Sorocaba e Região

Campanha de vacinação antirrábica é suspensa por falta de vacina

Sorocaba e cidades da região não receberam doses para imunização; também há falta de soro antirrábico
Campanha de vacinação antirrábica é suspensa
Vacinação antirrábica é obrigatória e deve ser feita uma vez por ano. Crédito da foto: Emidio Marques / Arquivo JCS(24/11/2015)

O Ministério da Saúde informou que não há vacinas antirrábica suficientes para disponibilizar aos municípios e por isso várias cidades estão suspendendo as campanhas de vacinação que deveriam iniciar em agosto para cães e gatos. Sorocaba, Votorantim, Itu, Piedade e Itapetininga confirmaram a situação e informaram que há também falta de Soro Antirrábico (SAR), que é a substância dada aos humanos que tiveram contato com animais possivelmente infectados.

Em Sorocaba, segundo a Secretaria da Saúde (SES), há 12.650 doses da vacina em estoque para as ações de rotina (vacinação de cães e gatos que entram em contato com morcegos e vacinações eventuais). O município recebeu uma nota informativa do Ministério da Saúde anunciando o desabastecimento de vacina antirrábica em todo o País, por atraso na entrega do produto por parte do fabricante. Na nota, segundo a SES, consta que a próxima entrega de doses está prevista para novembro de 2019 e se ocorrer, a cidade realizará a campanha, mesmo que tardiamente.

Leia mais  Campanha de Vacinação Antirrábica já imunizou mais de 23 mil animais na cidade

 

O Departamento de Vigilância Epidemiológica de Itapetininga informou que ainda dispõe da vacina antirrábica em seu estoque, mas não divulgou se haverá ou não a campanha de vacinação. Itu, Piedade e Votorantim informaram que foram notificadas pelo Ministério da Saúde sobre a falta de vacinas e por isso a campanha está temporariamente suspensa. As três cidades não registraram casos de raiva nos últimos anos.

A pasta sorocabana informou que não há registro de cães e gatos com raiva no município nos últimos anos. “Há apenas relatos de um animal na década de 90”, informou. Segundo a SES, porém, em 2018 a cidade contabilizou oito morcegos positivos para raiva. Em 2019, até o presente momento, três morcegos foram confirmados com a doença.

Soro Antirrábica

A SES de Sorocaba informou também que não há o SAR, que é usado em humanos que têm contato com animais possivelmente infectados. No município as doses são administradas pelo Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS) e segundo a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, a liberação do soro para humanos também é de responsabilidade do governo federal.

Itapetininga, em nota, relatou a mesma situação.”O Ministério da Saúde informou que o abastecimento de SAR no Brasil continua com problemas e que não houve distribuição do produto no mês de maio de 2019, mas não justificou a causa”, informou o município em nota.

Leia mais  Animais do Zoológico Municipal Quinzinho de Barros vão ao veterinário

 

É importante ressaltar que o SAR é diferente da vacina antirrábica. O soro tem em seu componente os anticorpos necessários para combater a doença, já a vacina contém agentes infecciosos incapazes de provocar a enfermidade. Portanto, o soro é curativo, enquanto a vacina é, essencialmente, preventiva e uma substância não substitui a outra.

O Ministério da Saúde foi questionado, mas não respondeu quando haverá a normalização de distribuição do soro. A pasta federal, em nota, disse que “atualmente o Brasil encontra-se próximo à eliminação da doença causada por vírus canino” e lembrou que a raiva é uma doença infecciosa aguda causada por um vírus que acomete mamíferos, inclusive o homem, e é transmitida principalmente por meio da mordida de animais infectados.

Vacinação obrigatória

A SES sorocabana lembra que a falta de vacina antirrábica não exime os responsáveis por cães e gatos de vacinarem seus animais com veterinários particulares, conforme parágrafo 3º do Art. 10 da Lei nº 8354/07, pois a vacina deve ser dada anualmente.

Em clínicas veterinárias de Sorocaba os preços variam de R$ 60 a R$ 110. Segundo a veterinária Larissa Dias Neves, diante da falta de doses gratuitas, é importante que os tutores sigam o calendário corretamente. “Se o animal foi vacinado em agosto do ano passado, é importante que ele seja vacinado no mesmo mês deste ano, para respeitar os 12 meses de duração da imunização.” Ela explica que a vacina é igual para cães e gatos, independente da raça e do porte do animal. (Larissa Pessoa)

Comentários