escolas, a Prefeitura de Sorocaba afirma que está prevista a entrega de cinco unidades escolares, sendo duas escolas municipais e três Centros de Educação Infantil (CEIs) no segundo semestre deste ano.

Construção foi marcada por atrasos e polêmicas

As obras do residencial começaram em abril de 2013, ainda no governo do ex-prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB). Construído em uma área de 250 mil m2, no quilômetro 3,5 da rodovia Sorocaba-Porto Feliz, a Emerenciano Prestes de Barros (SP-97), no bairro Caguaçu, na zona norte da cidade, o empreendimento é dividido em 16 condomínios, todos com nomes de árvores.

A inauguração do residencial foi marcada por atrasos. Sob responsabilidade da empresa Direcional Engenharia S/A, a previsão inicial era que a construção se efetivasse em dois anos, com prazo de entrega em abril de 2015, o que não se confirmou. A demora na conclusão das obras gerou protestos e a inauguração oficial ocorreu mais de um ano após, no dia 23 de dezembro de 2016, já no atual governo do prefeito José Crespo (DEM), mas sem a mudança dos moradores.

Os primeiros moradores só começaram a ocupar os imóveis quase três meses depois: a partir de março de 2017. Isso porque o Ministério das Cidades se manifestou contrário à ocupação afirmando que o Carandá havia sido entregue de forma parcial “à revelia do governo federal”, pois do total de 2.560 apartamentos, mais de mil ainda precisavam ser vistoriados.

Leia mais  Remédio em falta compromete saúde de paciente

Moradores reclamam de buracos no asfalto

Carandá completa dois anos e pede melhorias
Asfalto está deteriorado em parte do residencial. Crédito da foto: Fábio Rogério

Apesar do pouco tempo de existência, o novo bairro já enfrenta problemas com a manutenção das ruas. Na entrada do residencial, os buracos tomam conta da rua, colocando em risco os motoristas. O pedido para recuperação do asfalto já foi encaminhado recentemente pelo grupo de síndicos.

De acordo com a síndica Luciana Amaral, os moradores estão aguardando uma resposta da Prefeitura para o problema. Em nota, a Prefeitura de Sorocaba disse que “a Secretaria de Conservação, Serviços Públicos e Obras (Serpo) já enviou um relatório à Secretaria de Planejamento e Projetos (Seplan) para notificar a empresa responsável pela pavimentação do residencial”.

A única praça do Carandá é a principal área de lazer para os moradores. Ela possui algumas quadras e brinquedos para as crianças, mas não tinha iluminação, questão que foi resolvida pela Prefeitura de Sorocaba em dezembro do ano passado. “Foi outra luta para conseguirmos a iluminação da praça e finalmente conseguimos. Agora, estamos pedindo a instalação de uma academia ao ar livre e brinquedos para crianças especiais”, disse Luciana.

Mudança de vida

Carandá completa dois anos e pede melhorias
Apesar dos problemas, Aline Garcia está feliz no bairro. Crédito da foto: Fábio Rogério

A manicure Aline Garcia, 29 anos, mora no Carandá desde o início no condomínio Jacarandá Paulista e afirma que sua vida melhorou desde que conquistou a moradia própria. Ela conta que pagava aluguel quando morava na Vila Helena com o esposo e a filha e que por conta dos gastos praticamente quase não sobrava dinheiro para a família depois de pagar as despesas com a casa. “Depois que mudei para o Carandá e não pago mais aluguel a vida melhorou. Sobra mais dinheiro porque antes só dava para pagar o aluguel e as contas do mês”, afirma.

Segundo ela, o custo de vida é menor no residencial e o orçamento familiar fica mais folgado, permitindo que a família faça outras despesas como com lazer, entre outros. Aline só gostaria que tivesse mais estabelecimentos comerciais próximo ao residencial. “Aqui a gente tem pouca opção e o número de ambulantes e vendedores que montavam barracas aqui no Carandá diminuiu”, diz.

‘Foi uma luta que ainda não acabou’

A diarista e síndica do Condomínio Araucária, Luciana Amaral, 47 anos, foi testemunha de todos os problemas enfrentados pelos moradores do Residencial Carandá, antes mesmo da mudança das famílias. Ela conta que tudo “foi uma luta que ainda não acabou”. Apesar da conquista do sonho da casa própria, Luciana relata que os moradores ainda necessitam de melhorias, principalmente nas áreas de educação, saúde, comércio e opções de lazer.

Leia mais  Cruzeirão 2019 abre quarta semana com disputas acirradas

 

Luciana, que atualmente também é presidente da Associação de Moradores do Carandá e Altos de Ipanema (AMCAI), diz que um dos principais problemas enfrentados pelos moradores foi a questão do transporte coletivo urbano. “Quando a gente se mudou só tinha uma linha de ônibus que atendia o residencial e que ia pela avenida Itavuvu. Isso foi um transtorno no início e uma luta para conseguirmos mais linhas, com trajeto também pela avenida Ipanema e mais horários. Agora melhorou bastante, mas uma parte dos moradores reclama dos poucos horários dos ônibus aos finais de semana”, por exemplo.

Carandá completa dois anos e pede melhorias
Luciana: da Associação dos Moradores. Crédito da foto: Fábio Rogério

Questionada, a Urbes informou que ampliou e aumentou a quantidade de ônibus da linha que atende aos moradores do Carandá, que iniciou operando com seis ônibus convencionais e desde maio do ano passado opera com 12 veículos novos. “Atualmente, as linhas operam com intervalos de 15 minutos em dias úteis, 36 minutos aos sábados e 56 minutos aos domingos, e estão sendo constantemente monitoradas, onde, sempre que constatada a necessidade é aplicada a ampliação ou melhoria no atendimento”,diz.

Invasões de apartamentos

Alguns meses após a mudança das famílias, alguns apartamentos que não foram ocupados acabaram sendo invadidos. O caso ganhou repercussão na imprensa local e medidas tiveram que ser tomadas para desocupar os imóveis. Até uma reintegração de posse ocorreu no Carandá para que os apartamentos pudessem ser entregues para pessoas que estavam na lista de espera. Luciana afirma que a questão foi resolvida pelo Banco do Brasil, financiador da obra, e que os apartamentos reintegrados ao banco foram disponibilizados para novos moradores, que estavam na fila de espera.

A presidente da Associação diz que os moradores ainda aguardam a instalação de um posto policial no residencial, mas até o momento não foram atendidos. “O Carandá é um lugar do bem e há muitos moradores do bem aqui. As pessoas que difamam o residencial não moram aqui e não conhecem o nosso dia a dia. Infelizmente, a localização não é a ideal, é longe tudo, mas já nos acostumamos. O mais importante é a gente morar no que é nosso”, diz. (Ana Cláudia Martins)

Comentários